Representantes de quatro projetos desenvolvidos na rede pública estadual de ensino foram convidados a participar da cerimônia de entrega do Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A premiação acontece durante a programação da Bett Brasil, maior evento de Inovação e Tecnologia para Educação na América Latina, aberto nesta quarta-feira, 6, em São Paulo, e que prossegue até esta sexta-feira, 8.
Integrantes da Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), os Centros de Excelência Governador Augusto Franco e de Educação Profissional José Figueiredo Barreto fazem-se presentes por meio, respectivamente, dos professores Silvio Leonardo Valença e Darcylaine Martins. O professor Silvio Leonardo participa por ter destaque com o projeto ‘Dispositivo de detecção de nível sonoro em sala de aula com controle remoto via dispositivos inteligentes’. Já a professora Darcylaine Martins está na Capital Paulista por orientar o projeto ‘Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório: Solução sustentável para o aproveitamento de resíduos do caranguejo na Orla da Praia de Atalaia/SE’.
Do sul sergipano, a professora Luciana Xavier, do Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça, em Indiaroba, compõe a delegação sergipana no prêmio pelo destaque do projeto Mangue Vivo, na categoria Inovações Pedagógicas e Metodologias Ativas, exclusivas para professores.
A gestora da Diretoria Regional de Educação (DRE) 2, Daniela Silva, foi convidada a participar do evento pela sua atuação no projeto 'Lidera Aí'. Desenvolvido com alunos das escolas do Centro Sul Sergipano, o projeto destacou-se na categoria Gestão Educacional Transformadora, exclusiva para gestores.
O projeto ‘Lidera Aí’ surgiu como um programa de formação voltado a estudantes com perfil de liderança nas escolas, com o objetivo de desenvolver e potencializar habilidades que os capacitem a atuar de forma colaborativa como agentes de transformação. “Participar da Bett Brasil, através do Prêmio Educador Transformador do Sebrae, está sendo uma experiência enriquecedora. O evento, renomado por reunir inovações em educação e tecnologia, proporciona uma excelente oportunidade de aprendizado e troca de ideias com outros educadores e empreendedores comprometidos com a transformação da educação”, Daniela Silva.
Os professores convidados a participar da premiação nacional do Educador Transformador também têm a oportunidade de visitar as exposições da Bett Brasil, de palestras e visitas técnicas.
“São dias de troca de experiências. Estamos participando de palestras, minicursos e discussões sobre futuras parcerias para o desenvolvimento de projetos nas escolas. Também estamos conhecendo materiais de diversas editoras, todos integrados às novas tecnologias e às demandas educacionais atuais. Iremos também à sede da Google, onde teremos a oportunidade de conhecer e testar uma nova ferramenta pedagógica voltada para a educação”, enfatizou Darcylaine Martins.
Inclusão e Sustentabilidade
O projeto ‘Dispositivo de detecção de nível sonoro em sala de aula com controle remoto via dispositivos inteligentes’, da equipe do professor Silvio Leonardo, surgiu a partir da percepção do barulho, que ultrapassava os 70 decibéis de intensidade, e do calor, que testava os limites de conforto térmico dos alunos nas salas de aula. O projeto monitora os níveis de ruído em tempo real, temperatura e umidade das salas de aula, transmitindo alertas automáticos para professores e gestores por meio de um aplicativo simples e acessível.
Segundo o orientador, professor Silvio Leonardo Valença, desde sua implementação em três salas do Centro de Excelência Gov. Augusto Franco, em setembro de 2025, o ‘InSpectra IoT 2.0’, como foi chamado o aplicativo, acumula conquistas que vão muito além dos números, com o nível médio de ruído reduzido de 72 para 47 dB, a fadiga vocal dos professores reduzida em 30% e o índice de satisfação entre docentes e alunos, o NPS (Net Promoter Score) do sistema, chegou a 92. Tudo isso com um custo unitário inferior a R$ 180,00 e instalação realizada pelos próprios estudantes em menos de cinco minutos.
A iniciativa ‘Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório: Solução sustentável para o aproveitamento de resíduos do caranguejo na Orla da Praia de Atalaia/SE’, desenvolvida pela professora Darcylaine Martins e equipe do Centro de Educação Profissional José Figueiredo Barreto também se destaca na categoria inclusão e sustentabilidade e teve como uma de suas principais propostas estimular o protagonismo estudantil e engajar meninas na pesquisa científica, incentivando a participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.
A partir da observação do grande volume de cascas de caranguejo descartadas diariamente na região na Orla da Atalaia, na capital sergipana, estudantes de iniciação científica desenvolveram o projeto voltado ao reaproveitamento desse resíduo. Após o consumo do crustáceo nos restaurantes, os restos costumam ser descartados no lixo comum e encaminhados para lixões ou aterros, onde se decompõem e liberam gases contribuintes para o agravamento do efeito estufa, além de provocar impactos ambientais como mau cheiro e acúmulo inadequado de resíduos.
Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas
Em Indiaroba, o projeto Mangue Vivo, da professora Luciana Xavier e os alunos do Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça, desenvolveu um aplicativo que se amplia para um site sobre o cuidado da população e Indiaroba com o manguezal.
“Vimos a necessidade de que os alunos se sentissem incluídos no processo de prevenção e preservação, e de cuidar para que no futuro tenhamos o manguezal. Temos um quantitativo de meninos e meninas, filhas de pescadores e marqueteiras, e vimos a necessidade de eles conseguirem compreender esse ecossistema”, afirmou.