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Em discurso no G7, Lula mistura recados a Trump e críticas à ordem global
Em discurso no G7, Lula mistura recados a Trump e críticas à ordem global
16/06/2026 16h08
Por: Redação Fonte: Estadão Noticias

Em discurso no G7, Lula mistura recados a Trump e críticas à ordem global.

 

Petista falou sobre crime organizado, desigualdade, guerras e concentração dos ganhos da transição energética.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Na reunião, da qual ambos participam, Lula afirmou que o combate ao crime organizado deve levar em conta a soberania dos Estados.

“Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, afirmou Lula nesta terça-feira (16).

O presidente também disse que o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de crimes como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Em discursos no Brasil, Lula costuma afirmar que grande parte das armas contrabandeadas vem dos Estados Unidos. Ele também critica o fato de o estado americano de Delaware aparecer com frequência em casos de crimes financeiros ligados a brasileiros.

“O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”, disse.

Lula também atacou o neoliberalismo, afirmando que esse modelo econômico agravou a desigualdade e alimentou crises políticas ao redor do mundo. Segundo ele, o unilateralismo é uma “resposta falaciosa” para os desafios atuais.

“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem a desregulamentação de mercados, o Estado mínimo e a austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, declarou.

O presidente também criticou o sistema financeiro internacional e disse que países não podem ser obrigados a escolher entre “pagar seus credores ou alimentar suas crianças”.

Ao defender que a desigualdade entre os países está aumentando, Lula afirmou que o primeiro trilionário do mundo — sem citar nominalmente Elon Musk — terá renda superior à dos 46% mais pobres da população global. Segundo ele, a extrema concentração de riqueza é resultado de décadas de “políticas pró-bilionários”.

“A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, disse.

Sem citar atores globais específicos, Lula também afirmou que as guerras atuais desviam o foco da agenda de desenvolvimento.

O presidente brasileiro ainda criticou a redução de recursos destinados a entidades importantes para países em desenvolvimento, como a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, o Programa Mundial de Alimentos, a Organização Mundial da Saúde e o Unicef. Segundo ele, esses cortes afetam diretamente a vida cotidiana dessas populações.

Sobre minerais críticos, Lula afirmou que os países detentores dessas riquezas precisam participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, “por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades”. Já em relação à transição energética e digital, disse que os benefícios econômicos não podem ficar concentrados em poucos atores.