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44% das habilidades vão mudar até 2027: como se preparar sem parar a carreira
44% das habilidades vão mudar até 2027: como se preparar sem parar a carreira
12/05/2026 12h54
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney

44% das habilidades vão mudar até 2027: como se preparar sem parar a carreira.

 

Pressão por atualização acelerou com a IA, e cursos executivos internacionais de curta duração passaram a ganhar espaço.

Em um cenário no qual as habilidades profissionais envelhecem cada vez mais rápido, a ideia de fazer uma pausa para estudar e depois voltar ao mercado começa a perder espaço.

Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 44% das competências exigidas no trabalho devem mudar até 2027. O movimento foi puxado principalmente pelo avanço da inteligência artificial, automação e transformação digital.

Essa nova realidade vem acelerando a busca por modelos de aprendizado mais curtos, aplicáveis e integrados à rotina profissional. Nesse contexto, cursos executivos internacionais, certificados intensivos e programas de curta duração passaram a ser vistos por empresas e profissionais como uma forma de atualização “just-in-time”: aprender exatamente a habilidade que o mercado passou a exigir, sem interromper a carreira por longos períodos.

O acesso digital mais amplo aparece como a tendência mais transformadora até 2030 para 60% das empresas entrevistadas. Além disso, avanços em IA, automação e robótica devem acelerar mudanças em praticamente todos os setores. 

Mercado deve criar milhões de vagas, mas também eliminar funções

A transformação, segundo o relatório, deve afetar tanto o volume de empregos quanto o tipo de habilidade exigida pelas empresas.

Indicador Projeção do relatório
Transformação estrutural 22% das funções atuais devem mudar até 2030.
Novos empregos criados 170 milhões
Empregos eliminados 92 milhões
Saldo líquido 78 milhões
Prováveis mudanças 39% das competências atuais podem se tornar obsoletas ou exigir atualização.

Mas a mudança não acontece de maneira uniforme. Profissões ligadas à tecnologia, análise de dados, inteligência artificial e transição energética aparecem entre as que mais devem crescer, enquanto funções administrativas e repetitivas tendem a perder espaço com a automação.

Entre as competências mais valorizadas pelas empresas estão pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança e influência social, uma combinação que mistura domínio tecnológico com capacidades humanas difíceis de automatizar.

Em vez de um MBA tradicional, cresce o interesse por formações concentradas em temas específicos. Entre eles, surgem IA aplicada a negócios, transformação digital, liderança em ambientes de automação, cibersegurança e gestão orientada por dados.

Requalificação virou prioridade das empresas

Outro fator que impulsiona esse mercado é o formato. Muitas escolas internacionais ampliaram programas online, híbridos e modulares após a pandemia, permitindo que profissionais acompanhem aulas sem sair do emprego ou mudar de país.

Para empresas, o tema também ganhou caráter defensivo. O próprio relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a falta de qualificação já é considerada a principal barreira para transformação dos negócios por 63% dos empregadores entrevistados.

O levantamento mostra ainda que a necessidade de requalificação, deve atingir a maior parte da força de trabalho nos próximos anos.

Cenário projetado até 2030 Número a cada 100 trabalhadores
Precisariam passar por treinamento 59
Poderiam ser requalificados na função atual 29
Seriam direcionados para novas funções 19
Correm risco de perder espaço por falta de qualificação 11

Diante desse cenário, 85% das empresas afirmam que pretendem investir em programas de requalificação e atualização da força de trabalho. Ao mesmo tempo, metade dos empregadores diz planejar reorganizar operações em resposta ao avanço da inteligência artificial, enquanto 40% esperam reduzir equipes em áreas nas quais a IA conseguir automatizar tarefas.

Nesse ambiente, a discussão começa a girar mais sobre velocidade de adaptação. Em muitos setores, o risco já não está apenas em perder espaço para a tecnologia, mas em demorar para acompanhar as mudanças que ela impõe ao trabalho.