
O gesto é como um sinal de "OK", com polegar e indicador juntos, mas com a mão para baixo, num formato que indicaria as letras "WP" (White Power).
O árbitro australiano Shaun Evans será ouvido pela Fifa por ter feito um gesto atribuído a movimentos supremacistas durante a transmissão da goleada da Alemanha sobre Curaçao na Copa do Mundo de 2026. Ele aparece nas imagens antes do jogo na cabine do VAR, onde atuava como supervisor.
A entidade que comanda o futebol não abriu uma investigação formal, mas analisa o caso. Procuradas, a Fifa e a Federação Australiana não se manifestaram. O árbitro não foi encontrado para comentar.
O gesto é como um sinal de "OK", com polegar e indicador juntos, mas com a mão para baixo, num formato que indicaria as letras "WP" (White Power). O sinal foi adicionado pela ONG Liga Antidifamação (ADL) em uma lista de símbolos de ódio em 2019.
Nos Estados Unidos, dois casos no esporte já tiveram consequências anteriormente. Em 2019, um torcedor do Chicago Cubs, da MLB, foi banido do estádio da equipe por fazer o gesto para uma câmera da NBC Sports. Já em 2023, o DC United, da MLS, demitiu um auxiliar técnico que fez o símbolo em um post nas redes sociais.
"O parecer de nossos especialistas é que o gesto usado se assemelha claramente a um sinal de 'OK' invertido, usado como símbolo de 'poder branco' em círculos da extrema-direita global", disse a rede Fare, parceira de longa data da Fifa e da Uefa para monitorar cânticos, bandeiras e símbolos racistas e discriminatórios em jogos internacionais.
"Claramente, este árbitro não deveria ter mais nenhuma função nesta Copa do Mundo", disse a Fare em seu comunicado, descrevendo o gesto como "neonazista". "Por que um supervisor do VAR está usando esse símbolo em um evento global de futebol justamente no momento em que sabe que as câmeras estão focadas nele?", questionou o órgão.
Shaun Evans tem 38 anos e é árbitro da Fifa desde 2017. Desde 2008, Evans integra o painel de árbitros da A-League, divisão principal da Austrália. Entre 2012 e 2013, ele se tornou assistente e, em seguida, juiz principal. Apenas em 2016 o profissional foi efetivado como árbitro de tempo integral. Até então, ele dividia o apito com a ocupação de pedreiro.
O futebol australiano historicamente reflete a diversidade da sociedade do país, com jogadores que descendem de imigrantes. Entre os convocados para a Copa do Mundo estão Awer Mabil, Nestory Irankunda e Mohamed Touré, três jogadores que nasceram em campos de refugiados diferentes, em três países diferentes da África.
Nestory Irankunda, de 20 anos, foi eleito o melhor jogador da partida de estreia da seleção australiana, contra a Turquia. Foi ele que abriu o placar na vitória por 2 a 0.
Irankunda nasceu em Kigoma, na Tanzânia. A sua família havia deixado Burundi e mudou-se para Perth quando Nestory tinha apenas 10 meses de vida. Mabil, 30 anos, nasceu no Kakuma Refugee Camp, no Quênia, após a família deixar o Sudão do Sul. Aos 10 anos, ele se mudou para Adelaide, na Austrália.
Já a família de Mohamed Touré, 22, deixou a Libéria. Ele nasceu na cidade de Conakry, em Guiné. Com oito meses de vida, Touré se mudou, junto dos pais, para o Sul da Austrália.
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