
Estabelecimentos começam troca de itens do lote 1 para quem tem nota fiscal. Caso consumidor não tenha comprovante de compra, orientação é entrar em contato com SAC da fabricante
Os supermercados do Rio e de São Paulo começaram a retirar produtos Ypê de gôndolas e prateleiras. A fabricante de itens de limpeza enfrenta uma crise sem precedentes desde a suspensão da fabricação e da comercialização de seus produtos pela Agência Nacional de Vigilãncia Sanitária (Anvisa), o que, na avaliação de especialistas em varejo e marketing, abre espaço para concorrentes do setor.
Embora fatores como preço, promoções e a relação da empresa com consumidores e varejistas devam limitar uma migração em massa de clientes, o impacto sobre a marca é significativo. Tanto que a Ypê entrou com um recurso que suspendeu temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa.
Apesar disso, a autarquia segue recomendando que os consumidores não usem os produtos. A agência se reúne nesta quarta-feira (dia 13) para revisar a interdição da fábrica de Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo o último anuário da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (Abipla), o segmento movimentou US$ 7,17 bilhões em 2024. Apenas a categoria de detergentes para louças respondeu por R$ 133,3 milhões em vendas, com consumo aproximado de 1,97 milhão de litros no país em um ano.
Diante do desgaste reputacional da líder do segmento, marcas como Limpol e Minuano, além de multinacionais como Unilever, Procter & Gamble e Reckitt, podem ganhar participação.
O EXTRA percorreu seis supermercados na cidade de São Paulo e notou a ausência praticamente total de produtos da marca Ypê em diferentes categorias. Mesmo itens que não estavam relacionados aos lotes contaminados sumiram das prateleiras.
A reportagem visitou unidades das redes Dia, Carrefour, Pão de Açúcar, Mambo, Sacolão Perdizes e Zaffari, em diferentes bairros da cidade. Apenas em uma delas, da rede Dia, havia itens da marca.
No Rio, os supermercados já começaram a realizar as trocas dos produtos da Ypê, suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última quinta-feira (7).de produtos
Em estabelecimentos visitados na capital fluminense, a orientação geral para fazer as trocas dos produtos com lote de numeração final 1, é que o consumidor leve, ao estabelecimento que comprou, o item e a nota fiscal (física, digital ou uma foto) e se dirija ao Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do mercado, informando que deseja trocar o item.
Os consumidores que têm os itens em casa devem armazenar o produto fora do alcance de crianças e animais domésticos. Caso não possua a nota fiscal, é possível comprovar a compra por meio do extrato bancário, comprovante de Pix, fatura de cartão de crédito, CPF vinculado à compra, aplicativos dos supermercados, voucher de alimentação e programas de fidelidade.
Se, mesmo assim, o consumidor não conseguir provar que comprou o item, é recomendado entrar em contato direto com o serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da Ypê. A companhia passou a disponibilizar dois números telefônicos — 0800-130-0544 e 0800-278-0024 —, e um canal digital específico para consumidores afetados.
A Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), destacou que o recurso apresentado pela fabricante suspende temporariamente as restrições impostas pela agência, mas ressaltou que a Anvisa mantém a recomendação de cautela no uso dos produtos citados.
“Diante desse cenário, a Asserj reforça que continuará acompanhando a evolução do caso, orientando o setor supermercadista com base nos atos oficiais da Anvisa e nas diretrizes aplicáveis à segurança sanitária, à proteção do consumidor e à regularidade das atividades comerciais”, diz trecho da nota.
A Associação Paulista de Supermercados (Apas) também segue acompanhando o tema e diz que “já orientou seus associados em relação à decisão publicada pela Anvisa” envolvendo os produtos da Ypê.
No Supermercado Mundial, no Bairro de Fátima, região central do Rio, a gerente Emilene Von Held, conta que estão recebendo muitos pedidos de troca. Ela explica que, quando um consumidor chega ao mercado buscando a troca, os atendentes do SAC solicitam a nota fiscal.
— A gente procura pelo valor da compra na nota. Quando as pessoas não têm a notinha, nós tentamos buscar no sistema pelo CPF, porque fica registrado. A gente tenta ajudar o consumidor no que for possível — pontua Von Held.
Segundo a gerente, os produtos Ypê foram substituídos nas prateleiras por outras marcas que eles já trabalham.
Para realizar a troca dos produtos Ypê no Supermercado Pão de Açúcar, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, é necessário comprovar a compra do item no mercado, pela nota fiscal ou pelo comprovante no próprio aplicativo do mercado.
