Tesouro Direto: juros prefixados tocam máximas de 12 meses com pressão dos EUA
Tesouro Direto: juros prefixados tocam máximas de 12 meses com pressão dos EUA
19/05/2026 13h53
Por: RedaçãoFonte: Agência Infomoney
Tesouro Direto: juros prefixados tocam máximas de 12 meses com pressão dos EUA.
Treasury de 30 anos atingiu 5,125%, máxima desde 2007, com inflação americana pressionada pela guerra no Irã.
As taxas do Tesouro Direto abrem em alta nesta terça-feira (19), impulsionadas por dois vetores simultâneos: no exterior, os rendimentos dos Treasuries americanos atingiram as maiores marcas em quase duas décadas; no Brasil, o risco político eleitoral e o impasse no Estreito de Ormuz continuam adicionando prêmio à curva doméstica.
Nos prefixados, a variação foi contida, mas levou alguns papéis para próximo do maior patamar em 12 meses. Foi o caso do Prefixado 2032, que avançou levemente para 14,33%, e do Prefixado com Juros Semestrais 2037, que saltou para 14,40%, ambas novamente muito perto das máximas anuais atingidas na sexta-feira (15).
Nos títulos de inflação, a abertura foi para cima em toda a curva. O Tesouro IPCA+ 2040 avançou 3 pontos-base para 7,33%, de 7,30%, e o IPCA+ 2050 avançou de 7,01% para 7,05%. Já o IPCA+ 2060 com juros semestrais foi negociado a 7,23%, ante 7,21% na véspera.
O pano de fundo global é de forte pressão sobre os títulos soberanos em todo o mundo. Os rendimentos dos títulos de 30 anos do Tesouro americano superaram o patamar psicológico de 5% e avançaram para 5,125%, o nível mais alto desde junho de 2007. A pressão vem de uma onda de vendas que se estendeu além dos EUA: os rendimentos dos gilts britânicos de 30 anos atingiram o nível mais alto desde 1998, enquanto o rendimento dos títulos do governo japonês de 30 anos chegou ao seu maior patamar histórico.
O gatilho para a alta global dos juros foi a aceleração da inflação americana, diretamente ligada ao choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio. A inflação ao consumidor subiu para 3,8% no mês passado, a leitura mais alta desde maio de 2023, e os dados do índice de preços ao produtor mostraram alta de 1,4% mês a mês, o aumento mais acentuado desde 2022, impulsionado pelos custos mais altos de energia.
Com isso, os mercados eliminaram completamente qualquer possibilidade de um corte nas taxas do Fed este ano e passaram a considerar crescente probabilidade de uma elevação antes do final do ano. O Barclays alertou seus clientes que os rendimentos dos Treasuries podem ultrapassar os 5,5%, nível visto pela última vez em 2004.
O Estreito de Ormuz segue sem normalização efetiva do tráfego, mantendo o prêmio de risco geopolítico embutido nos vencimentos mais longos. O Ibovespa futuro cai no mesmo ambiente, e o dólar opera em leve alta, contribuindo para sustentar as taxas no patamar elevado em que se encontram.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h25 desta terça-feira (19):