
Reconhecer a própria história nos livros utilizados na escola é parte do processo de aprendizagem e da construção da identidade das crianças. Para os povos indígenas, essa representatividade também significa ter suas culturas, memórias e conhecimentos contemplados nos materiais pedagógicos.
Foi com essa perspectiva que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) lançou o Material Literário Indígena do Pará, desenvolvido no âmbito do programa Alfabetiza Pará, em parceria com a organização Bem Comum. A publicação foi elaborada para apoiar a alfabetização de crianças indígenas do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental e será distribuída às redes estadual e municipal de ensino.
A produção atende a uma reivindicação das comunidades por livros nos quais as crianças possam reconhecer suas próprias histórias e referências culturais. A intenção é aproximar a leitura e a escrita das vivências dos estudantes, valorizando suas identidades desde os primeiros anos escolares.
“Esse livro surgiu a partir de uma reivindicação dos povos indígenas, porque sabemos que muitos livros utilizados nos anos iniciais, principalmente os de histórias, apresentam narrativas de outros grupos, como Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos. As crianças indígenas não conseguem se ver nessas histórias. Então, surgiu o desejo de ter um livro no qual elas pudessem se reconhecer”, explica a professora Vera Arapiun, coordenadora de Educação Escolar Indígena (CEEIND) da Seduc.
Construção coletiva e valorização cultural
A elaboração do material começou em 2023, com discussões sobre a criação de um conteúdo literário voltado às crianças indígenas. Em 2024, o projeto avançou com a definição do produto, a curadoria de textos do repositório da Universidade do Estado do Pará (Uepa), a contratação de duas consultoras, a formação do grupo de trabalho e a seleção das narrativas destinadas aos estudantes do 1º e 2º ano.
O trabalho reuniu profissionais da Coordenadoria de Educação Escolar Indígena e da Diretoria de Educação Infantil e Ensino Fundamental (DIEF) da Seduc, além das curadoras Joelma Alencar e Laíse Diniz, da Uepa. A produção também contou com a colaboração de ilustradores e professores indígenas, entre eles Adriano Borari, André Arapiun, Marcelo Borari, Marcela Poenna, Pâmela Corrêa, Takwyiti Hompryiti, Lourdes de Vasconcelos, Giandra Kaba Munduruku e Marcilene Tembé.
A participação desses colaboradores contribuiu para a construção de um material que considera diferentes experiências e referências culturais, valorizando a presença dessas narrativas no cotidiano escolar.
Para Vera Arapiun, a publicação possibilita ampliar o acesso das crianças a histórias relacionadas às culturas de seus povos. “Para nós, é uma alegria muito grande, porque vamos apresentar relatos reais dos povos indígenas. Esse material vai alcançar os alunos dos anos iniciais, do primeiro e do segundo ano, tanto da rede estadual quanto da rede municipal de todo o Estado do Pará”, afirma.
Leitura e aprendizagem
O material integra as ações do Alfabetiza Pará e oferece aos professores novas possibilidades de trabalho com leitura e escrita. A presença de narrativas relacionadas às experiências culturais das crianças pode aproximar os conteúdos escolares de suas vivências e contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem.
A coordenadora do Alfabetiza Pará, Carla Reis, ressalta que os materiais utilizados no processo de alfabetização devem dialogar com as experiências dos estudantes. “Na alfabetização, é fundamental que as crianças tenham acesso a textos que despertem o interesse pela leitura e dialoguem com suas experiências", afirma.
"Quando encontram suas histórias e culturas representadas nos livros, esse reconhecimento também passa a fazer parte da aprendizagem. O material amplia as possibilidades de trabalho dos professores e contribui para uma alfabetização que considere a diversidade cultural dos alunos”, destaca.
Além de apoiar a alfabetização nas comunidades indígenas, a distribuição às redes estadual e municipal permitirá que outros estudantes tenham contato com essas narrativas, ampliando o conhecimento sobre a diversidade cultural do Pará.
Distribuição às redes de ensino
Após o lançamento, o material vai passar pela etapa de impressão e, posteriormente, será distribuído às redes estadual e municipal de ensino. Os exemplares poderão ser utilizados pelos professores nas atividades pedagógicas dos anos iniciais.
Com a publicação, a Seduc busca fortalecer a alfabetização por meio de conteúdos que valorizem as referências culturais das crianças e reconheçam a diversidade dos povos originários.
Texto de Amanda Castro / Ascom Seduc
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