Cidades Olinda
Olinda recebe evento do Agosto Lilás com serviços e cortejo contra a violência de gênero
Olinda recebe evento do Agosto Lilás com serviços e cortejo contra a violência de gênero
07/08/2026 09h16
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco

Olinda recebe evento do Agosto Lilás com serviços e cortejo contra a violência de gênero.

 

Programação gratuita reúne especialistas, ativistas e manifestações culturais em meio ao aumento dos casos de feminicídio em Pernambuco.

Olinda receberá, no dia 8 de agosto, a primeira edição do Olinda Lilás, evento gratuito que pretende promover um espaço de conscientização e acolhimento pelo enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa integra a programação do Agosto Lilás, campanha nacional dedicada à prevenção e ao combate à violência doméstica e familiar, e reunirá debates, atividades educativas, apresentações culturais e um cortejo carnavalesco pelas ruas do Sítio Histórico.

A programação será realizada no Teatro Fernando Santa Cruz, no Mercado Eufrásio Barbosa, no Largo do Guadalupe e na Praça do Carmo, com atividades das 9h à meia-noite. O evento é promovido pelo movimento Somos Lilás Brasil e pelo Instituto Banco Vermelho, organizações que atuam no enfrentamento à violência de gênero por meio da informação, da cultura e do fortalecimento das redes de proteção às mulheres.

A fundadora do Somos Lilás Brasil, Mariana Gusmão, conta que a ideia surgiu após experiências vividas durante o Carnaval deste ano, em Olinda. Segundo ela, apesar da festa representar liberdade e celebração, situações de assédio ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres.

“Foi vivendo essa experiência, vendo e vivendo, na verdade, que eu comecei a pensar em como poderia trazer essa temática, essa conscientização do combate à violência contra a mulher, mas através da cultura. Nem toda mulher está disposta a sair com um cartaz e participar de um protesto. Mas a cultura consegue atingir mais pessoas. Muita gente quer ir para a rua. Então, é uma causa que realmente é importante para a gente”, explica.

Ela conta que o evento foi pensado para envolver também os homens no debate sobre violência de gênero. “Não é exclusivo para as mulheres, porque a gente precisa trazer os homens para a luta. A gente precisa trazer os homens para repensar e, de fato, ter uma sociedade mais justa e mais segura.”

Programação une informação e celebração

Mariana Gusmão e Paula Limongi, idealizadoras do Cortejo das Mulheres (Foto: Mauricio Ferru/DP Foto)

A programação da manhã será dedicada à formação e ao debate. Entre os destaques está a participação da ativista gaúcha Bárbara Penna, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio que ganhou repercussão nacional após sofrer um ataque do ex-marido, que incendiou o apartamento onde ela vivia.

Também estão previstos um debate sobre o papel da sociedade na proteção das mulheres e uma oficina de defesa pessoal ministrada por uma professora faixa-preta de jiu-jítsu.

Além das atividades educativas, o evento contará com a presença de órgãos públicos e instituições que atuam na rede de proteção às mulheres, oferecendo informações e orientações ao público.

Já durante a tarde e a noite, a programação assume um caráter mais festivo. Haverá apresentações da Orquestra 100% Mulher, encontros de mulheres do maracatu e um grande cortejo carnavalesco pelas ruas de Olinda. O desfile será dividido nas alas Esperança, Celebração e Compromisso.

“É um dia em que a gente vai realmente se sentir segura para estar na rua. A gente vai brincar tranquilamente, porque só a gente sabe o que passa no Carnaval e em outros momentos também. É um dia para a gente celebrar”, afirmou Mariana.

Expansão

Para os organizadores, o Olinda Lilás é apenas o primeiro passo de um projeto nacional. A diretora executiva do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi, afirma que a intenção é expandir a iniciativa para outras capitais brasileiras nos próximos anos.

“A ideia é que, no ano que vem, a gente tenha o Rio Lilás, o São Paulo Lilás, o Salvador Lilás, e que a gente cresça como um movimento para que a sociedade entenda por que Lilás. Estamos indo para a rua porque o Anuário de Segurança Pública saiu na semana passada e nós batemos o recorde mais uma vez. Nós temos a marca de mais de 1.500 mulheres mortas notificadas”, afirmou.

Em Pernambuco, 88 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 14% em relação a 2024, quando foram registrados 77 casos. O número representa a maior quantidade de feminicídios contabilizada no estado desde que esse tipo de crime passou a integrar oficialmente a classificação dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), em 2017.

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que Pernambuco registrou, em média, um feminicídio a cada quatro dias no ano passado, ficando atrás apenas da Bahia entre os estados do Nordeste. Dos 88 casos, 15 ocorreram no Recife, seis em Jaboatão dos Guararapes e cinco em Caruaru. A faixa etária mais atingida foi a de mulheres entre 35 e 64 anos.

No mesmo ano, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, recorde histórico e crescimento de 4,7% em comparação com o ano anterior. O estudo aponta ainda que 62,6% das vítimas eram mulheres negras. Em quase todos os casos, os autores eram parceiros ou ex-parceiros íntimos das vítimas, enquanto apenas 4,9% dos crimes foram praticados por desconhecidos. A residência da vítima continua sendo o principal local das ocorrências, concentrando 66,3% dos assassinatos.

Prévia aconteceu no sábado

Antes da programação principal, o movimento realizou no sábado (1º) o Cortejo das Mulheres, considerado uma prévia do Olinda Lilás. O evento contou com um encontro de nações de maracatu em celebração ao Dia Nacional do Maracatu.

A ação também integrou a programação do Agosto Lilás e buscou chamar a atenção da sociedade para a necessidade de enfrentar a violência doméstica e familiar contra as mulheres.