
A Secretária de Estado da Fazenda de Alagoas, Renata dos Santos, recebeu nessa terça-feira (05), o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, para tratar dos impactos da atual safra sobre o setor sucroenergético do estado.
O encontro, que contou também com a participação do secretário especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, marca o início de um processo de escuta institucional e coleta de informações técnicas, com o objetivo de subsidiar a análise de possíveis medidas por parte do Governo de Alagoas voltadas ao segmento.
Segundo dados da Asplana, os fornecedores de cana registraram queda superior a 20% na produção na safra 2025/2026, reflexo de adversidades climáticas, dificuldades na manutenção dos canaviais, retração de preços e aumento dos custos de produção, o que está comprometendo a renda no campo e colocando em risco a sustentabilidade da atividade em todo o estado.
“É a maior, ou uma das maiores crises da história enfrentadas pelo setor nos últimos anos em Alagoas”, disse o presidente da Asplana, Edgar Antunes.
Fatores que impactaram a safra
A crise atual resulta da combinação de diferentes fatores adversos. As irregularidades climáticas registradas ao longo de três safras consecutivas provocaram um déficit hídrico significativo nas regiões produtoras, reduzindo o desenvolvimento das lavouras e dificultando o replantio em áreas de sequeiro.
Ao mesmo tempo, o valor do Açúcar Total Recuperável (ATR), principal referência de preço para os fornecedores, apresentou queda de 40% em relação ao ciclo anterior, impactando diretamente a rentabilidade da cadeia produtiva.
O cenário é agravado pelo aumento dos custos de produção e pelos efeitos de mudanças nas políticas comerciais internacionais. A elevação das tarifas de importação pelos Estados Unidos, a partir de 2025, reduziu a competitividade do açúcar produzido no Nordeste brasileiro, que conta com uma cota de exportação de 147 mil toneladas para o mercado norte-americano, atualmente sob risco diante das novas barreiras tarifárias.
Perfil dos produtores de cana em Alagoas
De acordo com informações da Asplana, aproximadamente 90% dos cerca de 7.000 fornecedores de cana de Alagoas são pequenos produtores, com características semelhantes às da agricultura familiar. Em sua maioria, esses produtores dependem exclusivamente das chuvas para irrigar seus canaviais, sem acesso a sistemas de irrigação que reduzam os efeitos do déficit hídrico.
O setor sucroenergético emprega diretamente mais de 60 mil trabalhadores em Alagoas e cerca de 130 mil em todo o Nordeste, representando uma das principais bases econômicas e sociais do estado. A manutenção de sua viabilidade, portanto, extrapola o campo econômico e alcança dimensões sociais que impõem atenção especial dos gestores públicos.
Encaminhamentos
Ao final da reunião, ficou definido que a Asplana encaminhará à Sefaz-AL um conjunto de informações técnicas e dados setoriais que permitirão à secretaria mensurar com maior precisão os impactos da crise sobre a economia e as finanças de Alagoas. A partir desse diagnóstico, o Governo do Estado irá analisar as possibilidades de apoio ao setor diante do cenário apresentado.
A Sefaz destaca que a condução do tema segue alinhada à responsabilidade fiscal e ao compromisso com o desenvolvimento econômico do estado. “Antes da definição de medidas, a secretaria prioriza a análise dos efeitos da crise, tanto para os produtores quanto para as finanças públicas, garantindo que eventuais ações sejam efetivas, sustentáveis e direcionadas a quem mais precisa”, ressalta.
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