

Auditório do Hospital Municipal Esaú Matos
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), promoveu uma palestra voltada para a saúde mental e os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, direcionada aos profissionais do Hospital Municipal Esaú Matos. A ação, ministrada pela psicóloga do Cerest, Amanda Chaves Rocha, integrou a programação da Semana de Enfermagem da Fundação de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC) e tomou como base as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), relativa à segurança e saúde no trabalho, às diretrizes e requisitos para o gerenciamento de riscos ocupacionais e às medidas de prevenção em Segurança e Saúde no Trabalho.
A iniciativa responde a um cenário nacional preocupante. Dados recentes do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam um crescimento expressivo no número de afastamentos de profissionais motivados por transtornos mentais e comportamentais.
No ambiente hospitalar, o desafio é ainda maior, visto que os trabalhadores da saúde lidam diariamente com uma alta carga emocional e forte pressão institucional.De acordo com a coordenadora do Cerest de Vitória da Conquista, Fabiana Oliveira, o órgão tem intensificado as ações preventivas e de suporte pedagógico nas instituições de saúde do município.
“Os profissionais de saúde ficam muito expostos aos riscos psicossociais. Com a atualização da NR-01, torna-se ainda mais urgente identificar os fatores de risco nesses ambientes. Nosso papel aqui hoje é orientar e informar sobre as medidas de prevenção, para que o trabalhador saiba quando buscar ajuda e para que os gestores compreendam a importância de promover o acolhimento, a escuta qualificada e a promoção da saúde em sua totalidade”, explicou Fabiana.
O adoecimento mental no trabalho muitas vezes se manifesta de forma silenciosa. A enfermeira do trabalho do Cerest, Roseane Meira, chamou a atenção para os sintomas que os profissionais devem observar no dia a dia, tanto em si mesmos quanto nos colegas. “O ambiente de trabalho nos dá o sustento, mas também pode ser adoecedor. É preciso ficar atento a sinais como irritabilidade constante, cansaço excessivo, desânimo e falta de interesse pelas atividades. Esses agravos podem evoluir para quadros de estresse emocional, ansiedade, depressão e a síndrome deburnout”, alertou a enfermeira.
Roseane destacou, ainda, que as novas diretrizes da NR-01 tornaram obrigatória a implementação de programas voltados à saúde mental por parte das empresas e instituições. “Nas inspeções que o Cerest realiza, nós já estamos cobrando e verificando de perto as questões psicossociais. Como o trabalhador às vezes teme retaliações ou receio de perder o vínculo ao falar sobre o que sente, nós aplicamos questionários e fazemos perguntas direcionadas de forma geral. A partir disso, elaboramos relatórios e emitimos recomendações específicas para melhorar o ambiente laboral”, completou.
A coordenadora do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) da Fundação, Lindiane Rodrigues, ressaltou que a Semana de Enfermagem buscou olhar para o profissional de forma integral, conectando a saúde mental às condições físicas.
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