
A prática esportiva tem se tornado uma importante aliada no cuidado em saúde mental em João Pessoa. Desenvolvido pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps III) Dr. Gutemberg Botelho, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o projeto “Passos na Cidade” utiliza a corrida como ferramenta de promoção da saúde, inclusão social e fortalecimento da autonomia de pessoas acompanhadas pelos serviços de saúde mental.


Em João Pessoa, a assistência em saúde mental é organizada de forma integrada, tendo a Atenção Primária como porta de entrada e contando com serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que oferecem acompanhamento multiprofissional, oficinas terapêuticas, atividades culturais, esportivas e ações voltadas à reinserção social e ao fortalecimento da autonomia dos usuários.
A iniciativa incentiva os usuários a superarem desafios, ampliarem a convivência comunitária e romperem estigmas relacionados aos transtornos mentais. Mais do que um treinamento para uma corrida, o projeto proporciona acolhimento, fortalecimento emocional e construção de vínculos, reafirmando o compromisso da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) com um cuidado humanizado e integral.
Ao longo da preparação, cada treino se transformou em uma oportunidade de crescimento pessoal. A convivência entre os participantes fortaleceu os vínculos construídos no Caps e contribuiu para o desenvolvimento de hábitos mais saudáveis, refletindo diretamente na qualidade de vida dos usuários. O resultado desse trabalho pôde ser visto no último domingo, 2 de agosto, quando o grupo participou da 6ª Maratona Internacional de João Pessoa, em uma experiência marcada pela superação de desafios e pela inclusão social.


Entre os participantes estava Antônio Manuel Ferreira, de 66 anos, que comemorou a conquista de completar a prova e receber a medalha. Para ele, a corrida simbolizou uma nova etapa em sua vida e reforçou a confiança construída ao longo dos meses de preparação.
“Foi uma felicidade muito grande participar da Maratona Internacional de João Pessoa. Com o apoio dos meus amigos e de toda a equipe do Caps, consegui completar a prova e conquistar minha medalha. Hoje sou um atleta e espero participar das próximas corridas. O projeto abriu um novo rumo na minha vida e mostrou que eu sou capaz de vencer meus medos”, relata.
A coordenadora do Caps III Dr. Gutemberg Botelho, Michelany Carneiro, explica que a participação na maratona foi resultado de um trabalho construído ao longo de aproximadamente dois meses. “Os usuários participaram de treinos semanais, por meses, todas as terças-feiras, e toda a preparação foi acompanhada pela equipe multiprofissional do Caps. Também avaliamos cuidadosamente quais usuários poderiam participar da corrida, sempre considerando as condições de saúde e o bem-estar de cada um. Nosso objetivo era proporcionar uma experiência segura e acolhedora, mostrando que eles podem vencer desafios e ocupar os espaços da cidade com confiança e autonomia”, ressalta.
Idealizador do projeto, o educador físico Diego Toledo conta que a iniciativa foi desenvolvida durante sua Residência Multiprofissional em Atenção à Saúde Mental, realizada no Caps Dr. Gutemberg Botelho, e surgiu da proposta de utilizar a atividade física como ferramenta de cuidado.
“Nossa intenção era mostrar que a reabilitação em saúde mental também acontece fora dos muros do Caps. Ao ocupar parques, ruas e outros espaços públicos, os participantes fortalecem a autonomia, criam novos vínculos e passam a enxergar a cidade como um lugar de convivência e pertencimento. A participação na Maratona foi o resultado de todo esse processo e mostrou que eles podem superar desafios e construir novas possibilidades de vida”, destaca.
Mais do que incentivar a prática esportiva, o projeto demonstra como diferentes estratégias podem contribuir para o cuidado em saúde mental. No Caps III Dr. Gutemberg Botelho, a corrida se soma às oficinas terapêuticas, aos grupos de convivência, às atividades culturais e ao acompanhamento multiprofissional oferecidos aos usuários, fortalecendo a autonomia, a socialização. A iniciativa reforça que o cuidado em saúde mental vai além do tratamento clínico e também se concretiza em ações que aproximam os usuários da comunidade, ampliam a participação social e promovem qualidade de vida.
“O maior legado do projeto vai muito além da participação na maratona. O ‘Passos na Cidade’ mostrou que o percurso é tão importante quanto a linha de chegada e que a verdadeira conquista está na transformação vivenciada ao longo de todo o processo. Cada treino, cada caminhada e cada desafio vencido fortaleceram a confiança dos participantes, criaram novos vínculos e mostraram que eles têm o direito de ocupar a cidade com segurança e autonomia. Quando isso acontece, a atividade física deixa de ser apenas um exercício e passa a ser uma ferramenta de promoção da saúde, inclusão e qualidade de vida”, conclui Diego Toledo.
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