
Com base em relatórios técnicos que apontam uma probabilidade de até 92% de configuração do fenômeno El Niño entre julho e agosto deste ano, o governo do Acre realizou, nesta quarta-feira, 20, na Casa Civil, uma reunião estratégica de alinhamento com membros do Gabinete de Crise Hídrica. O objetivo central é coordenar ações preventivas e integradas entre as pastas institucionais para minimizar os impactos sociais, ambientais e econômicos de uma previsão de seca severa no segundo semestre de 2026.

“O governo se antecipa a uma previsão de seca extrema para este ano. Estamos reunidos hoje com as secretarias definindo as providências administrativas, de comunicação, fiscalização e monitoramento. Assim, quando a crise prevista pelos meteorologistas chegar, a estrutura governamental estará totalmente preparada para minimizar o impacto na vida da população”, destaca Ítalo Medeiros, coordenador da Casa Civil.
A iniciativa antecipa o planejamento estatal para enfrentar problemas recorrentes de anos anteriores, como o desabastecimento de água, queimadas, poluição do ar, perdas na produção agrícola, suspensão de aulas e o desabastecimento de alimentos em comunidades indígenas, além de combater a prática de preços abusivos em itens essenciais como água mineral, gás de cozinha e combustível.
Para que a resposta aos impactos seja rápida e eficiente, o plano de contingência estadual foi dividido em oito eixos fundamentais de atuação: Monitoramento e Alerta, Saúde Pública, Logística e Mobilidade, Comunicação e Articulação Institucional, Assistência Humanitária e Proteção Social, Meio Ambiente e Combate a Incêndios, Abastecimento e Infraestrutura, Orçamento e Suporte Jurídico.

A partir desta diretriz, cada secretaria e instituição do Estado ficará responsável por desenhar e executar seu próprio plano preventivo setorial.
O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, reforçou a importância do cronograma de trabalho, detalhando que a intensidade dos eventos deve aumentar nos meses que dividem o segundo semestre.

“A projeção é de um El niño mais forte a partir de agosto, setembro e outubro. O gabinete de crise se mobiliza com todas as instituições para que cada uma fortaleça as medidas preventivas naquilo que for possível, buscando mitigar danos, mas também estruturar respostas rápidas para reduzir os impactos e efeitos de uma seca severa em todo o território acreano”, frisou.
A base científica que sustenta a mobilização do Estado vem do Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A secretária adjunta da pasta, Renata Souza, explicou como o monitoramento constante permite a criação de estratégias de longo prazo.

“Trabalhamos com dados e relatórios diários baseados em fontes nacionais e internacionais. Nossa equipe concluiu este relatório que aponta a probabilidade do El Niño já a partir de junho. Esses dados serão atualizados na próxima semana para monitorar o cenário detalhado de transição entre o final de maio e o começo de junho. A Sema acompanha tudo periodicamente para garantir um planejamento efetivo e preventivo, deixando o Estado pronto caso se configure um cenário de ‘Super El Niño'”, afirmou Renata Souza.
Os dados técnicos avaliados pelo comitê são contundentes. De acordo com o diagnóstico climático do Sistema de Alerta ENSO, a perspectiva de evolução para a fase quente do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 apresenta alta probabilidade de persistência até o início de 2027.
O relatório aponta que a probabilidade do fenômeno se estabelecer é de: 82% entre os meses de maio e julho de 2026; 92% entre julho e agosto de 2026; 96% de continuidade durante o inverno do Hemisfério Norte, estendendo-se entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
O padrão é agravado pelas anomalias positivas de temperatura na superfície do oceano Pacífico Equatorial e pelo comportamento térmico verificado no Atlântico Tropical, fatores que influenciam diretamente a dinâmica de chuvas na Amazônia Legal e, consequentemente, no Acre.
Embora o comitê reconheça as incertezas naturais de previsões de longo prazo, o governo do Estado reforça que o monitoramento contínuo e as atualizações periódicas serão os principais subsídios para a tomada de decisões rápidas de adaptação e mitigação ao longo de todo o período crítico.
As ações são articuladas entre todas as secretarias e instituições que compõem o comitê: Secretaria de Agricultura, Casa Civil, Secretaria de Comunicação, Defesa Civil, Secretaria de Meio Ambiente, Instituto de Meio Ambiente do Acre, Corpo de Bombeiros, Policia Militar, Controladoria Geral do Estado, Instituto de Mudanças Climáticas, Procuradoria Geral do Estado, Secretaria de Obras, Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas, Instituto de Terras do Acre, Secretaria de Estado de Educação e Cultura, Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre, Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária e Secretaria de Governo.
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