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Jovens conservadores e evangélicos têm maior interesse em carreiras militares, diz estudo

Jovens conservadores e evangélicos têm maior interesse em carreiras militares, diz estudo

20/05/2026 às 06h34
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco
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Jovens conservadores e evangélicos têm maior interesse em carreiras militares, diz estudo

Jovens conservadores e evangélicos têm maior interesse em carreiras militares, diz estudo.

 

Levantamento feito por instituição inglesa em parceria coma UFPE destaca maior atração pelas carreiras militares entre jovens de regiões mais vulneráveis, como o Nordeste.

Um estudo desenvolvido por uma instituição inglesa, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apontou que jovens com visões mais conservadoras apresentam maior inclinação para atuar nas Forças Armadas quanto à Polícia Militar. O levantamento intitulado “Becoming or getting by” (“Tornar-se ou sobreviver”) foi conduzido pelo King’s College London junto à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e à Sciences Po.

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O interesse de jovens brasileiros por carreiras nas Forças Armadas e na Polícia Militar aumentou de forma significativa entre 2021 e 2025, impulsionado principalmente pela busca por estabilidade financeira, pelos impactos econômicos da pandemia de covid-19 e pelo avanço de pautas conservadoras entre parte da juventude.

Neste contexto, os pesquisadores observam uma associação entre jovens evangélicos e o interesse pela Polícia Militar. Segundo o levantamento, evangélicos demonstraram maior tendência a considerar a carreira policial militar do que pessoas sem religião.

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O artigo sugere que o contexto político dos últimos anos também pode ter influenciado esse cenário. Os autores mencionam que, durante o governo de Jair Bolsonaro, as Forças Armadas ganharam forte visibilidade pública e passaram a ser associadas por parte da população a valores como ordem, estabilidade e autoridade moral.

Pesquisa

A pesquisa ouviu 2.032 jovens brasileiros entre 18 e 26 anos em novembro de 2025. Os participantes eram de todas as regiões do país e não tinham vínculo com as Forças Armadas nem com polícias militares.

Os resultados foram comparados aos obtidos em 2021, utilizando metodologia equivalente, o que permitiu observar mudanças no comportamento da juventude brasileira diante do mercado de trabalho e da percepção sobre carreiras militares.

Embora o levantamento seja nacional, o estudo dedica atenção às desigualdades regionais brasileiras e aponta o Nordeste como uma das regiões mais marcadas por vulnerabilidades socioeconômicas, ao lado do Norte.

Segundo os pesquisadores, fatores como menor renda, dificuldades de inserção profissional e desigualdades históricas ajudam a explicar por que carreiras militares podem se tornar mais atrativas para jovens dessas regiões.

Os dados mostram que 43,84% dos jovens entrevistados demonstraram interesse em seguir carreira nas Forças Armadas, enquanto 32,16% afirmaram considerar a Polícia Militar como opção profissional.

Segundo os pesquisadores, a pandemia teve impacto direto nesse crescimento. Jovens que enxergaram a covid-19 como um grande obstáculo para a vida profissional apresentaram maior propensão a buscar carreiras militares e policiais.

O estudo aponta que salário, estabilidade, aposentadoria diferenciada, pensões e benefícios oferecidos pelas carreiras militares passaram a ser vistos como vantagens relevantes em um cenário de insegurança econômica e desemprego juvenil.

“A percepção das Forças Armadas como uma carreira de proteção, privilégio e segurança ganhou força especialmente em um país marcado pela instabilidade no mercado de trabalho e pela desigualdade de renda”, destacam os autores.

Ao discutir os resultados, os pesquisadores fazem um alerta sobre os efeitos sociais desse movimento. Segundo eles, o crescimento do interesse por carreiras militares pode refletir na identificação ideológica e na falta de oportunidades profissionais para a juventude brasileira.

“O estudo mostra um possível desequilíbrio entre a percepção sobre carreiras militares e civis no Brasil em períodos de crise econômica e sanitária”, afirma a conclusão da pesquisa.

Os autores defendem que o país precisa ampliar a oferta de empregos estáveis e oportunidades para jovens, especialmente nas regiões mais vulneráveis, como o Nordeste, para evitar que a carreira militar se torne uma das poucas alternativas de mobilidade social disponíveis.

O estudo teve participação do professor Dalson Britto Figueiredo Filho, da UFPE, e foi liderado pela pesquisadora Andreza Aruska de Souza Santos. Entre os autores também estão pesquisadores da UFMG, da Sciences Po e do Instituto de Estudos Avançados da USP.

 

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