Governo Trump estuda decreto sobre autismo e vacinas, diz fonte.
(Reuters) – O governo Trump está considerando um decreto sobre vacinas e autismo que poderia ser editado já na próxima semana, afirmou nesta quinta-feira (6) uma pessoa a par das discussões.
A iniciativa é motivada pelo interesse do presidente Donald Trump em tomar novas medidas em relação ao autismo, segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato para revelar discussões privadas. A fonte não forneceu detalhes sobre o escopo da decreto, que havia sido noticiado anteriormente pela Bloomberg News.
O governo Trump, sob a liderança do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., tem promovido novos estudos sobre vacinas e autismo, apesar de pesquisas envolvendo milhões de pessoas nas últimas duas décadas terem concluído que não há uma relação comprovada entre os dois.
“O presidente Trump foi claro: a América deve ter o melhor calendário de vacinação infantil do mundo”, afirmou o porta-voz da Casa Branca Kush Desai, em comunicado. “A Administração permanece firmemente comprometida em concretizar essa prioridade presidencial, com base em ciência de padrão ouro, em prol dos inúmeros pais cujas dúvidas e preocupações sobre a vacinação foram ignoradas ou ridicularizadas.”
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
A pressão de Trump por um decreto presidencial ocorre mesmo enquanto seus próprios assessores políticos instavam Kennedy a se manter afastado de questões relacionadas a vacinas até depois das eleições de meio de mandato de novembro, por temerem que isso pudesse prejudicar os republicanos. Mas Trump continuou a pressionar Kennedy em particular, perguntando-lhe quais novos esforços estão em andamento em relação às vacinas e se o secretário de Saúde acredita que, no fim das contas, conseguirá comprovar uma ligação com o autismo, informou a Reuters no mês passado.
No ano passado, Trump associou o autismo às vacinas infantis e ao uso do popular analgésico Tylenol durante a gravidez, trazendo alegações sem respaldo científico para o centro das discussões sobre a política de saúde dos EUA.
Kennedy, um ativista antivacina de longa data que tem associado vacinas ao autismo e afirmado que nenhuma vacina é segura, sofreu um revés em março, quando uma decisão judicial bloqueou elementos-chave de seus esforços para reescrever a política de vacinação dos EUA e reformular um painel consultivo nacional sobre imunizações.