
Uma jovem liderança indígena do Acre, Samuel Arara, pertencente ao povo Shawãdawa (Arara), foi selecionado para participar do Programa de Bolsas para Povos Indígenas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), que será realizado em Genebra, na Suíça.
Natural de Porto Walter, Samuel tem apenas 25 anos, está entre os nove indígenas brasileiros escolhidos para a formação internacional, que reúne lideranças de diferentes regiões do mundo para fortalecer o conhecimento sobre os mecanismos internacionais de proteção dos direitos humanos.

Estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac), Samuel Arara preside o Coletivo de Estudantes Indígenas da Ufac (CEI-Ufac) e coordena o Tetepawa Comunica, coletivo de comunicação indígena do Acre. Sua trajetória é marcada pela defesa dos direitos dos povos indígenas, dos direitos da juventude, da justiça climática e pela valorização da comunicação como ferramenta de fortalecimento cultural.
Antes de seguir para Genebra, Samuel Arara participou da etapa preparatória do programa em Brasília, onde recebeu formação sobre relações internacionais, direitos humanos e o funcionamento do Sistema das Nações Unidas e permanecerá na Suíça por mais 30 dias para concluir a formação.

Para o jovem indígena, participar da formação representa a oportunidade de levar à comunidade internacional a voz dos povos indígenas da Amazônia e, especialmente, da juventude indígena.
“Chegar à sede das Nações Unidas pela porta da frente é um marco na minha trajetória, mas, acima de tudo, é uma responsabilidade. Não represento apenas a mim mesmo. Trago comigo meu povo, o Acre, a Amazônia, a juventude indígena e todas as comunidades que seguem resistindo na defesa de seus territórios, de suas culturas e de seus direitos”, destacou Samuel.
Durante o programa, Samuel aprofundará conhecimentos sobre os instrumentos internacionais de promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas e acompanhará a 19ª Sessão do Mecanismo de Peritos sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP), realizada na sede europeia das Nações Unidas.

A secretária de Estado de Povos Indígenas, Francisca Arara, ressaltou que a experiência vivida por Samuel Arara será compartilhada com os povos indígenas do Acre, fortalecendo ainda mais as lideranças e os territórios.
“A gente fica muito feliz de ver um jovem indígena do nosso estado chegando tão longe. O Samuel vai levar a voz dos nossos povos para um espaço importante, mas o mais importante é saber que ele volta para casa trazendo esse aprendizado. Esse conhecimento não fica só com ele, será compartilhado com as nossas lideranças, com os estudantes, com as organizações, com as comunidades indígenas”, ressalta a secretária.
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