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GILSON PORTO: O PRIMEIRO FEIRENSE NA SELEÇÃO BRASILEIRA

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

11/05/2026 às 09h02
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA

Com uma bomba no pé esquerdo, que arrombou a rede na inauguração do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e atemorizava os goleiros, Gilson Porto começou nas peladas de rua na Cidade Princesa. Depois, como titular da camisa onze do Corinthians, foi o primeiro feirense a vestir a camisa da seleção brasileira.

O primeiro, de forma classificatória, é o principal, ou o mais importante de uma relação, o iniciador de um processo, o primogênito, e Gilson Porto foi o primeiro jogador nascido em Feira de Santana a vestir a camisa da seleção brasileira como titular, fato que, dentro do esporte, tem importância histórica. Depois dele, outros também foram convocados e até tiveram maior destaque; todavia, as circunstâncias que o levaram ao escrete têm aspectos interessantes. Filho mais velho de Mario Porto (Mario Pereira Porto), considerado o maior artilheiro do futebol feirense de todos os tempos, com passagens pelo Galícia e Bahia no profissionalismo, Gilson começou cedo nas peladas de rua comuns nos anos finais da década de 1950 e década seguinte.

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Sem os recursos tecnológicos de hoje – televisão, internet, celular –, os jogos de futebol eram acompanhados através do rádio, jornais e revistas especializadas, como Revista do Esporte, Esporte Ilustrado, Globo Esportivo e outras. Também não havia a formação de atletas como atualmente, com garotos a partir de sete, oito anos em diante. Surgiam times formados pela gurizada de uma rua, escola ou grupos de amigos, que adquiriam camisas simples, geralmente com nomes de times do Rio de Janeiro, que mais chamavam atenção pelas transmissões radiofônicas.

Mas, se era escassa a logística, era farta a participação de talentosos garotos que, sem a presença ditatorial de orientadores que impõem sistemas táticos de forma prematura, podiam mostrar criatividade hoje rareando. No final da década de 1950, a professora Edna Laureana, fundadora da Escola General Osório (no início da Rua Castro Alves), hoje ampla e moderna, mas com outro nome, promoveu o primeiro campeonato de futebol infantojuvenil de que se tem notícia no interior do estado, com perfeita organização e um adendo que partiu dos próprios clubes: o “passe”, que significava a possibilidade de um clube ceder um jogador a outra agremiação por determinado valor, como ocorria no futebol profissional. Vale o registro da “venda” de Gilson Porto pelo time Primavera, de Zé Perneta, ao Guarany por 100 contos!

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Foi nesse cenário, com times como Guarany, Coroa Vermelha, Tupinambá, Dois de Julho, Grajaú e Monte Pascoal (havia preferência pela colocação de nomes ligados à história do país), que surgiam valores que depois seguiriam no profissionalismo, e um deles foi Gilson. Fisicamente forte, veloz, destemido, bom drible e uma bomba no pé esquerdo, que atemorizava os goleiros, logo ele estava jogando em times de adultos. Aos 16 anos, houve interesse do Guarany, que disputava o campeonato baiano de profissionais, mas ele ficou no Bahia de Feira — ainda amador —, que tinha na diretoria seu pai, Mario Porto.

Os amistosos eram costumeiros, e o time do Bonsucesso veio a Feira jogar com o Fluminense. O técnico Gradim, do time carioca, ficou impressionado com o futebol do extrema-esquerda do tricolor local, que havia sido emprestado pelo Bahia/FS, e, chegado ao Rio de Janeiro, indicou-o ao Fluminense. Gilson Porto foi para o “pó de arroz”, que, coincidentemente, contava para a posição no time juvenil com três homônimos seus: Gilson Nunes, Gilson Puskas e Gilson. Diante da concorrência, Mario Porto preferiu o retorno do filho. Em 1964, Gilson fez três jogos no time do Santos FC, mas o Bahia/FS pediu muito pelo seu passe. O Botafogo, onde ele chegou a jogar, entrou na concorrência, mas o Corinthians levou a melhor.

Aos 23 anos, titular da camisa 11 do time mosqueteiro a partir de 1967, Gilson viveu grande fase no futebol paulista. O Corinthians representou o Brasil contra a Inglaterra em jogo realizado em Londres. Assim, o veloz ponta-esquerda foi o primeiro feirense na seleção brasileira. Depois, no Internacional de Porto Alegre, na inauguração do estádio Beira-Rio, em jogo contra o Benfica de Portugal, Gilson Porto causou assombro ao arrombar a rede que acabara de ser colocada, cobrando falta da intermediária. O time gaúcho venceu por 2 x 1.

Vale lembrar que, antes disso, em 1957, quatro anos depois de ingressar no profissionalismo, o Fluminense de Feira fez parte da seleção brasileira que disputou a Taça Bernardo O’Higgins com a seleção do Chile, em Santiago. O Brasil foi representado pela seleção baiana, formada com base nos times do Vitória e Fluminense. O Chile ficou com o troféu. O Fluminense cedeu vários atletas, dentre eles: Peri-Peri, Valder, Raimundinho, Elias Oliveira e Valter Vieira, mas nenhum deles era feirense.

Por Zadir Marques Porto



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