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IAT reforça cuidados especiais em áreas de campos de altitude do Pico Paraná

As recomendações fazem parte das atividades de manejo, uso público e sensibilização ambiental desenvolvidas pelo Instituo Água e Terra no complexo...

21/05/2026 às 12h27
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST
Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O Instituto Água e Terra (IAT) intensifica as orientações de preservação e segurança para visitantes do Parque Estadual Pico Paraná, localizado entre os municípios de Campina Grande do Sul e Antonina. A Unidade de Conservação (UC) é um dos principais redutos de campos de altitude da Serra do Mar paranaense, ecossistema peculiar, associado à Floresta Atlântica, que ocorre nos pontos mais elevados das montanhas. O IAT é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

As recomendações fazem parte das atividades de manejo, uso público e sensibilização ambiental desenvolvidas pelo IAT no complexo ambiental, com foco na preservação dos campos altomontanos (situados nos topos das serras e montanhas, geralmente acima de 1.200 metros de altitude), segurança dos visitantes e uso responsável das áreas de montanha.

Na UC estão as maiores elevações do estado do Paraná, sendo o Pico do Paraná, com seus 1.877 m de altitude, o ponto culminante na região Sul do Brasil. Destacam-se ainda os Picos Caratuva (1.852 m), Ibirati (1.847 m), Itapiroca (1.799 m), Campapuça (1,688 m) e Tucum (1.739 m), dentre outros. Altitude que atrai montanhistas e visitantes em busca de contato com a natureza, desafio físico e das paisagens da Serra do Mar. Em 2025, para dimensionar o aumento no fluxo de turistas, o parque registrou 15.056 visitantes. O número representa aumento de 81,3% em comparação aos 8.304 visitantes registrados em 2021.

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“Os campos de altitude são biossistemas frágeis, que precisam da conscientização das pessoas que visitam os morros. Há um protocolo cuidadoso que deve ser seguido, com foco na preservação do meio ambiente”, afirma a bióloga do IAT e chefe do Parque Estadual Pico Paraná, Marina Rampim.

Para reduzir impactos ambientais e não causar acidentes, a orientação é para que os montanhistas permaneçam nas trilhas principais, evitando atalhos, trechos paralelos e desvios. A recomendação inclui caminhar preferencialmente sobre rochas expostas, medida que reduz processos erosivos e reduz danos aos solos e à vegetação das montanhas.

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Outra instrução é para evitar atividades em períodos chuvosos. Quando molhados, os solos altomontanos perdem resistência ao pisoteio e sofrem degradação com facilidade. As condições climáticas da montanha também mudam rapidamente, com ocorrência de neblina, chuvas repentinas, ventos fortes e queda brusca de temperatura, aumentando riscos de hipotermia e perda de visibilidade.

“Os campos de altitude são ambientes extremamente sensíveis, suscetíveis ao pisoteio. Pequenas atitudes dos visitantes, como permanecer nas trilhas principais e evitar o pisoteio fora das áreas demarcadas e, principalmente, não visitar o parque em dias chuvosos, fazem diferença direta na conservação desses ecossistemas”, diz o engenheiro florestal Yury Vashchenko, da gerência de Áreas Protegidas do IAT.

A elevada fragilidade ambiental desses ecossistemas amplia a necessidade de conservação e manejo adequado. O pesquisador Maurício Bergamini Scheer, engenheiro florestal da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e especialista em ecossistemas altomontanos, explica que os campos de altitude da Serra do Mar possuem características muito específicas de clima, vegetação e solo, diferentes de outros campos existentes no Paraná.

Scheer destaca que os solos dos campos altomontanos possuem elevada concentração de matéria orgânica e exercem funções fundamentais para o equilíbrio ambiental da Serra do Mar. “Esses solos funcionam como verdadeiras esponjas naturais, armazenam grandes quantidades de água e carbono e contribuem diretamente para a regulação hídrica das bacias da região”, explica.

Os estudos científicos também apontam que esses solos levaram milhares de anos para se formar e possuem elevada fragilidade ambiental, o que reforça a importância da conservação e do uso responsável das áreas de montanha. “Por isso é preciso cuidar, ter responsabilidade, e seguir as regras determinadas pelo IAT”, afirma

OUTRAS ORIENTAÇÕES– O IAT alerta ainda para riscos naturais do ambiente de montanha, como picadas de animais peçonhentos e dificuldade de deslocamento em condições climáticas adversas. A orientação inclui o uso de roupas apropriadas para frio, equipamentos impermeáveis, lanternas, água, alimentação adequada e itens compatíveis com trilhas de montanha. A água encontrada nos córregos do parque é natural e não tratada. Em caso de consumo, o visitante deve utilizar produtos adequados para desinfecção.

Outro ponto é para que os visitantes tragam todo o lixo de volta, incluindo papel higiênico e lenços umedecidos, além de reforçar a proibição de fogueiras e a necessidade de respeito à fauna silvestre e ao silêncio do ambiente natural. Animais domésticos não devem ser levados para as trilhas.

O órgão também recomenda preparo físico adequado, equipamentos compatíveis com trilhas de montanha e acompanhamento de guias autorizados para visitantes sem experiência em ambientes altomontanos.

“Importante destacar que o monitoramento do acesso ao Parque Estadual Pico Paraná é realizado por meio de cadastro obrigatório de visitantes. Essa é uma ferramenta extremamente útil em caso de problemas ou acidentes. É a maneira que conseguimos localizar os turistas de uma maneira mais prática e ágil”, afirma Marina.

As orientações fazem parte das ações de manejo e uso público desenvolvidas pelo IAT nas unidades de conservação estaduais. O Parque Estadual Pico Paraná também conta com o Plano de Uso Público Emergencial (PUP), instituído para ordenar a visitação e fortalecer ações de preservação ambiental e segurança nas áreas de montanha.

CAMPOS DE ALTITUDE– Os campos de altitude são ecossistemas associados à Mata Atlântica. Ocorrem, geralmente, nos pontos mais elevados das montanhas da Serra do Mar. Estão diretamente relacionados com a ocorrência de solos orgânicos, os quais são pobres em nutrientes e extremamente ácidos.

A formação desses solos se deve ao acúmulo da matéria orgânica, devido ao clima frio, que diminui a ação microbiana na decomposição dos vegetais mortos. A fisionomia dos campos é caracterizada por plantas herbáceas, com até 50 cm de altura, entre as quais podem ser encontrados bromélias e arbustos isolados.

Esses ambientes apresentam alto índice de endemismo, com espécies exclusivas de determinadas serras do Paraná, além do papel estratégico na regulação hídrica da Serra do Mar. Os solos ricos em matéria orgânica funcionam como reservatórios naturais de água e carbono, auxiliando na conservação das bacias hidrográficas da região.

CONTATOS– Em caso de dúvidas, os contatos dos Parque Estadual Pico Paraná são os seguintes: telefone: (41) 3213-3422; WhatsApp: (41) 9 9554-0414; e-mail:pepicoparana@iat.pr.gov.br.

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