Nove moradores de residência inclusiva em Campo Grande receberam o documento sem precisar sair de casa
Sair de casa para tirar um documento pode ser uma tarefa difícil para quem depende de cuidados e acompanhamento constantes. Na Casa Lar Lions, em Campo Grande, nove pessoas com deficiência tiveram acesso à nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) sem enfrentar esse deslocamento. A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul levou o serviço até a residência, onde realizou os procedimentos de identificação e, posteriormente, entregou os documentos.
Entre os moradores beneficiados está Paulo, de 54 anos, que gosta de pintar quadros e tem nessa atividade uma forma de expressão. Ele vive na instituição, onde recebe os cuidados necessários, e foi um dos contemplados pelo atendimento realizado no próprio local.
Administrada pelo Lions Clube Campo Grande Sul, a Casa Lar Lions é uma residência inclusiva de alta complexidade que acolhe dez pessoas com deficiência física ou intelectual. Entre os moradores estão pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) que necessitam de suporte nível 3, além de residentes com graves limitações de mobilidade.
Para esses residentes, uma ida ao posto de identificação exigiria mais do que transporte. Seria necessário organizar o acompanhamento individual, mobilizar funcionários e adaptar a rotina de cuidados às condições de cada pessoa. A realização dos procedimentos na própria instituição evitou essas dificuldades.
Um atendimento que respeita cada pessoa
A coordenadora da Casa Lar Lions, Daiane Pereira, acompanha a rotina dos moradores e conhece as particularidades de cada um. Ela explica que procedimentos relativamente simples para a maioria da população podem exigir mais tempo e atenção quando realizados com pessoas que necessitam de maior suporte.
Uma identificação que normalmente leva cerca de 15 minutos, por exemplo, pode durar meia hora ou até duas horas. Em algumas situações, os profissionais precisam aguardar até que o morador esteja em condições de colaborar com o procedimento. “A paciência dos técnicos, dos peritos aqui foi de extrema importância”, relata Daiane.
Além das dificuldades de locomoção, a instituição precisava manter atualizados os documentos dos residentes para atender às exigências de identificação e aos registros relacionados a benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas). “Para poder atualizar o sistema, eu precisava desses documentos”, explica a coordenadora.
Daiane também destaca o cuidado da equipe durante os procedimentos e a possibilidade de realizar a identificação sem retirar os moradores do ambiente em que vivem. “Eu agradeço a inclusão, o atendimento especializado”, afirma.
O serviço público chega a quem precisa
A entrega das nove carteiras foi acompanhada pelo diretor do Instituto de Identificação, Daniel Ferreira Freitas. A ação integra o trabalho desenvolvido pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), por meio da Polícia Científica, para atender pessoas que não conseguem comparecer aos postos convencionais. “Essa é a quarta casa de acolhimento que o Instituto de Identificação atende”, informa Daniel.
O trabalho também contempla pessoas acamadas, hospitalizadas ou com outras condições de saúde que dificultem ou impeçam o deslocamento. Conforme o diretor, uma nova visita técnica está prevista para outra instituição de acolhimento, na região do Jardim Presidente, em Campo Grande.
A identificação fora dos postos convencionais faz parte das ações desenvolvidas em todo o Estado. De janeiro a outubro de 2026, cerca de 85 ações itinerantes e mutirões resultaram na confecção de aproximadamente 8,5 mil carteiras de identidade.
Desde o início da emissão da CIN, Mato Grosso do Sul já ultrapassou 955 mil documentos confeccionados. A rede permanente de identificação civil conta com 106 postos distribuídos pelo Estado.
Como solicitar atendimento sem sair de casa
Pessoas impossibilitadas de comparecer a um posto de identificação por motivos de saúde comprovados podem solicitar o atendimento no local onde se encontram, seja em casa, em hospitais ou em instituições de acolhimento.
Para isso, basta que um familiar, cuidador ou responsável entre em contato com o posto de identificação mais próximo. A equipe orientará sobre a documentação necessária e os procedimentos para avaliação e organização do serviço.
Para a população que pode comparecer às unidades, o agendamento da CIN é realizado pelo Portal de Serviços da Sejusp, no endereço https://servicos.sejusp.ms.gov.br. A primeira emissão do documento é gratuita.
Na Casa Lar Lions, a entrega das nove identidades representa o acesso a um direito que não deveria ser limitado pelas dificuldades de deslocamento. Ao adaptar os procedimentos às necessidades dos moradores, a Polícia Científica permitiu que cada um recebesse seu documento no ambiente onde vive, com o cuidado e a atenção que sua condição exige.
Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS
Foto: Divulgação/PCi-MS