
O acompanhamento multiprofissional é parte da rotina de 161 crianças com paralisia cerebral (PC) atendidas pelo Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), em Teresina. De janeiro a setembro deste ano, foram realizados 5.824 atendimentos a esse público pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo diferentes áreas da reabilitação de acordo com as necessidades de cada criança.
A paralisia cerebral pode afetar movimentos, postura, comunicação, visão e audição e está relacionada a lesões no cérebro ocorridas durante a gestação, o parto ou o período neonatal. Embora a lesão seja permanente e não progressiva, o acompanhamento especializado e a reabilitação iniciados nos primeiros meses de vida podem contribuir para o desenvolvimento da funcionalidade e da autonomia. No Ceir, o cuidado é realizado por uma equipe multiprofissional, com participação da família ao longo do processo.

O diretor técnico do Ceir, Lucas Alves, reforça que o diagnóstico de paralisia cerebral é apenas um ponto de partida. Por isso, a reabilitação significa entender cada criança de forma única, caminhar ao lado dela e da família para que seu potencial seja desenvolvido da melhor maneira possível.
“O cuidado da criança com paralisia cerebral começa com uma avaliação individualizada e multiprofissional. Observamos como aquela criança se movimenta, se comunica, brinca, participa das atividades do dia a dia, suas necessidades e potencialidades. Trabalhamos também a prevenção de deformidades, indicação e acompanhamento do uso de órteses e tecnologias que ajudem essa criança a se desenvolver e, assim, cumprir melhor seus marcos de desenvolvimento”, destacou.

Durante a gestação, Anne Caroline teve Covid-19, e os exames apontaram sofrimento fetal e restrição do crescimento do bebê. Seu filho, Heitor, nasceu prematuro e ficou 49 dias na UTI neonatal. Hoje, aos 4 anos, faz terapias no Ceir e coleciona avanços importantes.
“Quando entrei no Ceir, foi uma porta que se abriu. Ele tem conseguido uma evolução perceptível e satisfatória. Antes, o Heitor não conseguia descer da cama. Hoje ele já consegue, do jeitinho dele. Hoje ele já consegue engatinhar pela casa totalmente equilibrado. Também já fala ‘mamãe’, consegue gesticular bastante e está começando a pegar a colher e levar a comida até a boca”, comemorou Anne.

O cuidado de uma criança com PC envolve fisiatra, ortopedista, neurologista, pediatra, oftalmologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico e nutricionista. Quanto mais cedo o acompanhamento começa, melhores os resultados.
A técnica em radiologia Helena Nascimento é mãe de José, de 1 ano e 4 meses. Ele passou quatro meses na UTI após diferentes intercorrências e recebeu o diagnóstico de PC no Ceir, onde iniciou o acompanhamento ainda pequeno. Helena procurou Ceir por indicação e pela referência do serviço. Desde então, José é atendido por vários profissionais, e cada novidade virou parte da rotina da família.

“Não é só a fisioterapia. Aqui temos outros profissionais. A fonoaudiologia tem sido excelente e ele evoluiu bastante na questão da disfagia. É importante ter vários profissionais trabalhando juntos. Isso estimula ainda mais o crescimento dele. Todo dia é uma descoberta. Por tudo o que passou, a gente achava que algumas coisas seriam mais difíceis, mas, a cada dia, ele faz algo novo. É muito gratificante acompanhar esse desenvolvimento”, celebrou.
Para o diretor técnico do Ceir, a participação da família é essencial. “Os primeiros anos de vida são um período de intenso desenvolvimento cerebral. Quanto mais cedo identificamos as necessidades da criança e orientamos a família, maior a oportunidade de promover funcionalidade e autonomia. Por isso, nós envolvemos os responsáveis na reabilitação e nos cuidados do dia a dia, conectando o processo à vida real da criança”, acrescentou.

Campanha mundial
Criado em 2012 e presente em mais de 100 países, o Dia Mundial da Paralisia Cerebral é celebrado no dia 6 de outubro e é organizado pela World Cerebral Palsy Initiative. A campanha deste ano, #UniqueAndUnited (Únicos e Unidos), defende que pessoas com PC tenham os mesmos direitos, acesso e oportunidades que todas as outras. O objetivo é gerar conscientização sem estereótipos, olhar para as capacidades e valorizar as diferentes histórias.
“Quando a gente recebe o diagnóstico de paralisia cerebral, isso pode impactar muito a família, principalmente na busca pela qualidade de vida da criança. O que eu digo é para não desistir e continuar firme na reabilitação. É preciso correr atrás das terapias e levar o tratamento a sério, porque isso ajuda na evolução e na independência da criança”, disse Anne.
“Para outras mães, eu digo: não desistam dos seus filhos. O diagnóstico não é o fim. Cada criança é um caso e sempre existe uma alternativa. É preciso buscar qualidade de vida e oferecer os estímulos necessários, porque a criança pode continuar evoluindo”, pontuou Helena.
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