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Aeronave do Samu 192 Sergipe reforça atendimento aeromédico no estado
Em três anos de atuação, o serviço Aeromédico já realizou 440 atendimentos em Sergipe e conta, atualmente, com uma aeronave exclusiva para atender ...
27/10/2026 11h27
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe

Sergipe conta com um importante reforço no atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência com a incorporação da aeronave H-130T2, destinada desde junho de 2026 especificamente às operações de saúde do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe), da Secretaria de Estado da Saúde. 

O investimento vem ampliando ainda mais a capacidade de resposta, oferecendo atendimento a pacientes graves e o transporte rápido entre municípios do interior e unidades de referência.

Em três anos de atuação, o serviço aeromédico já realizou 440 atendimentos no estado. O transporte aéreo é direcionado a pacientes graves e com condições clínicas tempo-dependentes, quando a rapidez do deslocamento pode influenciar o prognóstico. Entre as ocorrências estão casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC), além de traumas de alta complexidade, acidentes com múltiplas vítimas e outras situações que exigem assistência especializada.

O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, destacou que o investimento fortalece a capacidade de resposta da rede pública nas ocorrências de urgência e emergência. “O serviço Aeromédico é fundamental para o atendimento de pacientes em estado grave, pois contribui para reduzir o tempo de deslocamento e ampliar as possibilidades de acesso oportuno ao tratamento. Esse investimento reforça o compromisso do Governo do Estado com a qualificação da assistência e a ampliação do acesso aos serviços de saúde”, ressaltou.

Regulação integrada

O acionamento do serviço aeromédico é coordenado pela Central de Regulação de Urgências (CRU), vinculada ao Complexo Regulatório de Saúde do Estado, por meio do número 192. O médico regulador avalia as informações clínicas do paciente e a necessidade do transporte aéreo, enquanto o comandante verifica as condições meteorológicas e a segurança do voo.

A atuação da CRU é fundamental para identificar as ocorrências em que o transporte aéreo pode fazer diferença no prognóstico do paciente. A partir das informações clínicas e das condições de acesso ao local, o médico regulador avalia a necessidade de acionamento da aeronave e organiza o encaminhamento para o serviço de saúde adequado.

De acordo com a coordenadora do Complexo Regulatório de Saúde do Estado, Arianne Costa, a integração entre as equipes permite organizar o atendimento de acordo com as necessidades de cada ocorrência. “Após a autorização do voo, a central organiza a logística terrestre para garantir o embarque e o desembarque seguros do paciente”, explicou.

O transporte aeromédico é especialmente estratégico para pacientes atendidos no interior, onde a distância até hospitais de referência pode representar um desafio em situações críticas. A aeronave permite reduzir o tempo de deslocamento em ocorrências selecionadas, favorecendo o acesso oportuno a serviços especializados, conforme a necessidade clínica de cada paciente.

A indicação do transporte considera a gravidade do quadro clínico, o tempo necessário para o deslocamento e as condições de acesso ao local da ocorrência. “Entre as situações que podem demandar o serviço estão os casos graves de infarto e AVC, traumas de maior complexidade, queimaduras e afogamentos, além de ocorrências envolvendo recém-nascidos e crianças em estado crítico que necessitem de suporte especializado. Cada missão é avaliada pela regulação médica, considerando as condições clínicas do paciente e os aspectos operacionais necessários à realização do voo”, detalhou Arianne.

Além disso, a operação também segue critérios de segurança relacionados à capacidade e à configuração da aeronave. As condições para o transporte de pacientes com peso ou altura elevados são avaliadas conforme as especificações técnicas e os limites operacionais do equipamento. A cabine é organizada para acomodar o paciente e a equipe assistencial, sem assentos destinados a acompanhantes.

No transporte de crianças e adolescentes, o acompanhamento do responsável deve ser organizado conforme os procedimentos aplicáveis, com deslocamento terrestre paralelo quando necessário. Em situações de risco iminente de morte, a prioridade é garantir o atendimento oportuno, observados os protocolos assistenciais e legais.

“Também existem situações clínicas que podem contraindicar ou exigir cuidados específicos para o transporte aéreo, como o trabalho de parto no período expulsivo, quadros de agitação psicomotora que comprometam a segurança da operação e determinadas doenças infectocontagiosas que exijam medidas especiais de isolamento. A decisão depende da avaliação da equipe responsável e dos protocolos de segurança”, salientou a coordenadora. 

