A penalidade, imposta por um juiz estadual, soma-se à multa de US$ 375 milhões determinada por um júri, que concluiu que a Meta enganou os usuários sobre a segurança de suas plataformas.
Uma juíza do estado do Novo México, nos EUA, determinou que a Meta pague US$ 567 milhões (cerca de R$ 2,905 bilhões) e faça mudanças na forma como jovens podem usar suas plataformas. Trata-se da maior penalidade financeira já imposta à gigante de tecnologia em suas disputas judiciais relacionadas aos danos e à dependência causados pelas redes sociais.
A decisão, publicada na noite de quinta-feira (6), soma-se aos US$ 375 milhões (cerca de R$ 1,921 bilhão) que a Meta já havia sido condenada a pagar no mesmo processo, em março, quando um júri concluiu que a empresa enganou usuários sobre a segurança de suas plataformas e facilitou a exploração sexual de jovens.
Os US$ 567 milhões serão destinados a um fundo para reparar os danos causados pela empresa, incluindo recursos para o tratamento de jovens prejudicados pelo uso das redes sociais.
“Embora a Meta não seja a única responsável nesse contexto, suas plataformas de redes sociais são um fator significativo que contribui para a atual crise de saúde mental entre os jovens do Novo México, conforme demonstrado pelas evidências substanciais apresentadas neste caso”, escreveu o juiz Bryan Biedscheid, da Corte Distrital Estadual de Santa Fe, na decisão.
Andy Stone, porta-voz da Meta, afirmou em comunicado que a empresa discorda da decisão e pretende recorrer.
“Trabalhamos intensamente para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e temos sido transparentes sobre os desafios de identificar e remover agentes mal-intencionados e conteúdos prejudiciais”, disse. “Continuamos confiantes em nosso histórico de proteção aos adolescentes no ambiente online e seguiremos nos defendendo de alegações que distorcem os fatos.”
Como parte das mudanças determinadas pelo juiz, a Meta está proibida de enviar notificações por push para contas de menores de idade no Instagram e no Facebook no estado do Novo México entre 22h e 7h. A empresa também deverá limitar o tempo de uso desses usuários em suas plataformas a, no máximo, 90 horas por mês.
A Meta enfrenta milhares de ações judiciais em todo os Estados Unidos movidas por adolescentes, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais. Os autores alegam que suas plataformas — e recursos como a rolagem infinita de conteúdo — provocaram danos em larga escala.
O Novo México foi o primeiro entre dezenas de estados a levar a empresa aos tribunais. Ainda neste mês, a Meta enfrentará um julgamento em Oakland, na Califórnia, em um processo movido pelos procuradores-gerais da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey.
“Durante anos, a Meta soube que suas plataformas estavam prejudicando as crianças do Novo México, tanto ao alimentar a crise de saúde mental entre os jovens quanto ao conectar predadores a crianças, e ainda assim escolheu priorizar engajamento e lucro em vez da segurança”, afirmou o procurador-geral do estado, Raúl Torrez. “Hoje, a Meta está pagando por essa escolha.”
Este artigo foi publicado originalmente pelo The New York Times.