
O caso aconteceu na noite do domingo (14), na Rua Jornalista Edson Régis, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife; após atropelar grávida de sete meses e fugir sem presta socorro, a suspeita de 36 anos foi perseguida por motociclistas e presa em flagrante pela Polícia Militar de Pernambuco.
Uma motorista de 36 anos, suspeita de atropelar uma mulher grávida de sete meses e fugir sem prestar socorro no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, permaneceu em silêncio durante depoimento à Polícia Civil e se recusou a realizar o teste do bafômetro. A mulher foi presa em flagrante após ser perseguida por motociclistas e detida por policiais militares.
As informações foram repassadas pelo delegado Mário Melo em entrevista à TV Guararapes, nesta terça-feira (16).
Segundo ele, a suspeita exerceu o direito constitucional ao silêncio durante todo o interrogatório e não apresentou qualquer justificativa para ter deixado o local do atropelamento sem prestar assistência à vítima.
“Ela ficou em silêncio o tempo todo. O interrogatório foi assinado pelo advogado da autuada em flagrante. Ela não disse nada para justificar a fuga do local do crime”, afirmou o delegado.
🚨🚨 Mulher embriagada atropela grávida em Recife-PE e foge sem prestar socorro. Populares capturaram mulher quilômetros depois.
— Thom 🇧🇷 🔪 (@94tome14) June 16, 2026
Esse vídeo, aliás, refuta as feministas: se fosse um homem no carro, ele teria sido lichado e m0rto no local. Privilégios femininos aí! pic.twitter.com/4fEoEr5cP0
Como aconteceu o atropelamento
O atropelamento aconteceu na noite do domingo (14), na Rua Jornalista Edson Régis, no trecho conhecido como "Ibura de Baixo".
De acordo com informações repassadas à Polícia por testemunhas, a vítima caminhava pela via acompanhada do marido e dos dois filhos, de 8 e 2 anos, quando foi atingida por um carro branco que trafegava em alta velocidade.
Após atingir a gestante, a motorista acelerou e fugiu sem prestar socorro. A mulher ficou caída no chão enquanto aguardava atendimento médico.
A vítima foi socorrida inicialmente para a Policlínica Arnaldo Marques, no Ibura. Devido às dores e aos ferimentos, ela precisou ser transferida para o Hospital Otávio de Freitas, no bairro de Tejipió, Zona Oeste do Recife.
Perseguição e prisão
Segundo relatos, a suspeita continuou dirigindo de forma perigosa por diversas ruas da região. Vídeos gravados durante a perseguição mostram o veículo em alta velocidade pela Avenida Dois Rios, invadindo uma ciclofaixa e colocando em risco ciclistas e pedestres.
Ainda de acordo com as testemunhas, a motorista chegou a passar próximo de um ciclista, que por pouco não foi atropelado.
Motociclistas que presenciaram a situação passaram a acompanhar o carro e acionaram a Polícia Militar.
A perseguição seguiu por várias vias da Zona Sul do Recife até a Avenida Recife. Imagens mostram o momento em que populares conseguem cercar o veículo, retiram a chave da ignição e impedem que a motorista continue a fuga até a chegada dos policiais militares.
Segundo o delegado Mário Melo, a suspeita não interrompeu a fuga por vontade própria.
“Ela foi impossibilitada de prosseguir. A todo momento não foi colaborativa. Mesmo após ter lesionado uma transeunte, poderia ter parado e prestado socorro, mas assim não fez. As imagens deixam claro que ela tentou fugir de maneira totalmente desgovernada, colocando outras pessoas em risco”, declarou.
Embriaguez, silêncio e objetos apreendidos
Após ser detida, a motorista foi conduzida para a Delegacia de Boa Viagem, onde acabou autuada em flagrante.
Embora tenha se recusado a realizar o teste do bafômetro, a Polícia Civil entendeu haver elementos suficientes para comprovar a embriaguez ao volante.
“O Código de Trânsito Brasileiro e a resolução do Contran permitem que a embriaguez seja atestada não apenas pelo teste do etilômetro. Ela pode ser comprovada por vídeos, imagens e provas testemunhais”, explicou o delegado.
De acordo com os depoimentos dos policiais militares, agentes da CTTU e testemunhas, a mulher apresentava forte odor etílico, fala embolada, comportamento agressivo e conversas desconexas.
Ainda segundo a polícia, ela teria desacatado os policiais militares que realizaram a abordagem.
“Segundo consta nos depoimentos, ela resistiu à detenção e desacatou o policiamento. Estava muito alterada e insatisfeita com a abordagem”, afirmou Mário Melo.
Durante a revista realizada no veículo, os policiais encontraram dois canivetes e um porrete com a inscrição “psicólogo”. Os objetos foram apreendidos.
“O que chamou atenção foi justamente o contexto. Dois canivetes e um porrete com a palavra psicólogo. É uma situação muito estranha”, disse o delegado.
A polícia informou ainda que a mulher já respondeu anteriormente a um processo criminal por ameaça.
A motorista, segundo Mario Melo, foi autuada em flagrante por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor sob influência de álcool, cuja pena varia de dois a cinco anos de prisão.
Ela também foi autuada por contravenção penal em razão dos objetos encontrados no interior do veículo. Como a pena máxima do crime principal ultrapassa quatro anos, a autoridade policial não pôde arbitrar fiança e a suspeita foi encaminhada para audiência de custódia.
O caso seguirá sendo investigado pela Delegacia do Ibura, que analisará as imagens das câmeras de segurança e os vídeos gravados durante a perseguição para apurar todas as circunstâncias da ocorrência.