O diálogo entre o poder público e as universidades é uma ferramenta importante para lidar com as transformações que o mundo e a sociedade vivenciam. No panorama da preservação ambiental e do enfrentamento às mudanças climáticas, essa aproximação se mostra ainda mais relevante na elaboração, implementação e acompanhamento das políticas públicas.
É nesse contexto que a Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), participa do II Simpósio de Ciências Florestais (II SICFLOR), organizado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). O evento tem como tema central “Pesquisa Florestal e Inovação Tecnológica: Caminhos para a Sustentabilidade”, e reúne pesquisadores, estudantes, profissionais e poder público para discutir avanços científicos e tecnológicos, assim como a exploração de oportunidades empreendedoras no setor florestal.
A Semma esteve representada pelo secretário de Meio Ambiente, Diêgo Gomes, que prestigiou a abertura do evento. A pasta levou 150 mudas do Herbário Municipal Sertão da Ressaca para distribuição entre os participantes. Entre as espécies, estão Pau-ferro, Pitanga, Arqueiro, Pimenta-Rosa, Cássia-Rosa, Ipê-Amarelo, Orelha-de-Macaco, entre outras.
Para o secretário Diêgo, a aproximação entre o Governo Municipal e as universidades amplia o escopo de atuação da Semma, beneficiando toda a população. “É fundamental essa parceria que a gente começa a construir e fortalecer entre a Prefeitura, a Uesb e o curso de Engenharia Florestal. Não é só a doação das 150 mudas, é o início de um diálogo para a possibilidade de deixar nossos equipamentos do município à disposição da universidade, para pesquisa, para extensão e para o estágio dos seus estudantes. Contribui de maneira profissional para o aluno, mas também para a comunidade como um todo”, afirma.
Diêgo
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Uesb e organizadora do SICFLOR, Patrícia Barreto-Garcia explica a importância do evento para a discussão de temas que já impactam o dia a dia da população. “A nossa ideia é gerar essa aproximação entre universidade e sociedade. No evento, temos palestras em três painéis: um voltado à silvicultura, outro voltado ao manejo florestal, e outro voltado à sustentabilidade. Além disso, temos um painel simultâneo sobre mudanças climáticas com o uso de um equipamento de realidade virtual”, conta.
Patrícia
A estudante do 10º semestre do curso de Engenharia Florestal, Geovana Lopes, teve uma experiência de estágio na Semma que considera fundamental para sua formação e atuação profissional. “Na Semma, quando a gente foi fazer o inventário florestal, observamos que em alguns bairros as pessoas não tinham essa consciência da importância da arborização. Muitas vezes as pessoas até pediam para tirar a árvore do passeio por causa da sujeira, e aqui a gente traz a importância da arborização tanto para o sombreamento quanto para a moradia de animais, para refrescar até o microclima do local. Com o estágio, a gente bota em prática o que está estudando na universidade e também aprende como passar isso para o público”, relata.
Geovana
Apresentação de iniciativas inovadoras
Além da distribuição das mudas, a Semma também participa do evento com a apresentação de trabalhos científicos. Engenheiro agrônomo e coordenador do Herbário Municipal, Lázaro Ribeiro fará uma explanação a partir do artigo científico “Biossólido na composição de substrato para produção de mudas de Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.”, que aborda a utilização do lodo de esgoto tratado (biossólido) na produção de mudas.
“É uma parceria desde 2023 com a Uesb, com o Laboratório de Silvicultura, com apoio também da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, e tem a participação da Embasa, que cedeu o lodo de esgoto. O experimento trata da utilização do lodo de esgoto que, após tratado e estabilizado, é chamado de biossólido. Nós pegamos esse material e utilizamos na produção de mudas para ver a viabilidade e a proporção mais adequada. Tivemos um resultado bem interessante, mostrando que é um material realmente benéfico para as mudas. Nós utilizamos a tamboril-bravo e podemos expandir para a produção de várias espécies”, explica Lázaro.
O SICFLOR segue até quinta-feira (17), com palestras, minicursos, apresentações de trabalhos científicos e outras atividades.