
Em cada ponto bordado, em cada trama do filé e em cada peça produzida pelas mãos de mulheres alagoanas do Pontal da Barra, existem histórias de afeto, resistência e continuidade. Neste Dia das Mães, artesãs de diferentes gerações mostram como o fazer artesanal ultrapassa o trabalho manual e se transforma em legado familiar, passado de mãe para filha ao longo do tempo.
A artesã Maria Nazaré carrega consigo uma trajetória construída desde a infância. Foi ainda muito jovem que o artesanato entrou definitivamente em sua vida e, desde então, tornou-se também um conhecimento compartilhado dentro da família.
“Eu aprendi a fazer artesanato com 12 anos de idade. Desde então, faço bordado, renda, redendê e ponto cruz. Ensinei minhas filhas e também minha nora a fazer crochê, que ela não sabia”, conta.
Assim como Maria Nazaré, a artesã Edirlene Lisboa também viu o saber artesanal crescer dentro de casa e seguir adiante entre as novas gerações da família. “Vai passando de geração em geração. Minha filha começou pequena, me vendo fazer, e foi aprendendo também. Hoje, a minha neta, filha dela, já está fazendo”, relata a artesã do filé.
No Pontal da Barra, onde o filé faz parte da identidade e da história de muitas famílias, o artesanato representa mais do que tradição: é sustento, memória e continuidade. Para Tânia Gomes, o filé acompanhou toda a sua trajetória como mãe e avó. “Como mãe, eu me sinto muito agradecida porque criei três filhas através da renda do filé. Criei também seis netos e oito bisnetos na arte do filé”, afirma.
O legado construído por Tânia segue vivo nas mãos da filha, Adriana Gomes, e da neta, Vitória Regina. Entre elas, o filé se tornou símbolo de união familiar e também de transformação de vida.

“Me sinto muito grata pelo tempo que elas tiveram de me ensinar, mesmo com a correria do dia a dia entre casa e trabalho. O sentimento é de gratidão pelo carinho que tiveram comigo ao transmitir esse saber. Meu sonho é continuar o legado da minha mãe”, destaca Vitória.
Já Adriana Gomes enxerga no filé uma herança que atravessa sua história pessoal e familiar.
“Para mim, é motivo de muita gratidão ter o filé como uma herança de família, que vem de geração em geração. Através do bordado filé, fui criada e consegui criar duas filhas, sendo mãe solo. Consegui formar uma, e em breve vou formar a outra, e isso é motivo de muito orgulho”, diz.
Além de tradição e fonte de renda, o artesanato também aparece como acolhimento e cuidado emocional. Para Maria Queiroz, o fazer artesanal é uma prática que transforma o cotidiano das mães. “O artesanato é uma terapia para nós que somos mães. Para quem tem filhos e está estressada, eu digo: vamos fazer filé, que vocês terão mais saúde”, aconselha.
Neste Dia das Mães, as histórias dessas artesãs reforçam que o artesanato alagoano não é feito apenas de fios e tecidos, mas também de memórias, ensinamentos e laços que continuam sendo tecidos de geração em geração.
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