Ao mostrar a compra do item, o consumidor recebe um vale-compras, no valor do produto, para ser usado no momento do pagamento de outro item. A atendente do SAC do Pão de Açúcar, que não quis se identificar, conta que, quando um comprador não possui a nota fiscal ou o app do mercado, eles estão recomendando entrar em contato com o SAC da Ypê.
— Nós estamos realizando as trocas de todos os produtos que foram comprados nessa unidade. Basta a pessoa mostrar a nota fiscal ou o aplicativo do mercado, que realizamos no mesmo momento. Quanto aos produtos que nós retiramos das prateleiras, eu não sei como ou quando será recolhido pela empresa — explica a atendente.
No Prezunic do mesmo bairro, a recomendação é levar a nota fiscal e se dirigir ao balcão de atendimento para fazer a troca do item por um vale-compras no mesmo valor. Caso o comprador não tenha o comprovante de compras físico, também é possível trocar com a foto da nota.
Já no mercado Zona Sul, para realizar a troca, o consumidor deve trazer a nota fiscal, se dirigir ao SAC e os atendentes darão um vale-compras no valor do produto. O gerente, que não quis se identificar, pontua que é necessário que o comprador tenha certeza que comprou o item naquela unidade, para que seja possível fazer a troca pelo vale.
— Nós estamos fazendo a troca dos produtos por um vale-compras, mas o consumidor tem que comprovar que o item foi comprado neste estabelecimento — explica o gerente.
No mercado Extra, do Bairro de Fátima, as prateleiras, que antes estavam cheias de detergentes Ypê, agora estão vazias. Na seção de sabão em pó, há um outro lote do sabão Ypê, terminado em 2, no lugar dos itens do lote 1. O gerente, que não quis se identificar, disse que o mercado ainda está no aguardo de maiores informações da marca para começar a realizar as trocas.
— Eu estou esperando a resposta da Ypê. Mas estamos orientando os consumidores a aguardar mais informações para fazer as trocas. Quando o consumidor chega aqui com o produto, eu peço para ele ligar direto para a Ypê, para tirar dúvidas — conta o gerente.
No Supermarket, no mesmo bairro, a orientação também é aguardar o mercado receber informações sobre quais serão os próximos passos e guardar a nota da compra. Uma funcionária, que não quis se identificar, informa que o mercado ainda não sabe como serão as trocas.
— Nós ainda não estamos fazendo trocas. Foi só um lote específico (terminado em 1) que teve problema, ainda estamos aguardando as informações para seguir — relata a funcionária.
O GLOBO procurou as redes de supermercados para entender como está sendo o atendimento a clientes que procuram as unidades com produtos Ypê, se os produtos citados pela Anvisa foram recolhidos e se houve redução ou suspensão da compra de produtos da marca.
As redes Extra Mercado e Pão de Açúcar informaram apenas que seguem a determinação da Anvisa e retiraram os produtos indicados das áreas de vendas das lojas. Já o Prezunic disse que os para os clientes que adquiriram produtos do lote mencionado, está realizando a troca nas lojas mediante apresentação do cupom fiscal.
Procurados, Assaí, Guanabara, Mundial, Zona Sul, Rede Economia e Supermarket não responderam aos questionamentos.
O EXTRA tentou entrar em contato com o SAC da Ypê pelo 0800, mas, ao ligar, uma mensagem automática informa que “não foi possível completar a chamada. O número não está disponível no momento”.
No SAC do site da Ypê, para abrir um protocolo de atendimento, é necessário preencher um formulário com as seguintes informações: nome completo, CPF, telefone, e-mail, endereço, anexar a nota ou cupom fiscal do produto comprado. Também é necessário detalhar dados do item: qual produto, lote, embalagem, quantidade, data de fabricação e anexar uma foto do produto.
Ao tentar entrar em contato com o SAC pelo e-mail da empresa, um consumidor foi informado que a “Ypê apresentou recurso à Anvisa e com isso suspendeu os efeitos da RE n. 1.834/2026 que determinava a suspensão da venda e da comercialização dos produtos Lava-Roupas Líquido, Lava-Louças Líquido e Desinfetantes com lote final ‘1’”. Na mesma mensagem, a empresa informa que, caso a pessoa ainda queira realizar a troca do produto, deverá acessar um novo canal digital.
Em comunicado divulgado na quinta-feira (dia 7), a empresa negou que seus produtos apresentem riscos.
“A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”, disse a nota. “A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível.”
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