Mais de 130 pessoas já morreram e há mais de 500 casos sob suspeita.
Um surto do vírus ebola na República Democrática do Congo e em Uganda causou mais de 500 casos suspeitos, incluindo mais de 130 mortes, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (19).
“Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em uma reunião da organização em Genebra.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) disse na segunda-feira que passou a restringir a entrada no país de alguns viajantes. A OMS declarou o surto “uma emergência de saúde pública de importância internacional”.
O tipo de vírus ebola por trás do surto mais recente, conhecido como Bundibugyo, é raro. Há menos testes de campo disponíveis para ele, e essa forma do vírus não conta com vacina ou tratamento específicos, o que torna o surto mais difícil de conter.
Ainda não se sabe exatamente quando esse surto começou, mas ele foi identificado pela primeira vez em maio, na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo. Testes laboratoriais vincularam de forma definitiva apenas 30 casos na região ao vírus, segundo a OMS. Dois casos, incluindo uma morte, foram confirmados em Uganda em pessoas que haviam viajado para o Congo.
Há um grande número de pessoas deslocadas por conflitos em Ituri, além de muitos trabalhadores migrantes atraídos por suas minas de ouro. Tedros afirmou que o “significativo movimento populacional” na região aumentou o risco de disseminação do vírus.
A vigilância inicial e os testes falharam em identificar a espécie rara de ebola responsável pelo surto atual, o que atrasou a resposta das autoridades de saúde. Cinco países na região passaram a fazer triagem de viajantes ou a reforçar controles de fronteira.
Ebola é uma doença causada por um grupo de vírus relacionados, conhecidos como orthoebolavírus, descobertos pela primeira vez em 1976 nos países hoje conhecidos como Sudão do Sul e República Democrática do Congo, em uma região próxima ao rio Ebola. Acredita-se que morcegos frugívoros carreguem esses vírus sem adoecer.
Os surtos de ebola ocorreram, em sua maioria, na África subsaariana. Quatro das seis espécies conhecidas de vírus ebola causam doença em humanos e podem ser fatais.
Pessoas acometidas por ebola podem inicialmente apresentar os chamados sintomas “secos”, como febre, dores no corpo e fadiga, antes de evoluir para sintomas “molhados”, incluindo diarreia, vômitos e sangramentos, segundo o CDC.
O ebola pode ser contraído por meio do contato com fluidos corporais de uma pessoa infectada, doente ou morta, e também pelo contato com objetos contaminados, como roupas, roupas de cama, agulhas ou equipamentos médicos.
Vacinas e um medicamento antiviral foram aprovados para a espécie Zaire do ebola, a mais comum. Mas não há vacina ou tratamento específico para a espécie Bundibugyo, já que surtos causados por ela têm sido raros.
O vírus Bundibugyo foi identificado pela primeira vez em 2007, depois que uma doença misteriosa surgiu no distrito de Bundibugyo, em Uganda, na fronteira com o Congo. Em 2012, outro surto semelhante foi identificado no Congo.
Em janeiro, cientistas da Universidade de Oxford anunciaram um esforço para desenvolver e testar vacinas que protejam contra vários vírus letais, incluindo o Bundibugyo.
As taxas de letalidade durante os dois últimos surtos dessa forma de ebola variaram de 30% a 50% dos infectados, segundo a OMS.
O período de incubação dessa espécie do vírus ebola varia de dois a 21 dias, e as pessoas geralmente não são infecciosas até que os sintomas apareçam. Mas, como os sintomas iniciais — como febre e fadiga — se assemelham aos de outras doenças, incluindo a malária, a detecção precoce pode ser difícil.
Houve vários surtos letais de ebola nos últimos anos.
O ebola ressurgiu repetidamente desde sua descoberta, em 1976, quando surtos simultâneos no Sudão do Sul e no Congo infectaram quase 600 pessoas e mataram mais de 430.
c.2026 The New York Times Company