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No Dia das Mães, histórias de amor e tradição bordam o filé em Alagoas

Tradição passada de geração em geração ganha força com o cooperativismo e transforma afeto em oportunidade para artesãs alagoanas

10/05/2026 às 08h46
Por: Redação Fonte: Secom Alagoas
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Histórias de quem mantêm viva uma das expressões culturais mais tradicionais do estado - Ascom Sedics
Histórias de quem mantêm viva uma das expressões culturais mais tradicionais do estado - Ascom Sedics
Livia Leão e Anderson Gomes / Ascom Sedics

Entre linhas e agulhas, o que se tece em Alagoas vai muito além do bordado filé. São histórias de afeto, cuidado e aprendizado compartilhadas entre mães, filhas e avós, que mantêm viva uma das expressões culturais mais tradicionais do estado. Neste Dia das Mães, esse legado ganha ainda mais significado ao revelar como o cooperativismo tem contribuído para transformar tradição em oportunidade, fortalecendo artesãs e gerando renda a partir de saberes que atravessam gerações.


Na comunidade da Barra Nova, em Marechal Deodoro, essa tradição se constrói diariamente, de forma afetiva e, muitas vezes, inesperada. Foi assim com dona Lindinalva, que conheceu de perto a técnica apenas em 2002, quando passou a morar na região. Apesar de já admirar o filé, ela ainda não dominava o bordado. O aprendizado veio dentro de casa, em um movimento que inverteu o caminho mais comum: da filha para a mãe.

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“A minha história com o bordado filé começou em 2002, quando vim morar na Barra Nova. Apesar de já conhecer o produto, não conhecia a técnica. Quando fui convidada para constituir uma cooperativa de bordado filé, a Cooperatban, indiquei minha filha para participar e contratei uma artesã para ensiná-la. Depois que ela aprendeu, foi ela quem me ensinou. O aprendizado aconteceu de filha para mãe”, relembra.

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Para ela, compartilhar esse conhecimento também é uma forma de cuidado e de geração de oportunidades dentro da própria família. “Ensinar meus parentes é muito importante, porque estou transmitindo conhecimento e uma forma de gerar renda”, afirma.




Filha de dona Lindinalva, Wendy Barros — que, além de artesã, atua como gerente de Cooperativismo na Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas (Sedics) — cresceu cercada por esse universo. Desde cedo, aprendeu diferentes técnicas com avós e tias, mas encontrou no filé uma conexão ainda mais profunda com sua história e com a própria mãe.


Mais do que uma prática manual, o aprendizado foi um processo afetivo. Wendy conta que aprender com a mãe foi um momento marcado por paciência, conversas e carinho, fortalecendo ainda mais o vínculo entre as duas. No início, ela observava mais do que praticava, admirando o trabalho antes de, naturalmente, se envolver com o bordado e se apaixonar pelo significado e pela beleza do filé.


Essa relação com o artesanato sempre esteve presente. Antes mesmo de aprender a técnica, Wendy já fazia parte desse universo, servindo como modelo para as peças produzidas pela mãe. Hoje, o sentimento é de conexão ainda mais profunda, fortalecida pelo compartilhamento do mesmo saber.


Para ela, cada peça produzida carrega um valor que vai além do material: são memórias transformadas em arte. “Todas as minhas peças de filé são guardadas com muito carinho, porque cada uma carrega uma lembrança, um momento e um pedaço da história da minha família”, destaca.


Ao longo do tempo, o bordado também se tornou um símbolo de força. Em momentos difíceis, foi por meio dele que a família encontrou não apenas uma fonte de renda, mas também união e resistência. Esse significado coletivo é o que mantém a tradição viva.


“É ver que algo tão precioso continua passando de geração em geração, mantendo viva a nossa história, nossa cultura e o amor colocado em cada peça”, resume, ao falar sobre o orgulho de dar continuidade ao legado familiar.


