Trump está pressionando o Irã para que chegue a um acordo com Omã sobre o Estreito de Ormuz já nesta terça-feira
(Bloomberg) — O presidente dos EUA, Donald Trump, está pressionando o Irã para que chegue a um acordo com Omã sobre o Estreito de Ormuz já nesta terça-feira, ou enfrentará ataques aéreos devastadores.
“Quero dar a eles todas as chances possíveis antes da decapitação”, disse Trump a repórteres na segunda-feira. “Vocês descobrirão hoje ou amanhã. Quer dizer, eles vão cair rápido, de um jeito ou de outro. Não é muito complicado.”
Esta é a “última chance” para o Irã chegar a um acordo, disse o presidente, depois de cancelar o que descreveu como um grande ataque contra a República Islâmica no fim de semana, que provavelmente envolveria Israel.
Uma solução diplomática parece depender de negociações entre Omã e Irã para permitir que mais navios naveguem pelo estreito. Há poucos sinais de progresso nessas negociações e o Irã continua adotando uma postura intransigente em relação à hidrovia. O país insiste em ter o direito de gerenciar o tráfego marítimo e atacar embarcações que tentam navegar pelo ponto de estrangulamento sem sua permissão.
A posição do Irã ressalta a dificuldade que Trump tem enfrentado para encerrar uma guerra que ele iniciou no final de fevereiro e que fez os preços da energia dispararem, prejudicando o líder americano e seu partido republicano às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.
O petróleo Brent subiu 1,8% na terça-feira, para US$ 85,29 o barril. Ainda acumula queda de cerca de 5% nesta semana, depois que Trump afirmou, no sábado, que suspenderia novos ataques e daria mais tempo à diplomacia.
A República Islâmica prometeu retaliar ferozmente contra quaisquer grandes ataques conjuntos entre EUA e Israel. Ao longo do conflito, demonstrou capacidade de causar danos significativos a estados árabes do Golfo, como Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Trump tem recuado repetidamente das ameaças de lançar ataques massivos contra o Irã. Se ele optar por eles desta vez, isso provavelmente pressionará ainda mais os preços do petróleo para cima.
Na noite de segunda-feira, um alto funcionário iraniano pediu aos EUA que “dessem o primeiro passo e mudassem seu comportamento”, retornando aos termos do acordo firmado em junho. Mohsen Rezaee, assessor do líder supremo do Irã, declarou à televisão estatal que “navios de guerra e bases americanas estarão em sério perigo” se Trump não suspender o bloqueio aos portos iranianos.
A Bloomberg noticiou na semana passada que Mascate e Teerã estavam discutindo a reabertura da chamada Passagem do Meio, através do Estreito de Ormuz. No entanto, segundo fontes familiarizadas com o assunto, a passagem foi minada pelo Irã e pode ter que ser desminada antes que embarcações possam utilizá-la regularmente.
O ponto de estrangulamento, um canal vital para o fornecimento de petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias, como fertilizantes, permanece praticamente fechado. Quase nenhum navio está navegando por ali, pelo menos não com seus transponders ligados. A maioria dos que o fazem segue por uma rota ao norte, próxima à costa do Irã, com permissão iraniana, ou por uma rota ao sul, perto do território omanita.
Trump afirmou que “não haverá cobrança” pelo acesso ao estreito, algo que Teerã estabeleceu como condição fundamental para qualquer acordo.
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