Desde o mês de abril, a Coordenação de Limpeza Pública, vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), está desenvolvendo um projeto-piloto de coleta seletiva porta a porta, em parceria com a Associação de Catadores de Resíduos Sólidos Recicláveis de Vitória da Conquista (ACRES).
Em fase inicial, a iniciativa atende ao bairro Boa Vista, que concentra um comércio expressivo e diversos condomínios. A proposta é usar a experiência como referência para ampliar as ações e incentivar hábitos adequados de descarte de resíduos.
De acordo com a gerente de gestão ambiental da Prefeitura, Camila Sodré, o projeto se destaca por atender diferentes frentes, contribuindo para a preservação ambiental e para a geração de renda. “Além de reduzir significativamente o volume de recicláveis destinados ao aterro sanitário, o que prolonga a vida útil do espaço, minimiza os impactos ambientais e combate a poluição, o projeto gera renda e autonomia financeira para dezenas de famílias. Essa diminuição no volume de rejeitos reduz os custos operacionais de manutenção e posterga a necessidade de investimentos milionários na abertura de novas células”, explicou.
Com o apoio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba), a ação também promove atividades de educação ambiental, com orientações aos moradores sobre a separação correta dos resíduos e os dias de coleta. Às segundas e sextas-feiras, os recicláveis devem ser colocados em frente às residências para serem recolhidos pelos catadores da ACRES.
Após esse processo, é realizada a triagem dos materiais no galpão da associação. Papelão e papéis em geral, embalagens plásticas, garrafas PET, latas de metal e alumínio, vidro e isopor são classificados individualmente para facilitar a destinação adequada. Em seguida, os resíduos são encaminhados a galpões parceiros, onde passam por processos de preparação e transformação em matéria-prima para a fabricação de produtos como mangueiras, sacolas, tubos, bobinas e lonas.
Para o presidente da ACRES, Wallace Sousa, a parceria promove ainda a dignidade dos catadores, dando mais visibilidade aos profissionais e criando novas oportunidades. “Antes, éramos invisíveis, mas agora podemos mostrar a importância do que fazemos pelo planeta. Como eu sempre digo, nós, catadores, somos os verdadeiros protagonistas do meio ambiente. Hoje, a associação busca melhorias e está conseguindo vender diretamente para a indústria, reduzindo a dependência dos atravessadores e aumentando a renda”, disse.
A ação também tem contribuído para melhorar as condições de trabalho e a organização da atividade. Para a catadora Danila de Jesus, a estrutura oferecida pelo projeto faz diferença na rotina, proporcionando um espaço adequado para a separação dos materiais e mais organização no dia a dia. “O projeto ajudou a melhorar a nossa realidade. Antes, a gente catava os materiais e guardava tudo em casa. Agora, contamos com um lugar específico para trabalhar, que nos ajuda a reciclar e separar tudo direitinho”, contou.
Equipe ACRES e Coordenação de Limpeza Pública
A expectativa é de que o projeto também chegue às escolas, incentivando a separação correta dos resíduos e a conscientização sobre a importância da reciclagem desde a infância.