
Em apenas três meses e meio de atividades, o Centro de Cirurgias Eletivas (CCE) de Marabá consolidou-se como um divisor de águas para a saúde pública do município. O balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) aponta que o serviço já ultrapassou a marca de 4.700 atendimentos, abrangendo consultas, exames especializados e cirurgias de média complexidade. A iniciativa tem como foco principal dar vazão à demanda reprimida, devolvendo qualidade de vida a pacientes que aguardavam há anos por procedimentos cirúrgicos.
Os resultados demonstram a celeridade do fluxo desenhado para o CCE. Ao todo, foram realizadas 589 cirurgias, além de 1.927 consultas e 287 exames integrados ao próprio fluxo pré-operatório. O mês de junho registrou um marco importante, superando a meta mensal com a realização de 309 cirurgias nas áreas de ginecologia, pediatria, urologia e cirurgia geral (como vesícula e hérnias). Para o mês de julho, a expectativa é manter o ritmo acelerado e realizar mais de 300 novos procedimentos.
Para garantir que o paciente não se perca no processo de preparação, o CCE adota uma dinâmica operacional de domingo a domingo. O grande diferencial está na centralização dos serviços: o cidadão realiza a avaliação clínica, a bateria de exames pré-operatórios atualizados e a avaliação de risco cirúrgico, em parceria com o Centro de Especialidades (CEI), no próprio local.
Segundo o coordenador administrativo do CCE, Daniel Lúcio, a agilidade entre a liberação médica e a mesa de cirurgia é um dos pontos fortes do projeto. “O paciente passa primeiramente pelo atendimento pré-operatório com clínicos e cirurgiões. Depois, é avaliado pelo cardiologista para definição do risco cirúrgico. Com os exames concluídos e o pré-operatório liberado, o procedimento cirúrgico é agendado em um prazo que varia de apenas 24 a 48 horas. Se houver algum exame muito específico fora do nosso alcance físico, encaminhamos o paciente para a rede credenciada ou para o Hospital Municipal.”


Para acelerar ainda mais os atendimentos, a equipe médica foi reforçada. O corpo clínico de cirurgiões do HMM atua de forma integrada ao Centro, que recentemente ganhou o reforço de mais um médico e mais um cirurgião geral. A equipe de enfermagem também foi dimensionada para dar suporte integral nos períodos pré, trans e pós-operatório.
A secretária de Saúde de Marabá, Lícia Souza, destaca o impacto social do projeto e anuncia novas medidas para ampliar a oferta de cirurgias ginecológicas.
“Estamos muito felizes com os resultados. No mês de junho, realizamos mutirões aos sábados para laqueaduras. Agora, contamos com um importante reforço por meio do credenciamento de um novo hospital parceiro. Começaremos a enviar para lá pacientes que aguardam há muito tempo por cirurgias eletivas ginecológicas, ampliando nossa capacidade de atendimento. É extremamente gratificante ver pessoas que estavam na fila desde 2018 finalmente conseguindo esse serviço tão esperado, recuperando a dignidade e o bem-estar”, completa a secretária.


Apesar do esforço das equipes de busca ativa, a desatualização dos dados cadastrais tem sido o principal obstáculo para agilizar as filas. A coordenação do CCE faz um apelo para que as pessoas que aguardam por cirurgias procurem o setor de regulação do município.
Histórias de alívio e recomeço
Por trás dos números expressivos, há relatos de pacientes emocionados que deixam o centro cirúrgico com a saúde restabelecida.
O corretor de imóveis Francisco Daniel Costa sofria com dores causadas por pedras na vesícula e aguardava o procedimento havia seis anos. Após atualizar seus dados, o desfecho foi bastante rápido.
“A primeira crise forte que tive foi há seis anos. Há três anos eu vinha tentando direto. Depois que atualizei meu cadastro, o processo levou apenas três meses. Foi muito rápido, o atendimento foi excelente desde a recepção e estou me recuperando super bem, sem dores”, comemora Francisco.


A técnica de enfermagem Patrícia da Luz, que acompanhou a mãe em uma cirurgia de vesícula, também elogiou a eficiência do serviço. “Minha mãe estava na fila havia cerca de quatro meses. O atendimento foi excelente e muito rápido. Toda a equipe está de parabéns.”


Para a autônoma Patrícia Silva, a cirurgia de hérnia representou o fim de uma angústia de uma década. “Eu estava aguardando havia 10 anos. Já tinha procurado por todos os lugares que você imaginar. Cheguei a chorar de desespero porque isso me incomodava muito. Agora consegui, graças a Deus. O processo foi rápido e a equipe me tratou super bem.”


A ala pediátrica também coleciona finais felizes. Yasmin Mesquita, operadora de máquinas de frigorífico, acompanhava a filha de cinco anos, que passou por uma cirurgia de hérnia umbilical e inguinal descoberta aos dois anos de idade. “Fazia três anos que eu buscava atendimento. Iniciamos a papelada há cerca de três semanas e já deu certo. Está sendo uma boa experiência.”






Texto: Fabiana Alves
Fotos: Sara Lopes, Paulo Sérgio e Rapharazzo
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