Saúde Sergipe
Qualificação profissional transforma a realidade de mães sergipanas
Neste Dia das Mães, histórias de superação na construção civil e na inclusão digital mostram como os programas do Governo do Estado garantem autono...
10/05/2026 14h11
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe

Força, coragem, determinação e muita vontade de aprender marcam as histórias de mães sergipanas que buscaram na qualificação profissional um caminho para a superação de desafios em suas vidas. Neste Dia das Mães, 10 de maio, o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), celebra o apoio proporcionado às mães sergipanas com a oferta de programas de qualificação profissional, como o Primeiro Emprego, Qualifica Sergipe e o projeto Conecta-SE, que, além de oferecerem gratuitamente capacitação profissional, também ofertam suporte com auxílio financeiro para garantir a continuidade dos participantes nos cursos.

Para celebrar a data, a Seteem compartilha a trajetória de três mães que viram nos programas da gestão estadual a chance de reescrever suas histórias e inspirar seus filhos.

Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Programa Qualifica Sergipe ofertou cursos na área da construção civil, como pedreiro polivalente, carpinteiro polivalente e assentador de revestimentos cerâmicos. Este último chamou a atenção de Maria José dos Santos, que mora no bairro Porto Dantas, tem seis filhos e viu no curso uma oportunidade de mudança.

“Eu gostei da experiência, eu entrei para aprender. O curso foi gratuito e ainda a gente recebeu. Foi muito bom, porque antigamente não tinha isso. Para a gente fazer um curso desse, a gente tinha que pagar. Além da gente fazer de graça, aprender tudo o que aprendemos, a gente ainda recebeu uma ‘verbazinha’. A gente é de família de pescador. A gente vive da maré, mas eu não faço só isso não. Eu vendo gelo, eu cato reciclagem, eu faço lambedor, fiz esse curso. O que tiver que fazer, eu faço! Eu não corro. Criei meus filhos assim, trabalhando, fazendo de tudo”, orgulhou-se Maria José.

Além de fazer o curso, Maria José também matriculou uma de suas filhas, que fez a formação no mesmo período. Como forma de concretizar o aprendizado, ela realizou uma pequena reforma na varanda de casa.

“A gente aprendeu tudo, aprendeu a medir, a cortar o piso, a usar a serra elétrica, a preparar a argamassa, tudo direitinho. O professor ensinou muito bem. E durante o curso, nós recebemos uma ‘verbazinha’. Aí eu comprei o piso e coloquei aqui, na minha varanda, na minha própria casa, para ficar de lembrança do curso. E se aparecer algum serviço aqui, algum vizinho precisar, eu estou dentro”, comemorou.

Para inspirar outras mulheres a não deixarem as oportunidades passarem, ela deixa um recado direto.“A mensagem que eu tenho para dizer às mães é assim: a gente tem que buscar os objetivos da gente. Se você tem um sonho, né? Porque às vezes você pensa que já está com a idade avançada e não vai conseguir. Consegue sim, para tudo tem jeito, não desista. E se puder levar seus filhos junto, faça que nem eu, matricule e leve eles com você”, aconselhou.

Para Elenilma Muniz dos Santos, que tem dois filhos e fez o curso na mesma turma de Maria José, a qualificação foi uma oportunidade de superar barreiras e estreitar ainda mais os laços familiares. “Eu me interessei e perguntei ao professor: que curso é esse? Eu posso me inscrever? E ele disse que sim. Eu me inscrevi e chamei Maria José: ‘vamos colocar nossos filhos’. Inscrevi meu filho, Carlos, e ela a filha dela. Foi uma experiência muito gratificante fazer o curso com ele. A gente assentou o piso, nós dois juntos. Quando ele não sabia, pedia ajuda. Aí eu dizia: coloque assim, mais embaixo ou mais para o lado. Quando eu ficava meio em dúvida, também perguntava a ele: veja se está passando. Ele me ajudava. Aprendi com ele e ele aprendeu comigo”, relembrou.

A rotina durante a capacitação provou que a força de vontade supera qualquer exigência física. “O desafio foi grande. O curso não foi brincadeira, viu? Foi pesado, porque a gente achou que ia só aprender a botar rejunte. Quando a gente chegou lá, aprendeu do zero. A gente quebrou piso, picotou parede, pegou pedra no carrinho, fez colunas. Quebramos o chão todinho, foi um curso de verdade. Muita gente achou que não íamos aguentar. A gente aguentou mais do que os homens. E já acertei um serviço para fazer. Uma mulher combinou comigo e com Maria José para a gente colocar um piso na casa dela. Já estamos com esse serviço marcado, uma rendinha extra. O curso não vai dar um novo rumo, já deu um novo rumo para a gente”, celebrou.

