
O encerramento do 36º Curso de Formação de Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) foi realizado nesta sexta-feira, 8, no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), em Rio Branco, reunindo representantes de povos indígenas, instituições parceiras e órgãos governamentais. A formação reuniu 28 agentes agroflorestais indígenas de oito povos e representantes de 13 Terras Indígenas do Acre.
Durante o evento, a secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, destacou a importância da parceria entre o governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), a Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre) e a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (Amaaiac) para fortalecer a atuação dos agentes nos territórios indígenas.
“Os agentes agroflorestais vêm realizando um trabalho fundamental dentro das terras indígenas, atuando no reflorestamento, na proteção das nascentes, no cuidado com os resíduos, no fortalecimento dos sistemas agroflorestais e também na educação ambiental nas escolas. É uma categoria estratégica para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a preservação dos territórios indígenas”, afirmou a secretária.

Francisca Arara explicou ainda que a Sepi vem fortalecendo a categoria por meio do apoio institucional e do incentivo financeiro garantido pelo Programa REM/Kfw, política pública voltada à redução do desmatamento e fortalecimento das ações de conservação ambiental no estado. Segundo ela, os recursos do programa também apoiam projetos voltados à gestão territorial e ambiental nas terras indígenas.
“Atualmente, os agentes em formação recebem uma bolsa de R$ 500 e, após a conclusão do curso, passam a receber R$ 800 para apoiar as atividades desenvolvidas nos territórios”, destacou.

Duas mulheres participaram desta edição do curso, reforçando a presença feminina na proteção dos territórios indígenas e no fortalecimento cultural das aldeias. Uma delas foi Jessica Rodrigues Yawanawa, que destacou a importância da formação para as futuras gerações.

“O curso representa o fortalecimento da nossa cultura e do nosso povo. É um apoio muito grande que a Sepi e a CPI estão dando para nós levarmos esse conhecimento para as nossas famílias e para as crianças que estão crescendo, ensinando cada vez mais a proteger a nossa floresta”, afirmou.
O agente agroflorestal indígena e cacique da Aldeia União, Antônio da Silva Kaxinawá, destacou que os conhecimentos adquiridos durante a formação contribuem diretamente para fortalecer a proteção territorial e enfrentar os impactos das mudanças climáticas nas aldeias.
“Hoje trabalhamos com vigilância e monitoramento dentro da nossa terra indígena Katukina/Kaxinawá, realizando expedições nas colocações, manejo de combate ao fogo e ações de educação ambiental dentro das escolas. O curso é importante porque nos ajuda a conhecer nossos direitos e fortalecer o trabalho nas comunidades”, explicou.

Segundo o cacique, entre os temas mais debatidos durante a formação estiveram as mudanças climáticas e os impactos causados pelas queimadas, secas e enchentes no Acre.
“O que mais debatemos foi como combater as mudanças climáticas dentro dos nossos territórios, buscando formas de proteger nossas produções e fortalecer a nossa terra indígena para garantir segurança para a população”, ressaltou.
Realizado desde 1996, o Curso de Formação de AAFIs tem como objetivo fortalecer a gestão territorial e ambiental das Terras Indígenas na Amazônia brasileira. A formação é coordenada pela CPI-Acre, em parceria com a Amaaiac, integrando educação técnica e profissionalizante à escolaridade indígena, por meio de cursos intensivos, oficinas nas aldeias e intercâmbios de saberes.
A coordenadora do Programa de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da CPI-Acre, Elke Lima, ressaltou que a formação vai além da capacitação técnica e busca fortalecer a permanência dos povos indígenas em seus territórios.
“A formação é muito mais do que o agente agroflorestal sair daqui com um diploma técnico. O que buscamos é fortalecer o trabalho desses agentes para fortalecer os plantios tradicionais, valorizar a cultura, a ancestralidade e garantir a permanência dos povos em seus territórios”, afirmou.

O curso iniciado em 6 de abril reuniu participantes das Terras Indígenas Mamoadate, Kaxinawá do Rio Humaitá, Rio Gregório, Kaxinawá da Praia do Carapanã, Kaxinawá do Seringal Independência, Kaxinawá do Rio Jordão, Nukini, Nawa, Nova Olinda, Katukina/Kaxinawá, Kaxinawá/Ashaninka do Rio Breu, Jaminawa Arara do Rio Bagé, Arara do Igarapé Humaitá e Alto Rio Purus.

Ao longo da formação, os agentes participaram de disciplinas como agrofloresta, criação de animais, viveiros, rede de sementes, gestão de resíduos e água, horta orgânica, cartografia indígena, história indígena e arqueologia, ecologia indígena, mudanças climáticas, artes e ofícios, letramento digital, matemática e língua portuguesa.
Os agentes agroflorestais indígenas atuam diretamente nas aldeias com ações de recuperação ambiental, produção de mudas, fortalecimento dos quintais agroflorestais, proteção das águas, incentivo à soberania alimentar e preservação cultural. Atualmente, os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) já estão presentes em 29 das 36 terras indígenas do Acre, fortalecendo a organização comunitária e a proteção dos territórios.

No encerramento do curso, os participantes receberam sementes de 22 espécies diferentes de hortaliças, quatro espécies frutíferas e uma leguminosa, para que possam levar para suas terras e aldeias e colocar em prática o que foi aprendido durante as aulas.
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