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Atendimentos por queimaduras crescem 52% em Pernambuco; crianças são as principais vítimas
Atendimentos por queimaduras crescem 52% em Pernambuco; crianças são as principais vítimas
01/06/2026 06h57
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco

Atendimentos por queimaduras crescem 52% em Pernambuco; crianças são as principais vítimas.

 

Hospital da Restauração registrou aumento de casos e internações. Médico alerta para risco de sequelas permanentes e destaca medidas de prevenção.

Durante as festas juninas, os acidentes com queimaduras causadas por fogos de artifício e fogueiras costumam preocupar profissionais da saúde devido ao aumento das ocorrências anualmente. Dados do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital da Restauração (HR), no Recife, apontam que 70 pessoas foram atendidas vítimas de queimaduras durante o período junino de 2025.

O número representa um aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 46 atendimentos. As internações também cresceram e passaram de 29 para 36 casos, uma alta de 25%. Do total de pacientes atendidos neste ano, 37 eram crianças e 33 adultos.

Segundo o cirurgião plástico Guilherme Sedicias, que atua no tratamento de queimados, a combinação entre curiosidade infantil e o uso inadequado dos fogos de artifício explica boa parte dos casos registrados nesta época do ano.

“Normalmente, as crianças são as maiores vítimas nessa época do ano, durante as festas juninas, principalmente por dois fatores importantes. O primeiro é o uso inadequado dos fogos de artifício. O segundo é que as crianças gostam de ficar muito próximas dos artefatos, querem ver tudo de pertinho. Por isso, acabam representando uma parcela maior das vítimas nesse período de São João. As duas principais áreas atingidas são as mãos e a face”, explica.

O médico ressalta que os danos vão além das queimaduras provocadas pelo fogo. Segundo ele, fragmentos lançados durante a explosão podem causar ferimentos graves.

“Fragmentos das bombas, pólvora, terra, areia e pequenas pedras podem ser lançados durante a explosão e atingir a face da criança. Dependendo da intensidade do acidente, esses materiais podem provocar lesões importantes na pele, nos olhos e em outras estruturas sensíveis do rosto”, afirma.

Casos mais graves

Fotos ilustrativas de fogos de são joão. (Marina Torres)

Para os profissionais que atuam na linha de frente do atendimento, os pacientes estão chegando ao hospital com lesões mais profundas.

“Percebemos um crescimento de 25% nas internações, principalmente entre crianças. Isso mostra que elas estão chegando com queimaduras mais graves, geralmente de segundo grau profundo ou até de terceiro grau”, destaca Sedicias.

De acordo com o médico, a gravidade das queimaduras infantis costuma ser maior porque o corpo da criança possui menor superfície corporal e tecidos mais delicados. “De forma geral, quando as crianças chegam ao hospital com esse tipo de lesão, elas costumam apresentar queimaduras mais profundas e extensas do que as observadas em adultos”, acrescenta.

Embora a dor seja a consequência mais imediata, os impactos das queimaduras podem acompanhar o paciente por muitos anos. Dependendo da área atingida, as sequelas podem comprometer movimentos e exigir cirurgias reparadoras.

“Existem as sequelas cicatriciais, que são bastante frequentes. Algumas cicatrizes se formam de maneira irregular e podem gerar limitações funcionais. Quando essas lesões acontecem em áreas como mãos, dedos, face e pescoço, podem surgir dificuldades para movimentar articulações ou realizar movimentos simples do dia a dia. Em alguns casos, ocorre a formação das chamadas bridas cicatriciais, que funcionam como cordões de tecido endurecido e acabam restringindo a mobilidade”, explica.

As consequências também podem atingir órgãos mais sensíveis. “Podem ocorrer lesões oculares quando a queimadura ou a explosão afeta os olhos. Também podem surgir complicações em outras partes do corpo, dependendo da extensão e da gravidade do acidente”, afirma.

Nem sempre os casos mais graves são aqueles que apresentam grandes lesões na pele. A inalação de fumaça e gases tóxicos durante incêndios ou explosões é considerada uma das situações mais preocupantes pelos especialistas.

“Sempre que recebemos um paciente que inalou fumaça em grande quantidade ou sofreu uma queimadura próxima das vias aéreas, como boca, nariz e garganta, é necessária uma avaliação imediata. Após a queimadura, o organismo inicia um processo inflamatório que pode provocar inchaço das vias respiratórias. Esse edema pode se desenvolver ao longo de minutos ou horas e causar dificuldade para respirar”, alerta o médico.

Segundo ele, mesmo quando a queimadura externa parece pequena, a lesão interna pode colocar a vida do paciente em risco.

“Por isso, mesmo quando existem poucos sinais de queimadura na pele, se houve comprometimento da região da boca, do nariz ou suspeita de lesão por inalação de fumaça, é fundamental intervir precocemente para evitar que o paciente evolua para uma insuficiência respiratória”, ressalta.

Além disso, o cirurgião destaca que os primeiros socorros realizados logo após o acidente podem reduzir a gravidade da lesão e diminuir o risco de sequelas.

“A primeira medida é diminuir a temperatura da área queimada. A pessoa deve colocar o local atingido em água corrente fria, de preferência na torneira ou no chuveiro. Não deve usar água quente nem gelo. O ideal é manter a região sob água fria por cerca de 15 a 20 minutos”, orienta.

Após esse procedimento, a recomendação é proteger a área lesionada e buscar atendimento médico. Ele afirma que não devem ser utilizados gelo diretamente sobre a pele, pasta de dente, manteiga, álcool, pó de café ou pomadas sem orientação médica. Além de não ajudar, essas substâncias podem agravar a queimadura e aumentar o risco de infecção.

Recife, PE, 20/06/2025 - SÃO JOÃO ROUPAS E FOGOS - Imagens de roupas e fogos para festas juninas. (Rafael Vieira)