Conheça exemplos onde o amor materno divide afeto e cuidado com crianças e adolescentes acolhidos em sua família. Neste Dia das Mães, essas histórias acrescentam o poder da maternidade, com gestos simples de carinho ofertado sem medida.
Quando se fala em mãe, as primeiras palavras que vêm à mente são família, afeto e cuidado. É exatamente esse ambiente de acolhimento que o Serviço de Acolhimento Familiar (SAF), conhecido como Família Acolhedora, busca proporcionar a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac), o programa oferece uma alternativa ao acolhimento institucional para aqueles que foram afastados de suas famílias de origem por decisão judicial.
Diferente de um abrigo, o SAF permite que o jovem vivencie o cotidiano de um lar real, recebendo atenção individualizada enquanto sua situação jurídica é definida.
O fluxo começa quando a equipe técnica do Espaço de Acolhimento (EAP) percebe que a situação familiar de uma criança não será resolvida rapidamente. De acordo com Janaíra Alves, coordenadora do Família Acolhedora, as famílias cadastradas atuam como parceiras voluntárias do município.
“A partir do momento que a família acolhe essa criança, ela ganha uma guarda judicial provisória e o acolhido torna-se um membro da família. Por isso, toda a família precisa ser uma rede de apoio”, explica Janaíra.
A coordenadora ressalta que a responsabilidade é integral: saúde, educação e bem-estar físico e emocional ficam a cargo dos acolhedores.
“Pela lei, eles podem ficar até um ano e seis meses, mas sabemos que os processos podem demorar um pouco mais. No fim, a criança pode retornar à família de origem ou seguir para adoção”.
Não basta apenas o desejo de ajudar, é preciso preparo. Jayara Aygon Lopes, psicóloga da equipe, detalha que os interessados passam por entrevistas e um processo de formação antes de serem aprovados pelo Judiciário.
“Nós fazemos visitas para entender se a rotina da pessoa se encaixa com as necessidades de uma criança ou adolescente. Avaliamos se o candidato está apto psicologicamente para receber esse novo membro em seu lar”, afirma Jayara. O acompanhamento é contínuo, com visitas técnicas e suporte via telefone de plantão para qualquer intercorrência.
Raquel: O Desafio de ser “Mãe por um Período”
A servidora pública Raquel de Carvalho é um exemplo vivo da dedicação que o serviço exige. Trabalhadora do setor de acolhimento, ela decidiu em 2022 dar um passo além e abrir as portas de sua própria casa, onde vive com suas duas filhas, de 18 e 8 anos. Atualmente, Raquel está em sua terceira experiência de acolhimento.
“O que me motiva é o sentimento bom que essas crianças trazem. Gera um apego, um cuidado como se fosse um filho mesmo”, conta Raquel. Ela relata que suas filhas biológicas já estão integradas ao processo e recebem os novos “irmãos” com o psicológico preparado.
Das experiências vividas, uma bebê que passou um ano sob seus cuidados deixou marcas profundas.
“Ela chegou aqui com um ano e seis meses e não falava. Desenvolveu a fala comigo. Me chamava de mãe, e até hoje chama. Na hora de devolver, o coração fica um pouco pesado, mas meu psicológico é treinado. Eu sei que o meu papel é cuidar enquanto as questões familiares deles se resolvem.”
Para Raquel, o acolhimento é uma missão de amor integral, sem a posse do tempo. “É um filho que vai ficar por um período determinado, mas é um filho sim.”
Como participar?
Para se tornar uma Família Acolhedora, o interessado deve preencher requisitos básicos:
O serviço reforça que acolher não é adotar, mas sim oferecer um porto seguro temporário para quem mais precisa de proteção e carinho.
Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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