
Marabá deu início, neste sábado, 11 , às atividades da 100ª edição do Projeto Rondon, iniciativa de extensão universitária coordenada pelo Ministério da Defesa que reúne estudantes e professores de instituições de ensino superior de todo o país para desenvolver ações voltadas ao fortalecimento da cidadania e do desenvolvimento social. Nesta edição, realizada por meio da Operação Carimbó, o município é a sede logística dos trabalhos que são executados entre os dias 11 e 23 de julho em 18 municípios do sul e sudeste do Pará e da Ilha do Marajó.
Durante a Operação Carimbó, os chamados rondonistas atuarão em áreas como saúde, educação, cultura, direitos humanos, justiça, meio ambiente, comunicação, tecnologia, produção, trabalho e comunicação social. A programação inclui oficinas, cursos e capacitações voltadas ao fortalecimento da autonomia das comunidades e à construção de soluções sustentáveis para problemas locais.
Coordenador do Projeto Rondon, o coronel Euclides Soljenitsin Araújo destacou que o planejamento da operação começou em junho do ano passado e foi estruturado para atender diferentes realidades da região.
“A Operação Carimbó foi planejada para atuar em 18 municípios, levando capacitações em diversas áreas do conhecimento. Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida, ampliar o acesso ao conhecimento e criar oportunidades. Queremos apresentar soluções sustentáveis que possam ser replicadas pelas próprias comunidades, reduzindo desigualdades e fortalecendo o desenvolvimento local”, afirmou.


Criado em 1967, o Projeto Rondon nasceu a partir da atuação de 30 universitários e dois professores que seguiram para o então Território Federal de Rondônia com apoio das Forças Armadas. Após ser interrompido em 1989, o programa foi retomado em 2005 pelo Ministério da Defesa e, desde então, promove a aproximação entre o conhecimento acadêmico e as necessidades das comunidades brasileiras.
Para o secretário de Saúde, Desporto e Projetos Sociais do Ministério da Defesa, Idervanio Costa, alcançar a centésima edição representa um marco para o projeto e reforça a importância da escolha do Pará como cenário desta operação.
“É um orgulho para o Ministério da Defesa realizar a centésima operação do Projeto Rondon. Escolhemos esta região pela diversidade social e cultural que ela apresenta. A interação entre os universitários e as comunidades proporciona aprendizado para ambos os lados e contribui para transformar a realidade das populações mais vulneráveis, levando ações em educação, saúde, tecnologia, geração de renda e cidadania”, ressaltou.


Em Marabá, a execução das atividades ocorre em parceria com a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac). Segundo a coordenadora do Departamento de Emprego e Renda, Cynthia Hoana, mais de dez equipamentos da assistência social receberão oficinas durante o período da operação.
“Esse trabalho será desenvolvido tanto na zona urbana quanto na zona rural, atendendo famílias em situação de vulnerabilidade. As oficinas foram organizadas para fortalecer a autonomia dessas famílias e ampliar oportunidades. Já temos um cronograma definido e uma agenda intensa até o dia 23”, explicou.


A professora Maristela Peixoto, da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul, integra uma das equipes responsáveis pelas ações nas áreas de saúde, educação, cultura, direitos humanos e justiça. Para ela, participar do projeto representa uma oportunidade de conhecer a realidade brasileira para além da sala de aula.
“O Rondon nos permite viver um Brasil que muitas vezes não aparece nos livros. Vamos desenvolver cursos de formação para cuidadores de idosos, atividades com crianças, ações de educação em saúde e preservação ambiental. Mesmo pequenas iniciativas podem fazer uma grande diferença na vida das pessoas”, destacou.


A Secretaria Municipal de Educação (Semed) também participa da operação. A diretora administrativa e financeira, Venoura Ismênia, ressaltou que diversas oficinas serão voltadas ao ambiente escolar e ao fortalecimento da cidadania.
“Os participantes trabalharão temas como educação financeira, empreendedorismo, combate à violência contra a mulher, prevenção ao abuso infantil e economia circular. É um projeto que soma muito para Marabá, especialmente por levar informação e conhecimento às comunidades que mais precisam”, afirmou.


Entre os participantes está a estudante de Odontologia Jordana Barbosa, natural do município de Bagre, na Ilha do Marajó. Para ela, o Projeto Rondon representa uma oportunidade de transformação tanto para quem recebe quanto para quem participa das ações.
“A palavra que define o Projeto Rondon é transformação. Vamos levar conhecimento às comunidades, mas também voltaremos diferentes, porque essa experiência nos faz crescer como profissionais e como cidadãos”, concluiu.







Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Paulo Sérgio
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