Ao olhar para o passado, Elenilma compara as dificuldades da época em que criou os filhos com o atual cenário de incentivo às políticas públicas de qualificação profissional. “O desafio foi muito grande, porque na época em que eu tive eles era muito aperto. Não tinha esses cursos, essas oportunidades. Passei muita dificuldade para criar meus dois filhos, mas com dificuldade eu criei, coloquei eles na escola, sempre levava e buscava. Hoje, eu tenho orgulho dos meus filhos, eles trabalham, um está na faculdade. Eu não terminei meus estudos, mas meus filhos terminaram os dois, graças a Deus. Foi muito difícil mesmo. Hoje está melhor, tem muitos cursos, antigamente não”, refletiu.

Com a propriedade de quem desbravou um ambiente majoritariamente masculino, ela deixou uma mensagem de encorajamento às mulheres. “A mensagem que eu deixo a todas as mães é que não abaixem a cabeça, que não vão por ninguém, vão por vocês. Nós mulheres conseguimos tudo o que quisermos. Às vezes, o marido coloca a mulher para baixo dizendo: ‘ah, não vá não, porque esse curso não é para mulheres’. Não. O curso não tem nome de homem ou mulher. O curso é você ter força de vontade, ir na fé e fazer. O que o homem faz, a mulher também faz. A gente só não tem a mesma força, mas a gente tem esperteza e inteligência”, encorajou.

Conecta-SE

A história da aluna Maria Cristina de Alexandria começou quando ela matriculou sua filha, Ana Clara de Alexandria Oliveira, no curso de Letramento Digital do Conecta-SE, projeto de aceleração digital que visa permitir melhor qualidade de acesso à internet em todo o estado de Sergipe.

Executado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan) e da Seteem, o Conecta-SE tem como objetivo central revolucionar a conectividade e a inclusão digital em Sergipe, ampliando o acesso à banda larga, modernizando os serviços públicos e ofertando à população cursos de qualificação profissional na área da tecnologia.

No início do curso, Ana Clara percebeu que a qualificação poderia ser uma oportunidade para a mãe superar dificuldades com o mundo digital. “Eu achei que o curso iria ajudar, porque tem algumas coisas que ela não sabia mexer direito no computador. Antes de matricular minha mãe, eu liguei para ela e disse que achava que esse curso iria ajudar muito. Fui tentando e ela aceitou”, explicou.

Durante o curso, mãe e filha aprenderam juntas e compartilharam momentos de cumplicidade e apoio mútuo. “Foi tão bom esse momento que, uma vez, ela estava tão concentrada mexendo no computador, fazendo atividade que o professor tinha passado, que eu acabei tirando uma foto e mandei para o meu pai mostrando: ‘olha, veja isso, que bonito, sua esposa está conseguindo aprender a mexer no computador, está se superando’”, emocionou-se Ana Clara.

A insistência da filha despertou em Maria Cristina uma nova perspectiva sobre a aprendizagem e o próprio potencial. “Fui pega de surpresa, porque eu não tinha essa pretensão de fazer um curso, tanto que eu só tinha feito a matrícula dela. Eu já tinha tentado há muitos anos, mas não tinha terminado o curso. E nesse agora, eu consegui aprender muita coisa com ela do meu lado, me orientando, me ajudando. Eu aprendi mais. Eu tinha dificuldade na escrita, com as pontuações, e no curso aprendi bastante”, reconheceu.

Com os avanços no mundo digital dentro de casa, ela hoje faz questão de repassar a lição adiante. “O curso mudou, ajudou muito, porque antes eu queria mexer no computador em casa e tinha que pedir a ela ou ao meu filho para ligar para mim e colocar lá no lugar de escrever. Hoje não. Hoje eu posso ir lá, ligar e fazer sozinha. O que eu falo para as mães é que vão em busca de mais aprendizados. Aprender mais, tanto na tecnologia do computador como também no celular, porque tem muita coisa para a gente aprender. Todos nós somos capazes de aprender o que queremos, o que desejamos aprender. Aquilo está no nosso coração, na nossa mente, a gente tem que buscar, a gente consegue”, incentivou.

Ana Clara
Elenilma
Elenilma Muniz dos Santos
Entrega de certificados da alunas do Conecta-S , mãe e filha
Mae e filha na entrega de certificados
Maria Cristina
Maria José na varanda que ela mesma assentou o piso
Maria José e Elenilma
Maria José dos Santos