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‘Maranhão no Campo’ destaca os 14 anos do Fundo Babaçu e o apoio a comunidades tradicionais
Secretaria executiva do Fundo Babaçu falou sobre os resultados alcançados, os desafios e as perspectivas para o futuro da iniciativa
17/10/2026 12h40
Por: Redação Fonte: ALEMA

Agência Assembleia

O programa Maranhão no Campo deste sábado (17) destacou a trajetória do Fundo Babaçu, iniciativa que completa 14 anos com mais de R$ 10 milhões movimentados e cerca de 120 projetos apoiados em comunidades tradicionais do Maranhão e de outros estados. Criado a partir da mobilização das próprias quebradeiras de coco babaçu, o fundo fortalece a autonomia das mulheres, incentiva a geração de renda e contribui para a preservação dos territórios.

Para falar sobre os resultados alcançados, os desafios e as perspectivas para o futuro da iniciativa, o programa recebeu Nilce Cardoso, secretária executiva do Fundo Babaçu.

Durante a entrevista, Nilce explicou que a iniciativa surgiu a partir de experiências de financiamento solidário entre as quebradeiras de coco. Inicialmente, os recursos eram emprestados em pequenos valores para apoiar atividades produtivas, como o beneficiamento do babaçu. Com o retorno dos valores, outras mulheres e organizações também puderam ser contempladas, dando origem a uma estrutura comunitária mais ampla.

Atualmente, o fundo apoia projetos desenvolvidos por organizações e grupos comunitários em diferentes áreas, incluindo produção, acesso aos territórios, fortalecimento institucional e organização da juventude. Os recursos são captados junto a apoiadores e outras instituições, permitindo que as próprias comunidades apresentem propostas, executem as iniciativas e prestem contas dos resultados.

Segundo Nilce Cardoso, o objetivo é democratizar o acesso aos recursos e fortalecer a autonomia das comunidades tradicionais. “É exatamente para democratizar o acesso ao crédito, democratizar os recursos na perspectiva da autonomia desses movimentos, na autonomia desses territórios e dessas populações”, destacou.

Outro ponto abordado foi o protagonismo feminino. As quebradeiras de coco babaçu desempenham um papel fundamental na gestão das famílias, na organização comunitária e na articulação de ações para o desenvolvimento sustentável. A autonomia financeira, nesse contexto, contribui para melhorar as condições de vida das mulheres e de suas famílias.

A entrevista também chamou atenção para as ameaças enfrentadas pelos territórios tradicionais, como a grilagem, o envenenamento e a destruição dos babaçuais, além das dificuldades de acesso às áreas de coleta. Nilce ressaltou a importância da preservação das palmeiras, que possuem grande valor ambiental, cultural e econômico para as comunidades.

Do babaçu, praticamente tudo pode ser aproveitado. A palha é utilizada na produção de artesanato e na construção de estruturas comunitárias; a casca pode ser transformada em carvão; o mesocarpo é empregado na produção de alimentos; e a amêndoa é matéria-prima para a extração de óleo e a fabricação de outros produtos. Apesar desse potencial, a secretária destacou a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa, tecnologia e políticas públicas voltadas à proteção dos babaçuais.

A sucessão geracional também esteve entre os temas discutidos. O Fundo Babaçu apoia projetos voltados à juventude, incentivando a formação, a comunicação comunitária e a criação de oportunidades de trabalho e renda. A proposta é garantir que os jovens possam permanecer em seus territórios com qualidade de vida, contribuindo para a continuidade das tradições e para o desenvolvimento sustentável das comunidades.