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Desaparecidos em Pernambuco: casos voltam a crescer e chegam a 1.642 em sete meses
Desaparecidos em Pernambuco: casos voltam a crescer e chegam a 1.642 em sete meses
07/08/2026 09h19
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco

Desaparecidos em Pernambuco: casos voltam a crescer e chegam a 1.642 em sete meses.

 

Segundo dados da SDS, o Estado contabilizou 1.642 ocorrências entre janeiro e julho deste ano, um aumento de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025; Polícia reforça que não é mais necessário esperar 24 horas para comunicar o desaparecimento.

O número de pessoas desaparecidas voltou a crescer em Pernambuco. Dados preliminares da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística (GGace), da Secretaria de Defesa Social (SDS), mostram que, entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 1.642 ocorrências de desaparecimento, contra 1.599 no mesmo período de 2025, um aumento de 2,7%. No ano passado inteiro, o Estado contabilizou 2.814 casos.

No mesmo intervalo de sete meses, 600 pessoas foram localizadas, enquanto em 2025 o número chegou a 575 no mesmo período. Em todo o ano passado, foram registradas 1.019 localizações.

Os números refletem uma realidade que mobiliza diferentes áreas da segurança pública, desde a investigação policial até o trabalho pericial de identificação de pessoas encontradas vivas ou mortas. Também reforçam uma orientação considerada decisiva pelas autoridades: o desaparecimento deve ser comunicado imediatamente, sem a necessidade de aguardar 24 ou 48 horas.

Segundo a delegada titular da Delegacia de Desaparecidos e Proteção à Pessoa (DDPP), Marina Linhares, as primeiras horas após o desaparecimento são determinantes para o sucesso das buscas. “Quanto antes essa informação chegar à polícia, maior será a possibilidade de êxito na localização da pessoa”, explica.

O DDPP é uma unidade vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De toda forma, Linhares ressalta que o boletim de ocorrência pode ser registrado em qualquer delegacia do estado, mesmo existindo uma unidade especializada no Recife. O objetivo é evitar atrasos e permitir que as diligências comecem o mais rápido possível.

Para registrar a ocorrência, o comunicante deve apresentar um documento oficial com foto. Em relação à pessoa desaparecida, quanto maior o número de informações fornecidas, maiores as possibilidades de localização. Fotografias recentes, características físicas, tatuagens, cicatrizes, roupas usadas no último contato, locais frequentados, número de telefone e até informações sobre contas bancárias ou veículos podem auxiliar nas investigações.

Buscas sem prazo para terminar

Após o registro da ocorrência, a Polícia Civil inicia uma série de procedimentos que variam de acordo com cada caso. Entre eles estão buscas em hospitais, unidades de saúde, rodoviárias, aeroportos, casas de acolhimento, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), análise de imagens de câmeras de segurança e levantamento de informações sobre deslocamentos de pessoas desaparecidas.

A delegada afirma que não existe um prazo para o encerramento das buscas. “A investigação continua até que a pessoa seja localizada. O objetivo é sempre promover um reencontro seguro com a família.”

De acordo com ela, a maior parte dos desaparecimentos ocorre por motivos voluntários, como conflitos familiares, fugas ou decisões pessoais. Também entram nesse grupo casos envolvendo pessoas com transtornos mentais ou idosos que deixam suas residências e perdem a orientação.

Já os desaparecimentos involuntários representam uma parcela menor e costumam estar relacionados a crimes, como homicídios, exploração sexual, tráfico de pessoas ou situações análogas à escravidão.

Ciência ajuda a devolver identidades

Além da investigação policial, o trabalho da perícia é considerado essencial para localizar desaparecidos e identificar pessoas encontradas sem documentos ou vítimas fatais.

A presidente da Associação dos Peritos Papiloscopistas de Pernambuco (ASPPAPE), Pollyanna da Silva Marinho, explica que a papiloscopia utiliza as impressões digitais como prova científica para confirmar a identidade de uma pessoa. Segundo ela, o trabalho permite identificar pessoas internadas, em situação de rua, com transtornos mentais ou incapazes de informar quem são, além de corpos e restos mortais.

“As impressões digitais são únicas e permanentes ao longo da vida. Após a análise técnica, o perito emite um laudo que confirma cientificamente a identidade da pessoa, permitindo localizar familiares e dar continuidade às investigações.”

O cruzamento das impressões digitais com bancos biométricos também acelerou o processo de identificação. Os sistemas automatizados apontam possíveis correspondências, que são posteriormente confirmadas pelo perito por meio da análise técnica.

Apesar dos avanços, Pollyanna afirma que a estrutura da perícia ainda enfrenta limitações. Segundo ela, Pernambuco possui déficit de profissionais e cerca de 430 cargos vagos autorizados para peritos papiloscopistas, o que dificulta a ampliação dos serviços, principalmente no interior do Estado.

Ela também destaca que ainda existe desconhecimento sobre a atuação desses profissionais. “Muitas pessoas acreditam que o papiloscopista trabalha apenas com a emissão da carteira de identidade, quando, na verdade, ele atua diretamente na produção da prova pericial, na identificação de desaparecidos, vítimas de crimes e em diversas investigações criminais.”

Banco de DNA amplia possibilidade de identificação

Outra ferramenta utilizada pela Polícia Científica é o banco de perfis genéticos, previsto na Política Nacional de Busca de Pessoas.

O sistema reúne material genético de cadáveres não identificados e de pessoas em situação de vulnerabilidade, além de amostras fornecidas voluntariamente por familiares de desaparecidos. O cruzamento dos perfis pode confirmar a identidade de uma pessoa localizada em qualquer estado do país.

O procedimento é realizado mediante encaminhamento da Polícia Civil ao Instituto de Genética Forense e representa mais uma possibilidade de resposta para famílias que aguardam notícias há meses ou até anos.

A atuação integrada entre investigação policial, perícia papiloscópica e identificação genética passou a ganhar ainda mais importância após a Lei Federal nº 13.812/2019, que redefiniu o conceito de pessoa desaparecida e estabeleceu a comunicação imediata como medida prioritária para aumentar as chances de localização.