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Aluna propõe transformar compostagem em atração para o turismo rural em Ribeirão Claro
Pesquisa da estudante Giovana Balsarin Pinto, da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Estadual Cívico-Militar Doutor João da Rocha Chueiri, busca a...
20/10/2026 11h36
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Conhecida pelas paisagens da Represa de Chavantes e por atrações como o Morro do Gavião e a Estância Pedra do Índio, Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, pode encontrar no aproveitamento do lixo orgânico uma nova oportunidade para o turismo. A ideia é de Giovana Balsarin Pinto, 18 anos, estudante da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Estadual Cívico-Militar Doutor João da Rocha Chueiri, que desenvolveu uma pesquisa sobre a destinação dos resíduos no município e propõe transformá-los em adubo, com a participação de turistas em propriedades rurais.

A proposta surgiu de uma preocupação com o destino do lixo produzido na cidade. Segundo informações da Prefeitura, Ribeirão Claro possui coleta seletiva, mas os resíduos orgânicos ainda não são reaproveitados e seguem para um aterro sanitário licenciado. Giovana identificou nesse cenário a possibilidade de utilizar parte desses materiais na agricultura e criar atividades que aproximem os visitantes da vida no campo.

Giovana mora desde que nasceu em um sítio da família. A experiência inspirou a pesquisa, apresentada na Feira Científica do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), promovida pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), em setembro, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado.

“Muitas pessoas vêm de fora e não têm contato com o campo. Elas poderiam conhecer e vivenciar o processo produtivo e o manejo da compostagem, compreendendo a importância da economia circular para a produção e incentivando o consumo consciente”, explica Giovana.

COMPOSTAGEM E TURISMO RURAL- O projeto prevê que supermercados, restaurantes e estabelecimentos turísticos separem resíduos orgânicos, como cascas de frutas e restos de legumes, para encaminhamento a pontos de coleta. Os turistas poderiam retirar pequenas quantidades desses materiais e levá-los a propriedades rurais participantes, onde conheceriam o processo de compostagem e a utilização do adubo nas plantações.

A ideia é estimular o aproveitamento dos resíduos enquanto os produtores ampliam as possibilidades de visitação e valorizam sua produção.

DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS- Para desenvolver o trabalho, Giovana reuniu informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). A pesquisa buscou compreender a destinação dos resíduos orgânicos e avaliar seu potencial de aproveitamento na agricultura.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, Ribeirão Claro tinha 12.364 habitantes, dos quais 72,1% viviam na área urbana e 27,9% na zona rural. O município também integra a região turística de Angra Doce, marcada pela presença da Represa de Chavantes.

Atualmente, o projeto está em fase de diagnóstico. Uma próxima etapa dependeria da confirmação dos volumes de resíduos disponíveis, da adesão de propriedades rurais e da organização da coleta. Giovana também considera integrar à proposta um aplicativo de ecopontos com protótipo desenvolvido em trabalho anterior, que poderia incentivar a participação da população.

INCENTIVO À PESQUISA- O estudo foi desenvolvido durante o atendimento educacional para estudantes com altas habilidades/superdotação, sob orientação da professora Karen Pires Diniz. Segundo a docente, as pesquisas partem dos interesses dos próprios alunos, que recebem apoio para transformar suas ideias em projetos científicos.

“Buscamos incentivar os alunos a pesquisar assuntos que façam parte da realidade deles. A Giovana trouxe uma preocupação com a cidade onde vive e conseguiu relacioná-la à experiência que tem no campo. Durante o desenvolvimento do projeto, também percebemos avanços na criatividade e na capacidade de apresentar suas ideias”, afirma Karen.

Iniciada no primeiro semestre, a pesquisa também foi apresentada em uma feira científica do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Jacarezinho (Norte Pioneiro), onde Giovana recebeu uma premiação. Depois, a estudante deu continuidade ao trabalho para participar da FENAAH/S.