
Depois de um período de forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, o segundo semestre de 2026 trouxe novos desafios para o setor. Restrições econômicas e sanitárias em importantes mercados compradores passaram a afetar a indústria e exigiram adaptações de produtores e frigoríficos. O cenário e as perspectivas para a atividade são tema de uma nova edição do Semeando Informação, programa da TV Assembleia dedicado ao agronegócio.
O entrevistado é Gustavo Fanaia, diretor técnico do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne-PR). Durante o programa, ele analisa a importância da produção paranaense, o comportamento dos preços e os efeitos das medidas recentemente adotadas pela China e pela União Europeia.
Em 2025, as exportações brasileiras de proteína animal movimentaram cerca de US$ 10 bilhões. No Paraná, o segmento também mantém trajetória de crescimento. O Estado é líder nacional na produção de frango e ocupa a segunda posição na suinocultura. Já na pecuária bovina, aparece em nono lugar no ranking nacional.
Segundo Fanaia, a posição paranaense na bovinocultura está relacionada, entre outros fatores, à própria transformação do campo. Devido à aptidão agrícola do Paraná, parte das áreas de pastagem foi substituída por lavouras de grãos, enquanto estados territorialmente maiores, como o Mato Grosso, ampliaram sua participação na pecuária.
Ainda assim, a bovinocultura reúne mais de 10 mil produtores no Paraná e permanece relevante para a economia estadual. No primeiro trimestre, as exportações paranaenses do segmento movimentaram aproximadamente US$ 48 milhões.
China e União Europeia
Um dos principais pontos de atenção para a cadeia é a China. O país é um dos maiores destinos da carne bovina brasileira e, embora seja o terceiro maior produtor mundial, sua produção atende a apenas cerca de 70% do consumo interno. O Brasil, por sua vez, consolidou-se como seu principal fornecedor externo de carne bovina.
O cenário começou a mudar com a limitação das importações chinesas. De acordo com Fanaia, as autoridades do país projetaram uma redução de 5% a 7% no consumo e adotaram medidas para evitar que um excesso de oferta derrubasse os preços e prejudicasse os produtores locais. Como maior fornecedor, o Brasil acabou sendo um dos países mais afetados.
Os reflexos já são percebidos na cadeia produtiva, que registra recuo de preços desde setembro de 2025. A expectativa, porém, é de mudança a partir de janeiro, com uma nova abertura da cota chinesa. Enquanto isso, grandes plantas frigoríficas têm recorrido a estratégias como férias coletivas para ajustar a produção à redução temporária da demanda externa.
Outro desafio veio da União Europeia, com restrições relacionadas ao uso de um antimicrobiano. A medida é classificada por especialistas do setor como uma barreira técnica ao comércio. Para atender às novas exigências, o Brasil alterou regras e estabeleceu controles específicos para os animais destinados ao mercado europeu, mas ainda há todo um protocolo a ser seguido até a retomada total das exportações.
Semeando Informação
O Semeando Informação é o programa de agronegócio da TV Assembleia do Paraná. A atração vai ao ar semanalmente e promove debates sobre os desafios do campo, economia, cooperativismo, sustentabilidade, inovação e temas que impactam diretamente o desenvolvimento do setor rural paranaense.
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