Vítima estava amamentando quando teve casa invadida e foi alvo de disparos por dois homens encapuzados.
A Justiça de Pernambuco condenou o piloto de avião Mayky Fernandes dos Santos a 52 anos, 4 meses e 24 dias de prisão pelos crimes de tentativa de feminicídio e feminicídio consumado contra a comissária de voo Dinorah Cristina Barbosa da Silva. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (21), na 1ª Vara Criminal de Paulista, e durou cerca de 14 horas.
Segundo o Ministério Público de Pernambuco, Mayky foi o mandante dos crimes praticados contra Dinorah em julho e outubro de 2019. Durante o processo, a acusação incluiu a qualificadora de feminicídio e a agravante de o réu ter articulado a execução da vítima.
Dinorah foi assassinada dentro de casa, em Paulista, enquanto amamentava a filha recém-nascida. Dois homens encapuzados invadiram o imóvel e efetuaram os disparos diante da mãe da vítima. De acordo com a sentença, o crime foi planejado e executado por pessoas contratadas para matar a comissária. Mayky é o sexto condenado no caso.
Na decisão, o juiz afirmou que os ataques foram “manifestamente planejados” desde fevereiro de 2019 e classificou o assassinato como uma “execução sumária”. O magistrado também destacou como agravantes o fato de o crime ter ocorrido à noite e dentro da residência da vítima, local que deveria representar segurança e proteção.
Pela tentativa de feminicídio ocorrida em 4 de julho de 2019, o piloto recebeu pena de 17 anos, 5 meses e 18 dias de prisão. Já pelo feminicídio consumado, ocorrido em 24 de outubro do mesmo ano, a condenação foi fixada em 34 anos, 11 meses e 6 dias de reclusão. As penas foram somadas devido ao concurso material dos crimes.
A Justiça ainda reconheceu aumento de pena porque os crimes aconteceram na presença da filha da vítima. A sentença menciona também que a mãe de Dinorah foi atingida na mão ao tentar proteger a neta durante os disparos.
Preso no sistema penitenciário de São Paulo, Mayky participou do julgamento por videoconferência. O juiz manteve a prisão preventiva e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.
Dinorah e Mayky se conheceram em 2018, quando trabalhavam juntos no setor da aviação. Os dois tiveram um relacionamento enquanto o piloto ainda mantinha outro namoro. Meses depois, a comissária descobriu a gravidez.
De acordo com as investigações, ao saber da gestação, Mayky pressionou Dinorah para interromper a gravidez. Ele chegou a levá-la a uma clínica em Campinas, no interior de São Paulo, onde morava, para realizar o aborto. A vítima, porém, desistiu do procedimento. A recusa em abortar teria sido a principal motivação para o feminicídio, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público.
O crime aconteceu em 24 de outubro de 2019. Dinorah estava no quarto amamentando a filha quando homens armados invadiram a residência e abriram fogo. A bebê não foi atingida. A mãe da vítima também sobreviveu, apesar de ter sido baleada na mão enquanto segurava a criança.
As investigações apontaram que os criminosos monitoraram a rotina da vítima antes da execução. Dias antes do assassinato, Dinorah já havia sofrido uma tentativa de homicídio semelhante, também dentro de casa.
Segundo a polícia, essa primeira tentativa também foi planejada por Mayky e pela mãe dele, Maria Aparecida Brandão Batista, que estavam em São Paulo.
De acordo com a investigação, Douglas Dias Pereira foi responsável por fazer a ligação entre os mandantes e os executores do crime. Já Rosane Barbosa de Andrade teria ajudado indicando os nomes dos assassinos.
Os executores apontados pela polícia foram Denis Pereira da Silva e Victor Hugo Lima da Silva. Victor Hugo afirmou durante as investigações que recebeu R$ 4 mil para participar da execução.
Além de Mayky Fernandes, outras cinco pessoas já haviam sido condenadas pelo Tribunal do Júri de Paulista pela participação nos crimes contra Dinorah.
Maria Aparecida Brandão Batista, mãe do piloto, recebeu pena de 49 anos e 6 meses de prisão por atuar como articuladora e financiadora do feminicídio.
Douglas Dias Pereira foi condenado a 29 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por intermediar o contato entre mandantes e executores.
Denis Pereira da Silva e Victor Hugo Lima da Silva, apontados como autores dos disparos, foram condenados a 33 anos e 28 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, respectivamente.
Rosane Barbosa de Andrade, acusada de indicar os executores, foi sentenciada a 25 anos e 8 meses de reclusão.