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Ebola avança no Congo e mata mais de 200; autoridades alertam para risco regional
Ebola avança no Congo e mata mais de 200; autoridades alertam para risco regional
25/05/2026 17h44
Por: Redação Fonte: Bloomberg

Ebola avança no Congo e mata mais de 200; autoridades alertam para risco regional.

 

O avanço da rara cepa Bundibugyo pela República Democrática do Congo e Uganda levou a OMS a classificar o surto como emergência internacional; conflitos armados e desconfiança local travam os esforços de contenção nas fronteiras.

(Bloomberg) — O Ebola pode ter matado mais de 200 pessoas até o momento na República Democrática do Congo, e autoridades africanas alertaram que o surto está se transformando em uma ameaça à segurança regional à medida que se espalha para países vizinhos.

“Quando um surto ameaça se alastrar além das fronteiras, ele se torna uma preocupação regional”, disse Khaled Abdel Ghaffar, ministro da Saúde do Egito, nesta segunda-feira (25), em uma videoconferência com autoridades governamentais. “Quando ele põe à prova a preparação dos Estados-membros, torna-se uma responsabilidade continental.”

A resposta ao Ebola ocorre em uma das regiões mais instáveis do mundo, onde grupos armados controlam territórios, os sistemas de saúde são frágeis e ataques a centros de tratamento têm prejudicado os esforços de contenção. Os profissionais de saúde conseguiram monitorar apenas cerca de 20% dos contatos identificados em um único dia, segundo dados do ministério.

“O atraso na detecção do surto significa que agora estamos correndo atrás de uma epidemia que se move muito rápido”, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante o encontro. “Nós contivemos todos os surtos anteriores de Ebola e vamos conter este também. A questão é apenas quão rápido conseguiremos fazer isso e quantas vidas mais serão perdidas antes disso.”

Mais de 900 casos suspeitos foram notificados em 11 zonas de saúde que abrangem três províncias do leste do Congo, de acordo com dados do ministério da saúde divulgados no final do domingo. Dados regionais indicam que o total acumulado de mortes suspeitas atingiu 210 até 23 de maio. A vizinha Uganda relatou dois novos casos nesta segunda-feira, ambos profissionais de saúde.

A África do Sul concordou nesta segunda-feira em repassar uma contribuição inicial de US$ 5 milhões para os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC), dobrando o montante inicial. O presidente Cyril Ramaphosa, na videoconferência, convocou outros governos, instituições financeiras e líderes do setor privado a contribuírem para a resposta ao Ebola. O Egito prometeu fornecer equipamentos de proteção individual e assistência médica, incluindo lotes do antiviral remdesivir, enquanto uma parceria com a Índia deve entregar cerca de 20 toneladas de suprimentos médicos até segunda-feira.

A situação local de violência e desconfiança torna a contenção mais difícil e aumenta a urgência de uma resposta coordenada, de acordo com Ramaphosa e outras autoridades.

Moradores revoltados invadiram um hospital na cidade de Mongbwalu no final do domingo, depois que as autoridades se recusaram a liberar corpos para sepultamento devido aos riscos de infecção, informou a Associated Press.

Distúrbios anteriores em Ituri — província ao longo da fronteira com Uganda onde o surto foi detectado pela primeira vez e onde a maioria dos casos se concentra — levaram tendas de tratamento de Ebola a serem incendiadas e pacientes a fugirem de um centro de saúde, segundo relatos da região.

Até uma em cada três pessoas em Ituri acredita que o vírus não é real, de acordo com a ActionAid, organização de caridade que começou a realizar sessões informativas para combater essas percepções.

Combatendo mitos

“Não estamos apenas combatendo um vírus mortal, estamos combatendo mitos, o medo e uma desconfiança profundamente enraizada”, disse Saani Yakubu, diretor da ActionAid no Congo, em comunicado.

Ministros da Saúde da região, reunidos na capital de Uganda, Kampala, no sábado, alertaram que fronteiras vulneráveis, corredores de mineração ativos e grandes fluxos populacionais também aumentam o risco de transmissão transfronteiriça do Ebola.

Dez países africanos são considerados sob risco devido ao surto por causa da mobilidade regional e de lacunas na vigilância e na capacidade de diagnóstico, segundo Jean Kaseya, diretor-geral do África CDC.

“Quando falamos de fronteiras, vejam as fronteiras entre o Congo e Uganda, entre o Congo e o Sudão do Sul”, disse Kaseya no encontro. “As pessoas vivem cruzando a fronteira — de manhã estão em um país, no final do dia estão em outro.”

A crise é provocada pela rara cepa Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual não existem vacinas ou tratamentos de anticorpos aprovados. A OMS declarou a epidemia uma emergência de saúde pública de importância internacional em 17 de maio.

Um americano infectado enquanto tratava de pacientes com Ebola no Congo foi evacuado para a Alemanha para receber tratamento, enquanto contatos de alto risco foram transferidos para a Alemanha e para a República Tcheca, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

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