Construído no início do século XX e inspirado nos modelos neoclássico e art nouveau, o Mercado de São Brás foi o terceiro grande mercado de Belém, depois do Ver-o-Peso e do Francisco Bolonha. Idealizado pelo engenheiro Filinto Santoro e inicialmente chamado de Mercado Renascença, o espaço só depois recebeu o nome atual, em homenagem a São Brás, santo cuja procissão passava pelo local.
Teve sua construção iniciada em 1º de maio de 1910 e foi oficialmenteinaugurado em 21 de maio de 1911, completando, em 2026,115 anos de história.
Na atualidade, o prédio histórico foi protagonista na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30) , resgatado comosímbolo da valorização da identidade paraense.
Reformado para receber o evento mundial, turistas brasileiros e estrangeiros passaram a frequentar o espaço em peso, atraídos pelopolo gastronômico com mais de 80 espaços comerciais.
O Mercado foi aindacenário do tradicional concurso Rainha das Rainhas, que em 2026 apresentou suas 15 candidatas em um evento que pela primeira vez foi aberto ao público.
E logo no início da reabertura, durante a COP 30, o mercadorecebeu a rainha Mary Donaldson, da Dinamarca, em um jantar.
O Mercado de São Brás já mostrou quetem estrutura, história e peso de um hub de verdade , conectando cultura, gastronomia e pertencimento.
A reforma que transformou o antigo e abandonado espaço público em um ambiente multifuncional nasceu de um concurso vencido pelo arquiteto Aurélio Meira, viabilizado por recursos da Itaipu Binacional, via governo federal.
Com sistema de exaustão, coleta seletiva e acessibilidade, o novo mercado emprega mais de 300 famílias e recebe mais de mil pessoas por dia, informa o administrador do espaço, Franklyn Nahun.
Maria Luiza recorda o passado: “Era horrível, um sufoco, muito quente, tudo era ruim, mas tinha que trabalhar”. O faturamento, diz, melhorou. Ela atende predominantemente idosos, um público fiel que frequenta o espaço pela manhã.
Visitante assídua, Adrielle Pimenta destaca a estética atrativa e a programação cultural como diferenciais. “É apresentado muito da cultura. O espaço recebe todas as pessoas”.
Já o influenciador Hygo Palheta, também frequentador do espaço, ressalta a diversidade de vivências.
No Mercado de São Brás, a diversidade vai muito além da arquitetura: lá convivem harmoniosamente do simples ao sofisticado. E não para por aí,a programação cultural semanal abraça todos os gostos e idades. Crianças, jovens, famílias e idosos encontram ali um pedaço de Belém que os acolhe sem distinção.
É justamente essa mistura que transforma o antigo mercado emuma verdadeira praça viva, onde comer, ouvir, dançar e pertencer são atos compartilhados.
Texto: Gabrielly Moura, estagiária, sob supervisão da jornalista Syanne Neno.