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Associação na Várzea vira ponto de apoio e recomeço para famílias impactadas pelas chuvas no Recife
Associação na Várzea vira ponto de apoio e recomeço para famílias impactadas pelas chuvas no Recife
13/05/2026 12h20
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco

Associação na Várzea vira ponto de apoio e recomeço para famílias impactadas pelas chuvas no Recife.

 

Só nas chuvas do dia 1º de maio deste ano, a Associação Gris Espaço Solidário atendeu mais de 1,1 mil casas atingidas pelos alagamentos na Várzea, na Zona Oeste do Recife.

O combate ao racismo ambiental e a busca pelo desenvolvimento de crianças e adolescentes da comunidade de Vila Arraes, no bairro da Várzea, fez surgir a Associação Gris Espaço Solidário, local que se tornou um ponto de apoio e recomeço para as famílias atingidas pelas chuvas no Recife.

Criada em 2018, a Associação tinha como ideia inicial ser apenas um ponto de apoio lúdico e psicopedagógico para menores de idade. Porém, a necessidade de entender e buscar modificar a realidade das famílias que cuidam dessas crianças e adolescentes fez surgir uma rede maior de ajuda, que se expande durante eventos climáticos, como as chuvas que aconteceram no dia 1º de maio.

“Inicialmente, começamos com as atividades voltadas para crianças. Porém, passamos a entender que não adiantava fazer apenas o atendimento das crianças, se não tivéssemos um acompanhamento familiar”, relembrou a presidente e cofundadora da Associação, Joice Paixão.

“E foi a partir daí que começamos o atendimento a essas familiares, que na sua grande maioria são lideradas por mulheres negras, e passamos a disponibilizar ajuda de formação, assistencial e até mesmo humanitária em alguns casos, como nas chuvas de 2022”.

São nesses eventos climáticos extremos, que atingem em cheio as comunidades periféricas, que a Associação Gris Espaço Solidário se torna um ponto de recomeço das famílias.

Segundo Joice Paixão, só nas chuvas do dia 1º de maio deste ano, a Associação atendeu, com doação de alimentos, medicamentos e kits de higiene, mais de 1,1 mil casas que foram impactadas pelas chuvas que caíram no Recife.

Esse quantitativo de residências atendidas se junta às 9 mil doações, entre cestas básicas, kits de limpeza e higiene, colchões e travesseiros, entregues pela Associação a famílias atingidas pelas enchentes de 2022.

Plano Comunitário

Além das ações assistenciais e emergenciais promovidas durante as chuvas, a Associação, que é liderada majoritariamente por 10 mulheres negras, desenvolveu na Comunidade de Vila Arraes, em parceria com o Departamento de Geografia e projetos de extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um Plano Comunitário de Contingência, Adaptação e Mitigação dos Efeitos das Chuvas.

Entre as atividades desenvolvidas no plano, que foi premiado pelo Governo Federal em novembro de 2024, estão: letramento climático, campanhas de comunicação, formação climatologia e meteorologia básica, banco de dados com a documentação das pessoas da comunidade em caso de perda nas chuvas, limpeza das margens do Rio Capibaribe, entre outras atividades.

“Esse plano atua desde a prevenção até os protocolos de atuação em caso de evento climático extremo, que é o caso das grandes inundações. Esse plano é dividido nas atuações prévias, que é muito essa campanha de comunicação que a gente faz, além das brigadas de trabalho [logística, saúde e cozinha], que são compostas por 115 pessoas, que assumem certos protocolos e ações durante e após os eventos climáticos”, destacou Joice.

De acordo com ela, a Associação está desenvolvendo, dentro do programa Periferia Viva do Governo Federal, Planos Comunitários de Redução de Risco e Adaptação que serão distribuídos para outras localidades que são atingidas pelas chuvas no Recife.

Além dessas ações voltadas ao enfrentamento aos impactos climáticos, a Associação promove, atividades pedagógica, formação de produção de produtos de limpezas, horta comunitária, doações de medicamentos e alimentos, atendimentos terapêuticos para 59 famílias atendidas de forma fixa na Comunidade de Vila Arraes.

De forma fixa, a Associação GRIS Espaço Solidário atende 59 famílias da Comunidade Vila Arraes (Foto: @ignusph / Associação Gris Espaço Solidário)

 

Dificuldades financeiras

Apesar da quantidade de atividades realizadas, a questão financeira é o principal problema para manter a Associação, que se sustenta por meio de editais, bazares e, principalmente, de doações de pessoas físicas.

“A nossa maior dificuldade tem sido essa questão financeira, principalmente para manter o espaço funcionando e atendendo minimamente as demandas das pessoas. Às vezes dá até vontade de largar tudo, pois, em muitos casos, o dinheiro para as atividades da Associação sai do meu próprio bolso e não tenho esse dinheiro todo. Mas, ver a alegria no rosto pessoal que é atendido, me motiva a continuar”, destacou Joice Paixão.

E são essas sensações que de acolhimento e pertencimento que motiva as 10 mulheres que fazem parte da Associação Gris Espaço Solidário a seguir com o assistencialismo social que beneficia diversas famílias da Zona Oeste do Recife.

“Muitas mulheres que são atendidas se sentem acolhidas e fortalecidas em sua integralidade, seja porque estão recebendo alimentos ou porque estão fazendo uma formação e ampliando os seus conhecimentos. Isso nos motiva cada vez mais a manter o projeto, pois viemos de comunidades e sabemos como é a realidade delas”, finalizou Joice Paixão.