Foi por meio do cooperativismo que esse saber ganhou ainda mais alcance. “Através do bordado filé, fundamos uma cooperativa e, por meio dela, essa técnica vem sendo fortalecida e, consequentemente, fortalecendo todas as artesãs que produzem e participam da iniciativa”, explica.


Mais do que organizar a produção, o cooperativismo também amplia horizontes. “Por meio da cooperativa, participamos de eventos, capacitações e qualificações. Passamos a entender que o artesanato é mais do que uma técnica: é um patrimônio cultural que precisa ser fortalecido para que não seja esquecido”, destaca.


Ela também ressalta o papel das políticas públicas nesse processo. “Hoje, o artesanato recebe mais reconhecimento por meio das políticas públicas. Essas ações vêm para fortalecer, dar um novo sentido e melhorar a qualidade de vida das pessoas envolvidas nesses saberes manuais”, afirma.




Tradição passada para a nova geração


Esmirna Oliveira, neta de dona Lindinalva e filha de Wendy Barros, representa a terceira geração dessa história construída com linhas, agulhas e afeto. Crescendo em meio ao universo do bordado filé, ela carrega não apenas a técnica, mas também o significado emocional presente em cada peça.


Para Esmirna, o aprendizado aconteceu de forma natural, começando pela observação e admiração do trabalho da mãe até se transformar em prática e conexão. “Aprender com minha mãe foi um processo muito especial, cheio de paciência, conversas e carinho. Foi mais do que aprender uma técnica, foi criar uma conexão ainda maior com ela”, conta.


Mais do que objetos, as peças produzidas pela família guardam memórias e representam momentos vividos juntas. “Todas as minhas peças de filé são guardadas com muito carinho, porque cada uma carrega uma lembrança, um momento e um pedaço da história da minha família”, destaca.


Para ela, o bordado também sempre foi um elo de união, inclusive em períodos desafiadores, funcionando como fonte de força e continuidade. O maior orgulho, segundo Esmirna, é ver a tradição seguir viva: “É algo precioso que continua passando de geração em geração, mantendo nossa história, nossa cultura e o amor colocado em cada peça”.


Cooperativismo que fortalece tradições em Alagoas


O fortalecimento do cooperativismo em Alagoas também tem sido impulsionado pelo trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado. Alagoas se tornou referência nacional ao criar a primeira Secretaria Executiva do Cooperativismo do Brasil, vinculada à Sedics — iniciativa que representa um avanço para o setor e reforça o compromisso com a valorização de artesãos, produtores e trabalhadores locais.


Para a secretária de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alice Beltrão, falar do bordado filé é falar da identidade alagoana. “Neste Dia das Mães, Alagoas celebra mulheres que transformam tradição em legado, arte em oportunidade e afeto em geração de renda. O estado tem orgulho de ser referência nacional no cooperativismo”, destacou.


Com diálogo, incentivo e ações estruturadas, a secretaria tem ampliado oportunidades, promovido capacitações e fortalecido cooperativas em diversas regiões. No caso do bordado filé, esse apoio contribui diretamente para manter viva uma tradição que carrega, em cada ponto, a memória afetiva e cultural de Alagoas.


Para o secretário executivo de Cooperativismo, Associativismo e Economia Solidária, Júnior Benitez, o filé representa mais do que uma atividade produtiva. “O cooperativismo tem um papel fundamental nesse processo porque, além de fortalecer economicamente essas artesãs, também ajuda a preservar nossa cultura”, afirmou.


Mais do que uma técnica, o bordado filé carrega mensagens que atravessam gerações. Para mães e filhas artesãs, o sentimento é de continuidade: não deixar morrer aquilo que é feito com amor e significado. O artesanato, para elas, une gerações, fortalece laços e transforma memórias em arte.


Neste Dia das Mães, histórias como as de dona Lindinalva, Wendy e Esmirna mostram que o filé vai além do artesanato. Com o fortalecimento do cooperativismo em Alagoas, essas tradições seguem vivas, criando oportunidades e sendo transmitidas, com afeto, de geração em geração.

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