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Após 60 dias de cuidados em centro de reabilitação de SP, bicho-preguiça volta à natureza

Fêmea adulta atropelada em Juquiá passou por cirurgia delicada, reaprendeu a viver nas árvores e agora retorna à Mata Atlântica

21/05/2026 às 16h08
Por: Redação Fonte: Secom SP
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Consideradas extremamente sensíveis em ambientes de cativeiro, as preguiças exigem cuidados muito específicos relacionados à temperatura, alimentação e ambientação.
Consideradas extremamente sensíveis em ambientes de cativeiro, as preguiças exigem cuidados muito específicos relacionados à temperatura, alimentação e ambientação.

Uma história de recomeço terminou entre os galhos da Mata Atlântica. Após 60 dias de tratamento e reabilitação no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Registro, uma fêmea adulta de bicho-preguiça (Bradypus variegatus) voltou à natureza em uma área preservada do Parque Estadual Carlos Botelho, sob gestão da Fundação Florestal , vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) .

O animal chegou ao centro em fevereiro de 2026, depois de ser atropelado às margens de uma rodovia em Juquiá. O resgate aconteceu justamente em um dos raros momentos em que as preguiças descem das árvores: a cada sete a dez dias, elas vão ao solo para urinar e defecar, e é nesse deslocamento silencioso e lento que acabam mais vulneráveis aos atropelamentos.

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Apesar de não apresentar lesões graves em outros órgãos, ela sofreu ferimentos severos em uma das mãos. Duas das três garras do membro dianteiro esquerdo estavam fraturadas e precisaram ser amputadas cirurgicamente. Metade da terceira garra foi preservada.

As garras das preguiças têm uma estrutura muito particular: são ossos revestidos por queratina — o mesmo material presente nas unhas e cabelos humanos — e funcionam como verdadeiros “ganchos”, essenciais para que o animal consiga permanecer pendurado e se movimentar entre os galhos durante praticamente toda a vida.

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Após a cirurgia, começou um longo período de recuperação. A equipe veterinária acompanhou diariamente a evolução clínica do animal, com cuidados voltados ao controle da dor, alimentação e adaptação à nova condição física. Aos poucos, a preguiça voltou a escalar, se deslocar entre galhos e se alimentar normalmente.

“Preguiças são animais extremamente delicados em reabilitação. Elas têm necessidades muito específicas e qualquer alteração pode gerar estresse importante. Ver essa fêmea recuperada, adaptada e novamente pronta para a vida livre é muito gratificante para toda a equipe”, destaca Hanna Sibuya Kokubun, chefe de departamento do Cetras de Registro.

Consideradas extremamente sensíveis em ambientes de cativeiro, as preguiças exigem cuidados muito específicos relacionados à temperatura, alimentação e ambientação. Por isso, o caso foi celebrado pela equipe como um importante sucesso de reabilitação.

A soltura de uma fêmea saudável e em idade reprodutiva representa também um ganho para a conservação da fauna silvestre da Mata Atlântica e reforça o papel dos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres no resgate e recuperação de espécies brasileiras.

“Além da recuperação clínica do animal, a escolha da área de soltura dentro do Parque Estadual Carlos Botelho foi fundamental para aumentar as chances de sucesso da reintegração à natureza. A região apresenta características ambientais muito semelhantes à área onde o animal foi resgatado, com vegetação preservada, disponibilidade de alimento e conectividade florestal compatíveis com as necessidades da espécie. A devolução em uma Unidade de Conservação também contribui para o fortalecimento da população local de preguiças-da-mata-atlântica, especialmente por se tratar de uma fêmea adulta e apta à reprodução”, destaca a gestora do Parque Estadual Carlos Botelho, Nathalia Zandomenegui.

Esta não é a primeira história com final feliz envolvendo preguiças no Cetras de Registro . Em julho do ano passado, outro indivíduo reabilitado pela unidade foi devolvido à mata no município de Registro, em uma soltura realizada pela secretária da Semil , Natália Resende.

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