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Flávio usa facções, vídeos de IA e crise de segurança para desgastar Lula
Flávio usa facções, vídeos de IA e crise de segurança para desgastar Lula
01/06/2026 10h27
Por: Redação Fonte: Agência O Globo

Flávio usa facções, vídeos de IA e crise de segurança para desgastar Lula.

 

Senador fez doze publicações da noite de quinta-feira até o domingo falando sobre o tema no X.

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ampliou a estratégia de tentar desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no tema das facções com vídeos usando inteligência artificial, falas do chefe do Executivo e críticas às taxas de violência em estados comandados pelo PT.

Desde que os Estados Unidos anunciaram a decisão de considerar o Primeiro Comando da Capityal (PCC) e o Comando Vermelho (CV) organizações terroristas, na noite de quarta-feira, Flávio centralizou os esforços de comunicação na segurança. Foram doze publicações da noite de quinta-feira até o domingo falando sobre o tema no X, antigo Twitter.

“Os dias dos narco-terroristas de PCC e CV estão contados para chegar ao fim… e os dias de Lula também!”, disse Flávio em uma das mensagens.

Entre os conteúdos estão um vídeo em que Flávio que resgata falas de Lula contra equiparar as facções como terroristas enquanto mostra cenas de violência promovidas pelos grupos criminosos ao redor do país. Na peça, o vídeo da pré-campanha fala “Não é Flávio contra Lula, é Lula contra todo o Brasil”.

Outro conteúdo da pré-campanha mostra um vídeo feito com IA em que é apresentada uma caricatura de Lula saindo da Casa Branca. Na montagem, Lula aparece vestindo uma camisa em que se lê “Trump, deixe nossos bandidos em paz”.

O presidenciável do PL também compartilhou uma postagem do deputado federal André Fernandes (PL-CE), na qual o parlamentar critica Lula e o PT e faz menções à crise de segurança vivida pelo Ceará, governado pelo partido do presidente.

Dados do Atlas da Violência, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) na última terça-feira, mostram que o Ceará está entre os estados mais violentos do país.

O estado está em sexto lugar em número de homicídios em 2024, de acordo com a taxa, com 34,3 a cada 100 mil habitantes. A Bahia, que também é administrada pelo PT, figura em quinto lugar no ranking, com 40,9 por 100 mil habitantes.

Pesquisa mais recente feita pela Quaest sobre o assunto mostra que a segurança pública é a maior preocupação da população brasileira, com 31% das menções, à frente de outros temas como problemas sociais, economia, corrupção e saúde.

 

A exploração do tema segurança é uma das formas que a campanha de Flávio busca para faturar politicamente e reverter semanas de desgaste.

O senador foi protagonista de um escândalo após ter sido revelado que ele pediu dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar disso, classificar os grupos como terroristas ainda não é consenso, mesmo entre parlamentares distantes da esquerda.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), demonstra preocupação ao falar sobre o tema:

“Uma eventual classificação dessas facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos precisa ser analisada com cautela. O combate ao crime organizado é necessário e urgente, mas não pode abrir margem para qualquer tipo de interferência sobre a soberania nacional”, disse em nota.

O Congresso chegou a debater uma mudança legislativa que classifica as facções como terroristas, mas o tema não avançou. Um projeto nesse sentido, de autoria do deputado Danilo Forte (PP-CE), está parado na Casa.

Além disso, Câmara e Senado rejeitaram incluir a equiparação ao terrorismo na lei antifacção.

Do outro lado, parlamentares da base do governo, tentam judicializar a questão. Deputados do PSOL e da Rede entraram com uma ação para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apure a atuação dele junto ao governo americano. Os parlamentares acusam Flávio de atentar contra a soberania nacional.

A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e aconteceu na mesma semana em que Flávio teve reuniões com o presidente americano Donald Trump e o próprio Rubio.

Em outra linha, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) entrou com outra ação, mirando desdobramentos no caso Master. O petista pede que a Interpol entre no caso para que haja uma “cooperação penal internacional para apurar possível lavagem de dinheiro, ocultação de beneficiários finais e triangulação transnacional de recursos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse”.