Além da assistência aos pacientes, o serviço Aeromédico também auxilia na captação e no transporte de órgãos e tecidos destinados a transplantes, contribuindo para agilizar o deslocamento e viabilizar essas etapas do processo.

Assistência de ponta

A nova aeronave apresenta avanços estruturais em relação ao modelo anterior. A cabine mais ampla permite o posicionamento transversal da maca e facilita o acesso bilateral ao paciente, possibilitando que o médico atue por um lado e o enfermeiro pelo outro. A configuração favorece a realização de procedimentos, a administração de medicamentos, o manejo de acessos venosos e a monitorização contínua durante o voo.

O espaço interno comporta equipamentos médico-hospitalares homologados para a atividade aeromédica e adequados às condições de ruído e vibração da aeronave. Entre os recursos estão monitor desfibrilador, respirador automático, oxímetro, bombas de infusão, régua de gases medicinais e suporte para compressor torácico automático. Esses equipamentos ampliam as possibilidades de assistência e permitem a realização de intervenções durante o deslocamento, conforme as condições clínicas e operacionais.

Outro diferencial é a inclusão de uma cápsula de transporte neonatal com controle térmico, semelhante a uma incubadora. O equipamento permite transportar recém-nascidos que necessitem de suporte especializado, inclusive do interior para unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais na capital, com condições adequadas de proteção térmica durante o trajeto.

A superintendente do Samu 192 Sergipe, Cintia Guerra, enfatizou o impacto da nova tecnologia na assistência prestada à população. “Essa segunda aeronave tem capacidade de operação bem superior à primeira no quesito perfil dos agravos clínicos e traumáticos. Agora também temos condições de monitorar o paciente continuamente pelos olhos atentos dos dois operadores de suporte médico, um de cada lado do enfermo. A melhoria da condição da assistência em tempo real foi fantástica, permitindo intervenções durante o voo e até compressões torácicas automáticas em caso de parada cardiorrespiratória. Além disso, o helicóptero tem a capacidade de chegar onde o avião não pousa e a ambulância não chega”, destacou.

Termo de cooperação

A operação do serviço aeromédico é viabilizada por um termo de cooperação entre a Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por meio do Grupamento Tático Aéreo (GTA), responsável pela disponibilização dos pilotos e copilotos que comandam as missões.

A parceria permite que os profissionais do GTA atuem nas operações das duas aeronaves do estado, contribuindo para a continuidade dos atendimentos de saúde durante os períodos de manutenção preventiva e para a organização das missões de acordo com as demandas operacionais. Com uma aeronave destinada especificamente à saúde, o serviço Aeromédico ganha maior disponibilidade, sem depender exclusivamente do mesmo equipamento utilizado nas ocorrências de segurança pública.

“O termo de cooperação entre a Saúde e a Segurança Pública foi um marco na história sergipana, um avanço imensurável no cuidado e na redução de óbitos e incapacidades, pois muitos pacientes não teriam a chance de chegar a tempo ao hospital por via terrestre. Não são apenas 440 pacientes atendidos, são 440 famílias que viram seus entes queridos serem bem assistidos no estado”, concluiu a superintendente.

Agilidade que transforma vidas

A rapidez no atendimento pode ser decisiva para a recuperação de pacientes em situações de emergência. Para Edmilson Nascimento, de 71 anos, morador de Nossa Senhora do Socorro, o transporte aeromédico foi fundamental durante um quadro grave de infarto sofrido enquanto visitava o pai, no município de Simão Dias.

Após receber os primeiros atendimentos no Hospital Pedro Valadares, Edmilson foi transferido de helicóptero para a capital, onde passou por um procedimento de cateterismo no serviço de Hemodinâmica do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). 

“Eu estava muito mal lá em Simão Dias e precisava de atendimento rápido. A chegada do helicóptero foi muito importante, porque, se eu tivesse vindo de carro, não sei se teria conseguido chegar a tempo. Fui muito bem atendido e só tenho a agradecer”, relatou o paciente.

Aeronave do Samu 192 Sergipe reforça atendimento aeromédico no estado
Coordenadora do Complexo Regulatório de Saúde do Estado, Arianne Costa
Superintendente do Samu 192 Sergipe, Cintia Guerra