
O governo Leite definiu os 45 primeiros hospitais habilitados a abrir 106 leitos para o atendimento pediátrico de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no âmbito do Programa Inverno Gaúcho com Saúde 2026. A medida está formalizada em portaria publicada pela Secretaria da Saúde (SES) no Diário Oficial do Estado (DOE) na última sexta-feira (8/5) e marca o início da ampliação da rede hospitalar para enfrentar o aumento dos casos respiratórios durante o outono e o inverno.
No total, o programa prevê a habilitação de 604 leitos estaduais, sendo 158 leitos SRAG pediátricos e 446 leitos SRAG adultos. Adicionalmente, serão pleiteados 1.277 leitos em âmbito federal, cujas habilitações estão condicionadas à avaliação técnica e à disponibilidade orçamentária, conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Nesta primeira etapa, serão abertos 106 leitos pediátricos financiados com recursos estaduais, entre leitos de UTI pediátrica e leitos de suporte ventilatório pulmonar (SVP), com investimento total de R$ 15,6 milhões, destinados ao custeio por um período de 90 dias. Os valores serão repassados em parcelas mensais, condicionados à efetiva disponibilização dos leitos no sistema de regulação.
“Com a definição dos primeiros hospitais habilitados e a integração de ações como a telemedicina pediátrica, o Programa Inverno Gaúcho com Saúde está estruturando uma resposta articulada e descentralizada para proteger a saúde das crianças gaúchas durante o período mais crítico do ano para as doenças respiratórias”, argumentou a secretária da Saúde, Lisiane Fagundes.
Os hospitais contemplados com os leitos pediátricos estão distribuídos em todas as macrorregiões do Estado, garantindo cobertura territorial ampla e resposta regionalizada à demanda por internações pediátricas. A rede envolve unidades localizadas nas regiões Metropolitana, Serra, Vales, Norte, Sul, Centro-Oeste e Missioneira, tanto em municípios de grande porte quanto em cidades polo regionais e regiões mais afastadas.
Cidades envolvidas
Na Região Metropolitana, estão contemplados hospitais em municípios como Porto Alegre, Alvorada, São Leopoldo, Viamão e Sapucaia do Sul, com destaque para a abertura de leitos em instituições de referência como a Santa Casa de Porto Alegre, o Hospital Presidente Vargas, o Instituto de Cardiologia e a Associação Hospitalar Vila Nova.
Na Serra, a ampliação envolve hospitais de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Farroupilha, Guaporé, Nova Prata, Veranópolis e Carlos Barbosa. Já os Vales contam com novos leitos em Arroio do Meio, Candelária, Estrela, Lajeado, Santa Cruz do Sul, Segredo e Teutônia.
A Região Norte está contemplada com hospitais em Carazinho, Erechim, Passo Fundo, Sarandi, Soledade, Tenente Portela e Cruz Alta. No Sul do Estado, recebem incentivo unidades de Bagé, Pelotas, Piratini e Santa Vitória do Palmar. O Centro-Oeste inclui hospitais de Faxinal do Soturno, São Francisco de Assis, São Gabriel e Uruguaiana. Já a Região Missioneira conta com ampliação em Santa Rosa, São Borja e São Luiz Gonzaga.
"Um dos critérios técnicos considerados na distribuição dos leitos por região de saúde é justamente a distância entre os hospitais que são referência no atendimento pediátrico para que possamos garantir com que cada criança tenha chance real de atendimento no tempo oportuno", explicou o diretor do Departamento de Gestão da Atenção Especializada da SES, Marcelo Reidel.
A portaria estabelece que o incentivo financeiro é excepcional e temporário, voltado exclusivamente para a ampliação da capacidade de resposta do SUS durante o período crítico de circulação de vírus respiratórios, quando há maior risco de agravamento dos quadros clínicos em crianças.
Telemedicina pediátrica reforça cuidado
Além da abertura de leitos, o Programa Inverno Gaúcho com Saúde também conta com a assistência por meio da Telemedicina Pediátrica, iniciativa estratégica da Secretaria da Saúde para qualificar o atendimento e reduzir a pressão sobre os hospitais.
O serviço foi retomado em 2026, de forma antecipada, como parte da preparação para o período de maior circulação de vírus respiratórios. A telemedicina funciona com equipes médicas especializadas que atuam a partir do Departamento de Regulação Estadual (DRE), prestando suporte remoto a profissionais de hospitais de menor porte, unidades de pronto atendimento, enfermarias pediátricas e UTIs neonatais e pediátricas.
Na prática, os médicos do serviço analisam os casos de crianças internadas ou que aguardam transferência, orientam o manejo clínico, ajustam condutas e auxiliam na escolha de tratamentos mais adequados. Esse acompanhamento especializado à distância tem papel fundamental para evitar a evolução dos casos para quadros graves, reduzir a necessidade de transferências e, em muitos casos, prevenir internações em leitos de UTI.
A iniciativa contribui diretamente para a organização da rede, garantindo que os leitos hospitalares sejam destinados a pacientes que realmente necessitam de cuidados intensivos, ao mesmo tempo em que amplia a resolutividade da assistência nas regiões de origem dos pacientes.
Texto: Ascom SES
Edição: Secom
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