
História de paciente que sofreu dois AVCs reforça a importância do reconhecimento dos sintomas, da prevenção e do acesso rápido ao tratamento especializado
Pela segunda vez, Francisco José Bezerra da Silva, de 52 anos, morador de Cascavel, precisou de atendimento no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Hipertenso e diabético, ele enfrentou o primeiro episódio em 2022 e, agora, voltou a ser internado na unidade após apresentar dormência no braço e na perna, além de alterações na consciência.
“Eu cheguei muito abatido, com a perna e o braço dormentes e sem muita consciência das coisas”, relembra. Três dias após a internação, Francisco já percebia uma melhora em seu estado de saúde. “Desde que cheguei, fui muito bem atendido. Com a medicação, graças a Deus, estou bem melhor”, relata.
Veja o relato de Francisco:
Durante o mês de outubro, marcado pela mobilização em torno da prevenção ao AVC e pelo Dia Mundial da doença, celebrado em 29 de outubro, o HGF, referência no atendimento da doença, reforça a importância da prevenção e dos cuidados diante dos primeiros sinais.
Ele acontece quando o fornecimento de sangue para uma região do cérebro é comprometido, seja pela obstrução de um vaso sanguíneo, no caso do AVC isquêmico, ou pelo rompimento de um vaso, que provoca o AVC hemorrágico.
Segundo o neurologista e chefe do serviço da Unidade de Acidente Vascular Cerebral (AVC) do HGF, Fabrício Oliveira, a maioria dos casos apresenta manifestações que podem ser reconhecidas por pessoas sem formação na área da saúde. Para facilitar essa identificação, ele orienta que a população memorize a sigla SAMU, associada a sinais que ajudam a identificar uma possível ocorrência da doença.
A sigla SAMU (Sorriso, Abraço, Mensagem e Urgência) é utilizada para memorizar os principais sintomas do AVC e lembrar a conduta correta de socorro
Embora o AVC esteja entre as principais causas de morte no mundo, uma parcela dos casos está relacionada a fatores de risco que podem ser prevenidos e/ou controlados por meio de acompanhamento médico e mudanças de hábitos, como explica o neurologista do HGF.
Esse cuidado também precisa considerar as pessoas que já tiveram um AVC, como Francisco. Após a alta hospitalar, a continuidade do acompanhamento é fundamental para avaliar as condições de saúde e reduzir as chances de recorrência. Veja:
Quando uma pessoa apresenta sintomas de AVC, a rapidez do atendimento pode influenciar diretamente sua evolução clínica. Isso acontece porque, nos casos de AVC isquêmico, a interrupção do fluxo sanguíneo impede que determinada região do cérebro receba oxigênio e nutrientes adequadamente, provocando lesões que podem se agravar com o passar do tempo.
Nesse contexto, existe a chamada janela terapêutica, período em que determinados tratamentos podem ser realizados para tentar restabelecer a circulação sanguínea e reduzir os danos cerebrais. Para a trombólise intravenosa [aplicação de um medicamento na veia para dissolver coágulos de sangue que obstruem artérias], esse intervalo é, em geral, de até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Já a trombectomia mecânica [procedimento cirúrgico minimamente invasivo para desobstruir uma artéria de grande calibre no cérebro] pode ser indicada em até 24 horas, em casos selecionados, conforme avaliação especializada e exames de imagem.
Embora o AVC inspire bastante cuidado, os avanços na medicina permitem que a recuperação de quem sofreu um caso da doença consiga ter consequências menos graves, ou, até mesmo, nenhuma. “Hoje em dia, nós temos disponíveis diversos tratamentos que ajudam na prevenção de sequelas mais graves. Eles vão desde medicação até procedimentos endovasculares, no sentido de abrir o vaso e retirar o coágulo, diminuindo, então, o dano que o AVC causa no nosso cérebro”, explica o médico.
O cuidado com o paciente com AVC continua após o atendimento de urgência. Dependendo da região cerebral atingida e da gravidade da lesão, a pessoa pode apresentar dificuldades para movimentar partes do corpo, falar, engolir, caminhar ou realizar atividades cotidianas.
Nesses casos, o início da reabilitação, assim que as condições clínicas permitem, contribui para a recuperação das funções comprometidas e para a prevenção de complicações.
Referência nacional na assistência a pacientes com AVC, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) integra a rede de atenção à doença no Ceará, que conta com uma política de atendimento estruturada desde 2008.
Durante o mês de outubro, marcado pela mobilização em torno da prevenção ao acidente vascular cerebral (AVC) e pelo Dia Mundial da doença, celebrado em 29 de outubro, o HGF reforça a importância da prevenção e dos cuidados diante dos primeiros sinais.
O HGF registrou, em 2025, 1.436 internações em suas unidades de AVC, sendo 879 isquêmicos e 557 hemorrágicos. Até agosto de 2026, o total é de 979 internações, sendo 618 por AVC isquêmico e 361 por hemorrágico.
Diante de qualquer suspeita de AVC, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192). Mesmo quando os sintomas desaparecem espontaneamente, é necessária avaliação médica urgente.
Reconhecer os sinais e buscar assistência rapidamente pode fazer diferença nas possibilidades de tratamento e recuperação.
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