Cidades Belém
Prefeitura reforça resgate e cuidado com garças em Batista Campos
Viatura da Semma agiliza atendimento de aves feridas ou encontradas mortas; em um mês, 12 garças foram recolhidas e encaminhadas para os procedimen...
17/09/2026 11h59
Por: Redação Fonte: Agência Belém

A presença das garças na praça Batista Campos, no bairro de mesmo nome, passou a exigir uma atuação permanente da Prefeitura de Belém. Além das ações para reduzir a concentração das aves no espaço, o Município também criou uma estrutura específica para atender os animais que se machucam ou são encontrados mortos. A iniciativa uneresgate, atendimento veterinário, reabilitação e destinação adequada das aves, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e sanitários provocados pela superpopulação.

A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e conta com uma viatura, um biólogo e uma veterinária preparadas para realizar o recolhimento das garças na praça.Em um mês de funcionamento, entre14 de julho e 18 de agosto de 2026, 12 aves foram recolhidase examinadas.Sete foram encaminhadas ainda vivaspara avaliação veterinária, dessas sete,cinco morreram e as outras duas passaram por reabilitação, uma foi devolvida à natureza e uma permanece em recuperaçãono Bosque Rodrigues Alves.

Crédito: Paula Lourinho

A medida faz parte da força-tarefa iniciada pela Prefeitura em julho para enfrentar a concentração excessiva de garças em Batista Campos. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) iniciou a lavagem diária da praça , enquanto a Semma passou a desenvolver ações ambientais para estimular a migração das aves para outros espaços urbanos.

Crédito: Agência Belém

Equipe é acionada pelos agentes que atuam na praça

Em Batista Campos, os agentes de praça fazem o monitoramento diário do espaço. Ao identificarem uma garça ferida, debilitada ou morta, eles entram em contato diretamente com a equipe da Semma responsável pelo atendimento.

A viatura funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira, com bióloga e veterinária. Em situações que exigem atendimento durante o fim de semana ou quando a equipe municipal não consegue realizar o recolhimento, oBatalhão de Polícia Ambiental (BPA) pode ser acionado pelo 190.

A diretora do Departamento de Gestão de Áreas Especiais da Semma, Ellen Eguchi, explica que a estrutura foi criada a partir das demandas observadas na própria praça.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho

Ellen destaca que o trabalho não se limita à retirada dos animais.A Prefeitura também acompanha as condições ambientais da praçae atua para reduzir os fatores que favorecem a permanência de uma quantidade elevada de garças no local.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho

O plano emergencial tem previsão de continuidade porpelo menos um ano e meio, acompanhando a evolução das ações de manejo ambiental na praça.

Atendimento segue protocolo inédito para reduzir riscos às aves

Quando uma garça é encontrada machucada, o trabalho começa ainda no momento do resgate. A equipe precisa ter cuidado com a contenção, o transporte e o manejo porque o estresse provocado nesses procedimentos pode causar uma condição conhecida como miopatia de captura, uma síndrome grave que pode levar animais silvestres à morte.

Crédito: Paula Lourinho

Dentro do plano de manejo emergencial, a equipe de fauna da Semma identificou a necessidade de desenvolver um tratamento específico para a miopatia de captura em garças. Segundo Ellen Eguchi,o protocolo elaborado para essas aves é inédito e não há, até o momento, publicação científica sobre esse tipo de tratamento aplicado especificamente às garças.

O procedimento inclui desde o tratamento de suporte para a correção da acidose metabólica, alteração que pode ocorrer em situações de estresse físico intenso, até os cuidados posteriores relacionados aos traumas provocados durante quedas, brigas ou outras ocorrências.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho

Ao chegarem ao Bosque Rodrigues Alves, as aves passam por avaliação física individual e, de acordo com a condição apresentada, recebem estabilização, medicamentos e exames complementares. O protocolo é aplicado desde a contenção, transporte e chegada ao local de reabilitação, sendo ajustado conforme a resposta de cada animal.

Entre os problemas encontrados nos animais atendidos estãofraqueza muscular, perda de coordenação motora, dificuldade ou incapacidade de voo, baixo escore corporal, lesões traumáticas, fraturas e alterações na cavidade oral, além da presença de ectoparasitas.

Foto: Reprodução/Agência Belém

A intenção é que a experiência acumulada durante os atendimentos seja sistematizada pela equipe de fauna e transformada em uma publicação científica, contribuindo para o conhecimento sobre o manejo de garças submetidas a situações de estresse, trauma e contenção.

As aves que chegam mortas são acondicionadas e destinadas à Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), onde passam por procedimentos de investigação, incluindo necropsia. Entre os exemplares analisados estão garças das espéciesArdea alba, conhecida como garça-branca ou garça-real, eEgretta thula, a garça-branca-pequena.

Garças são acompanhadas durante a recuperação

O biólogo Eduardo Lobão integra a equipe responsável pelo resgate e explica que o trabalho começa a partir do acionamento feito pelos profissionais autorizados.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho

Segundo Eduardo,nem todos os óbitos registrados estão relacionados a doenças.Alguns animais chegaram ao atendimento depois dequedas, traumatismos ou disputas entre as próprias aves, especialmente entre filhotes.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho

Uma das garças que conseguiu se recuperar já foi devolvida à natureza em setembro. O momento marcou uma das etapas mais importantes do trabalho desenvolvido pela Prefeitura: depois de receber tratamento e permanecer em condições adequadas para sobreviver fora do ambiente de recuperação, a ave voltou ao seu habitat.

Outra garça permanece no Bosque Rodrigues Alves, onde recebe acompanhamento da equipe até apresentar condições para uma possível soltura.

Crédito: Paula Lourinho

População deve acionar o 190 e não tocar nas aves

Apesar de a Semma manter uma viatura específica para o atendimento na Batista Campos, o acionamento direto do veículonão está disponível para o público em geral. A solicitação deve ser feita por pessoas autorizadas pela Semma, como os agentes que atuam na praça.

Caso qualquer pessoa encontre uma garça ferida, debilitada ou morta,a orientação é não tocar, não tentar capturar e não transportar o animal. A comunicação deve ser feita pelo190, número do Centro Integrado de Operações (Ciop), que encaminha a ocorrência para a equipe ou batalhão responsável pela área.

Foto: Reprodução/Agência Belém

Manejo ambiental busca reduzir concentração de aves

O resgate é apenas uma das frentes do plano desenvolvido para a Batista Campos. Desde o início da operação, a Prefeitura mantém a limpeza diária da praça , com lavagem das áreas que apresentam maior concentração de dejetos e sujidades.

A Semma também realiza ações de educação ambiental para orientar frequentadores e comerciantes, principalmente sobre a importância de não oferecer alimentos às garças e aos peixes dos lagos.

Crédito: Paula Lourinho

A grande quantidade de alimento disponível, especialmente a presença de tilápias nos lagos, somada às árvores que servem de abrigo, contribuiu para a permanência das aves no local. A Prefeitura, em parceria com órgãos ambientais, também trabalha em etapas de manejo dos peixes para reduzir os fatores que favorecem a concentração das garças.

A estratégia segue a proposta apresentada pela Prefeitura desde o início da força-tarefa:melhorar as condições de convivência entre a população e a fauna, sem abandonar o cuidado com os animais.

A atuação também considera a possibilidade de as garças migrarem para outros espaços da cidade. Por isso, a Semma mantém o monitoramento e prevê que o serviço de resgate possa acompanhar eventuais mudanças na presença das aves em Belém.

Crédito: Paula Lourinho