A rede estadual de ensino de São Paulo registrou avanços em diferentes frentes da política educacional, incluindo desempenho de estudantes, expansão do ensino técnico, recomposição do quadro docente e investimentos em infraestrutura escolar. Os dados são da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) e abrangem resultados do Saresp 2025, evolução de matrículas no ensino técnico e execução de obras na rede.
No Saresp 2025, o desempenho em matemática no ensino fundamental teve crescimento nos 2º, 5º e 9º anos. Segundo a Seduc-SP, os resultados superam os níveis observados no período pré-pandemia em parte dos indicadores. A taxa de presença dos estudantes, que era de 82,5% em 2023, chegou a 91,1%, o maior índice da série histórica. O número representa 300 mil alunos a mais em sala de aula todos os dias.
Estimativas feitas por especialistas no período pós-pandemia indicavam que a recomposição das aprendizagens poderia levar até 11 anos. Os dados mais recentes da rede estadual apontam recuperação mais acelerada em parte dos indicadores avaliados. “Os resultados mostram não só recuperação, mas consolidação de uma trajetória de melhoria da aprendizagem na rede”, afirmou o secretário da Educação, Renato Feder.
Na alfabetização, São Paulo recebeu pela primeira vez o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, na categoria Ouro, concedido pelo Ministério da Educação. A meta da Seduc-SP é que até o final deste ano, 90% das crianças do 2º ano do Ensino Fundamental sejam leitores fluentes ou pré-leitores.
Na área de recursos humanos, o governo estadual realizou o primeiro concurso para professores da rede após mais de 10 anos sem novas seleções para efetivos. Inicialmente foram previstas 15 mil vagas, mas mais de 17 mil professores já foram nomeados. Além disso, processos seletivos são realizados frequentemente a fim de assegurar professores em sala de aula durante todo o ano letivo.
No ensino técnico, o número de estudantes passou de 35 mil em 2023 para 231 mil em 2026, um crescimento superior a seis vezes em três anos. A previsão do governo é alcançar 350 mil alunos em 2027. A expansão exige maior contratação de profissionais com formação técnica específica, em função da diversidade dos cursos e da atualização constante das áreas ofertadas. Atualmente, um processo seletivo está vigente para várias disciplinas e regiões do Estado. Os interessados devem se inscrever até 1º de junho no site https://bancodetalentos.educacao.sp.gov.br/
Na infraestrutura, o governo executou R$ 3,3 bilhões em obras em escolas estaduais em 40 meses. Foram 7.114 intervenções em 3.574 unidades escolares, distribuídas por 576 municípios. Atualmente, 1.100 obras estão em andamento.
Um dos destaques da gestão, segundo a Secretaria, é o avanço em climatização das escolas. As intervenções em infraestrutura térmica passaram a integrar de forma mais ampla o conjunto de obras da rede, com foco em conforto térmico em salas de aula, uma frente que a pasta ampliou de forma inédita no período recente. “Climatizamos mais de 1.100 escolas desde o início da gestão, quando eram menos de 100”, afirmou o secretário Feder. Neste mês, o governo investiu mais R$ 170 milhões para a climatização. O valor vai contemplar outras 450 unidades.
As obras na infraestrutura das unidades incluem ainda reforma, melhorias de conectividade, laboratórios e adequações físicas das unidades escolares.
O uso de plataformas digitais nas escolas estaduais é definido pela Secretaria como ferramenta de apoio ao ensino. Os recursos, segundo a pasta, auxiliam no acompanhamento da aprendizagem e na organização das atividades escolares, em complemento e auxílio ao trabalho docente.
Até o final de 2025, os estudantes da rede estadual de ensino já haviam ultrapassado 2,5 bilhões de atividades nas plataformas educacionais.
Os 3 milhões de estudantes da rede estadual de ensino de São Paulo podem acessar até oito plataformas educacionais para apoiar o aprendizado e complementar o trabalho dos professores em sala de aula. São ferramentas de gamificação de aulas de matemática, redação e tarefas de casa com apoio de inteligência artificial, leitura de obras literárias para crianças, adolescentes e adultos, aulas de inglês e formação em tecnologia. Essas ferramentas apoiam o Estado a impulsionar seus resultados.
Entre as plataformas que favorecem o aprendizado e somam no desempenho dos estudantes, estão a Matific e a TarefaSP. A Matific, por exemplo, plataforma de matemática premiada internacionalmente, atende alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental e usa usa jogos interativos, gamificação e IA para tornar o ensino lúdico, alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e focado na compreensão conceitual.
No ano passado, a plataforma australiana de aprendizagem em matemática foi a vencedora na categoria “Grandes Empresas” da primeira edição do Global EdTech Prize, prêmio organizado pela T4 Education. Na rede estadual de ensino, a plataforma está disponível gratuitamente para mais de 1,8 milhão de estudantes.