Medida busca ampliar a segurança dos pacientes diante dos riscos associados ao produto..
Quem acompanha o universo da beleza e dos procedimentos estéticos provavelmente já ouviu falar do PMMA. A substância, que durante anos foi utilizada em preenchimentos corporais e faciais, acaba de ser alvo de uma decisão importante: o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu seu uso por médicos em todo o país, tanto para fins estéticos quanto reparadores. A medida passa a valer a partir desta terça-feira (2) e tem como principal objetivo proteger a saúde e a segurança dos pacientes.
Mas afinal, o que levou a essa decisão? Segundo o CFM, uma ampla revisão de estudos científicos apontou que o PMMA pode provocar complicações graves, algumas delas surgindo até anos depois da aplicação. Entre os problemas relatados estão inflamações persistentes, infecções, formação de nódulos, necroses, insuficiência renal e deformidades que podem ser permanentes. O mais preocupante é que esses efeitos podem acontecer mesmo quando o procedimento é realizado por profissionais habilitados.
Diferentemente de outros preenchedores mais modernos, o PMMA é um material permanente e não absorvido pelo organismo. Isso significa que, quando surgem complicações, a remoção costuma ser difícil e, em muitos casos, exige cirurgias complexas que nem sempre conseguem reverter totalmente os danos causados. Por esse motivo, diversas entidades médicas já vinham alertando sobre os riscos da substância há anos.
A nova resolução prevê apenas uma exceção: pacientes com HIV/Aids que apresentam lipodistrofia e recebem tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão continuar utilizando o PMMA dentro dos protocolos definidos pelo Ministério da Saúde. A justificativa é garantir a continuidade da assistência a esse grupo específico enquanto alternativas mais seguras são avaliadas.
Para nós, mulheres, que muitas vezes somos o principal público dos procedimentos estéticos, a decisão reforça uma mensagem importante: beleza e autocuidado precisam caminhar lado a lado com segurança. Em um momento em que existem opções consideradas mais modernas e com melhor perfil de segurança, especialistas defendem que a prioridade deve ser sempre a saúde, evitando riscos que possam deixar consequências para toda a vida.