A produção de mel já faz parte da realidade de Esmeraldas, Juvenília e Riachinho. Para fortalecer a atividade e ampliar oportunidades de geração de renda, a Fundação Educacional Caio Martins (Fucam) - instituição vinculada à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) - firmou parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), ligado ao Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), para formalizar a apicultura nas regiões.
A iniciativa prevê atendimento a até 60 apicultores, com 20 produtores em cada cidade. A proposta é apoiar na transição da informalidade para uma organização coletiva, regularizada e com melhores condições de acesso ao mercado.
O projeto reúne diagnóstico, formalização, adequação às exigências legais, capacitação e acompanhamento técnico, com duração total de dois anos.
Da produção à organização
Na primeira etapa, os produtores serão mapeados para entender suas características e necessidades, seguido da análise de modelos de organização dos apicultores. A escolha será participativa, considerando o perfil, os objetivos e as condições de cada grupo.
O projeto avança para o apoio na elaboração de documentos, estatutos e demais procedimentos para o registro, com suporte no relacionamento com órgãos públicos.
A terceira etapa é dedicada à adequação das exigências regulatórias e sanitárias da produção e venda do mel, seguida pela construção de marca e inserção no mercado. Para a Gerente de Ações Socioprodutivas da Fucam, Patrícia Vieira, a formalização é a chave para multiplicar a renda e consolidar a autonomia das famílias no campo.
“Ao estruturar cooperativas e associações, adequar as Casas do Mel às exigências sanitárias e criar marcas próprias com identidade regional, nós garantimos segurança jurídica para o produtor e abrimos as portas para empórios, redes de supermercados, comércio eletrônico e até exportação”, comenta.
Acesso ao mercado
Além da formalização, o projeto busca agregar valor ao mel produzido nas regiões. Para isso, os grupos terão apoio para desenvolver identidade visual e ampliar a presença digital.
Para a coordenadora de Governança e Inovação Estratégica do IEL, Gabriela Fonseca, a parceria contribui para o desenvolvimento e protagonismo das comunidades.
“A iniciativa busca construir, de forma participativa, caminhos para que os grupos de apicultores envolvidos reconheçam suas potencialidades, desafios e identifiquem o modelo de organização mais adequado à sua realidade”, ressalta.
Formação e autonomia
A capacitação também é um dos pilares do projeto. Os apicultores participarão de uma trilha formativa em economia solidária, obrigações fiscais e tributárias, gestão socioambiental, administração e acesso a mercados institucionais, acompanhada de um plano de ação para o primeiro ano de cada organização.
Para o coordenador do Centro Educacional de Juvenília, Odálio Ribeiro, o projeto representa uma oportunidade de fortalecer iniciativas que já existem nos territórios.
“Com a continuidade do projeto e o apoio necessário, a apicultura poderá contribuir significativamente para a geração de renda, autonomia das famílias e desenvolvimento econômico local, fortalecendo uma atividade com grande potencial para a região”, destaca.
A experiência nas três cidades servirá como referência para a ampliação da iniciativa. A expectativa da Fucam é, a partir dos resultados alcançados, levar o projeto para outras cidades atendidas pela fundação.